Banda curitibana se prepara para o lançamento do segundo álbum de estúdio da carreira, “Caos”, que deve ser lançado em breve

Escrever com a alma é uma premissa que muitos artistas/bandas buscam em sua caminhada. Colocar a escuridão para fora, apontar a luz no final do túnel para quem anda com uma lanterna de baterias fracas, alento para os desalentados, terra firme para os naufragados. Inúmeras metáforas mas uma certeza: sentimento evidente. É assim que os músicos da Cefa, banda curitibana, costura seus passos desde 2012 após diversas alterações de formação, o que, até meados do ano passado, levavam Caio Weber (vocais) e Gabe Oliveira (guitarra e vocal de apoio) como âncoras desse mar de sensações.

2020 foi sinônimo de vida nova. Quem frequenta os shows dos caras já vinha notando, desde 2018, a participação de dois novos rostos no palco, e se familiarizando a cada apresentação. Foi assim que Giovani Gonçalves (baixo) e Bruno Silos (bateria), entraram para o time e transformaram a dupla em quarteto novamente. A galera pode conhecer e assimilar a entrada dos dois no documentário que a banda disponibilizou no Youtube, onde mostra a rotina de gravação do próximo álbum, intitulado Caos, além de ouvir um pouco da sonoridade no primeiro single desse trabalho, que foi lançado no último dia 5, intitulado Impulso.

Sem mais delongas, batemos um papo com o vocalista Caio, e ele nos contou um pouco sobre essa nova fase do grupo, além de particularidades e sobre o novo trampo. Desce aí!

Foto: Cefa / Loiro

Rocknbold – Desde 2012 a Cefa vem surpreendendo os fãs com música, visual, conceito. Qual a principal mudança que vocês apontam de 2012 para 2020?

Caio Weber Falar sobre amadurecimento é sempre um clichê, mas, eu não poderia apontar de outra forma. Eu tinha 17 anos quando fizemos nosso primeiro EP, então as letras eram a visão de mundo de um adolescente que estava começando a transição pra vida adulta. Já no “ofal”, estávamos todos mais velhos e já havíamos tido um choque de realidade bem maior com a morte do Raph. Hoje, em “Caos”, estamos definitivamente muito mais maduros e muito mais calejados da vida, e isso influencia diretamente no tipo de música que a gente produz. Eu não sou o mesmo que que era em 2012 e principalmente, o mundo não é o mesmo, seria impossível que nosso trabalho continuasse o mesmo.

Rockbold – Quem acompanha a Cefa nas redes sociais, as vezes pensa que vocês, atualmente, são só Gabe e Caio. Conta pra gente sobre os outros companheiros de palco de vocês? Como foi a entrada do Giovani e do Bruno?

Caio Weber Até o “Caos” éramos só nós dois mesmo, desde a saída do smuk e do bodon decidimos fazer tudo sozinhos com relação a gravações, vídeos e etc, mas, ao vivo já contamos com a participação dos dois desde 2018. Acontece que houve uma sinergia muito forte entre nós 4 e naturalmente, eles foram ganhando cada vez mais espaço dentro da banda, tanto é que, eles já estavam totalmente envolvidos no processo de gravação do novo álbum. Com o lançamento de “Impulso”, resolvemos oficializar os dois, então, somos um quarteto novamente.

Rock em destaque no Sesi de São José dos Pinhais - Curitiba de Graça
(Foto: Divulgação/Reprodução)

Rocknbold – No documentário que vocês postaram sobre a concepção do “Caos”, é nítida a fluidez e a intimidade que vocês têm como banda. Isso, de certa forma, deixa as coisas mais fáceis? Ou a boa convivência as vezes atrapalha?

Caio Weber Totalmente! A forma como a gente se relaciona influencia diretamente no trabalho como um todo. É engraçado, porque essa é a formação mais duradoura da banda, e foi a que parecia ser mais disfuncional a princípio. Talvez pelo fato de 2019 ter sido o ano que mais fizemos shows, a gente desenvolveu um método de convivência que é realmente muito eficiente. E isso aconteceu de forma muito natural. Existe muito respeito e admiração entre nós e isso com certeza deixa tudo muito mais fácil.

Rocknbold Falando do “Caos” agora. Assistindo o documentário, ficou evidente a entrega e o espírito da Cefa nos takes que mostravam a gravação das prés. Conta pra gente um pouco sobre ele.

Caio Weber – É difícil explicar de forma resumida tudo que rolou nessa gravação. O documentário tem mais de 1h e ainda assim é só um resumo daqueles dias. Foi uma das melhores experiencias da minha vida e acredito que dos meninos também. Ficamos duas semanas focados 100% nas músicas, sem internet e sem nenhuma influência do mundo externo. Éramos só nós, juntos, fazendo o que mais amamos. Eu acho que todo esse sentimento ficou muito bem impresso no álbum, ouvindo, dá pra sentir uma energia diferente. Quem quiser saber mais sobre, recomendo ver o documentário e mergulhar nessa experiência com a gente.

RocknboldPra gente fechar, o que a galera que acompanha vocês podem esperar pra 2020, além do novo trampo?

Caio Weber – Difícil dizer qualquer coisa nesse momento, com todos os shows cancelados e sem previsão de volta. Acho que lançar o álbum já vai ser uma vitória então, espero que os fãs se contentem com isso no momento (risos).

 Quem gosta de música que castiga o coração, pode ter certeza que “Caos” vem dessa forma. Quem conhece os caras, sabe do que eu estou falando. E para quem não conhece, vou deixar o último full-lenght deles pra dar aquele gostinho de quero mais esperando pelo novo trampo.

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