Nesta quinta-feira, 24 de setembro, é celebrado globalmente o Dia do Emo. A data não possui uma origem específica, o que leva a uma desconfiança de ser apenas uma brincadeira criada pelas redes sociais em meados dos anos 2000. Para muitas pessoas, comemorar isso faria mais sentido naquela época, em que gêneros como o power pop e o pop punk entrou no mainstream, como já adiantamos no nosso especial da década na História do Rock. Porém, o que muita gente não sabe é que a chamada “música emo”, de fato, ainda existe (e está longe de morrer!)

Há quem considere que o Emo surgiu na década de 60, mais especificamente em 1966 com o disco Pet Sounds do Beach Boys. Porém, a cidade de Washington, capital dos Estados Unidos, também foi muito importante para o início desse movimento com bandas como Rites of Spring ou Embrace na década de 80, cujo forte eram as apresentações ao vivo em casas de show pequenas, mas o que foi o grande diferencial para esses artistas serem considerados pioneiros da música emo foi justamente as composições mais sentimentais, românticas e (é claro), emotivas das músicas.

Rites Of Spring (Imagem: Reprodução / Last.fm)

O movimento acabou incluindo outros nomes que hoje são considerados integrantes, ou que de alguma forma contribuíram para a história do gênero, como Nirvana, The Smiths e Weezer. Naquela época, o termo “emo” ainda era visto como algo pejorativo, e por isso, era pouco usado tanto pelo público quanto pelas próprias bandas.

Mas foi somente em meados dos anos 90 que esse nome acabou ganhando mais força com o surgimento das bandas pop punk, como o Blink-182, Jimmy Eat World, Green Day, The Starting Line, Sum 41 entre outros, introduzindo o gênero com mais força em programas de televisão e nas rádios. A partir de 2002, o pop punk entrou no mainstream e acabou abrindo mais espaço para outras bandas que se formavam naquela época, como Dashboard Confessional, New Found Glory, Boys Like Girls, All Time Low. Mais tarde a ampliação do gênero abriu oportunidade para artistas canadenses, como Simple Plan, entrarem na música e também bandas com o vocal feminino, como o Paramore.

Uma vez que o gênero atingiu as rádios, os programas da MTV na época e ganhou um festival próprio, chamado Warped Tour, o termo mudou para uma identificação de um movimento inteiro. A partir daí, as músicas, as bandas e seus integrantes acabaram ditando um estilo de vida, comportamento, moda, maquiagem e acima de tudo, cortes de cabelo.

Quase no final dos anos 2000 as bandas My Chemical Romance, Fall Out Boy e Panic! At the Disco foram consideradas a “tríade emo” pelo público devido ao sucesso de seus álbuns The Black Parade, Infinity on High e A Fever You Can’t Sweat Out, respectivamente, que estrearam em boas posições na Billboard e acumularam milhões de visualizações nos clipes dos singles de estreia.

Nessa época, a frequência de apresentações da MTV das bandas Alexisonfire e Underoath acabaram popularizando músicas com screamo, que abriram espaço para o surgimento de outra vertente dentro da música emo, trazendo bandas como Bring Me The Horizon, Pierce The Veil, Sleeping With Sirens, entre outras.

Em 2012 e 2013, bandas como Paramore, All Time Low e Simple Plan acabaram abandonando o teor “emo” das canções em seus novos álbuns e o estilo acabou saindo do mainstream com a ascensão de outros artistas pop. Músicas com screamo, que dificilmente alcançaram um espaço no mainstream, acabaram ganhando espaço nos gêneros post-hardcore e o intitulado emocore logo no início da década.

Porém, por mais que muitas pessoas afirmam, a música emo não está “morta”. A ascensão das plataformas digitais acabou abrindo espaço para uma série de artistas independentes e o pop punk acabou se dividindo entre duas vertentes: a old school, que se refere a bandas que fizeram mais sucesso no início dos anos 2000 e a underground, que apresenta essa nova geração de bandas que embora bebam da mesma água, chegam com uma proposta diferente ao público.

Quer alguns nomes para prestar atenção? State Champs, Neck Deep, Stand Atlantic, ROAM, Story Untold, Seaway entre muitos outros.

No Brasil

É claro que o Brasil não ficou de fora do movimento emo. O movimento uniu-se como uma tribo urbana, e se estabeleceu sob forte influência norte-americana em 2003, na cidade de São Paulo e com forte movimento na região do ABC Paulista, além de se espalhar para outras capitais das regiões Sul e Sudeste. 

Na música, bandas como Fresno e NX Zero consagraram-se como os mais fortes nomes do movimento e do gênero no Brasil, considerados até hoje. Outras bandas também fizeram muito sucesso na época, como Forfun, Replace, Hevo84, Darvin, Fake Number entre outras.

Houve também a vertente do “emo colorido”, que embora abordasse nas letras e músicas a mesma temática, tratava-se de uma proposta de visual diferente, com roupas coloridas e uma vibe mais alegre, muitas vezes intitulada de Happy Rock. Dessa leva, nomes como Restart e CINE foram os mais fortes e principais representantes desse gênero, inspirando-se fortemente em bandas como Boys Like Girls, The Maine e nevershoutnever.

Como uma forma de celebrar a data, o ROCKNBOLD preparou uma playlist com os principais hits do movimento emo:
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