Por Júlia Baruki e Lívia Stamato

2020 foi um ano em que a música pop alçou diversos voos, tivemos artistas como Doja Cat conseguindo o mega sucesso através do TikTok, Dua Lipa lançando o envolvente e dançante “Future Nostalgia”, Charli XCX estreando os álbuns de quarentena, Taylor Swift nos surpreendendo com “folklore” e “evermore” e muitos outros exemplos que fizeram com que o pop continuasse movimentando a vida das pessoas, mesmo que dentro de casa.

Além destes feitos, não podemos falar das conquistas que o gênero teve no ano passado sem comentar sobre os artistas sul-coreanos. O K-Pop alcançou sucesso absoluto e conseguiu, finalmente, sua dominação mundial. NCT 127 estava se preparando antes da pandemia para sua segunda turnê nos Estados Unidos – com o primeiro show marcado no emblemático Madison Square Garden, BLACKPINK contou com Selena Gomez e Cardi B em THE ALBUM e teve um documentário sobre o grupo na NETFLIX e TWICE anunciou parceria com a Republic Records e lançou versões em inglês para os hits “MORE & MORE” e “I CAN’T STOP ME”.

No entanto, o grupo que mais se destacou em 2020, sem dúvida alguma, foi o BTS. Do início ao fim deste ano tão complicado, eles estiveram sempre trabalhando, divulgando suas músicas e pensando em formas de se aproximar dos fãs. Da virada do ano na Times Square – sendo o primeiro grupo coreano a realizar o feito – até o prêmio da revista TIME de personalidade do ano no entretenimento, o caminho do BTS foi de muito esforço e dedicação. Dessa forma, para quem quiser conhecer mais sobre os meninos, o ROCKNBOLD decidiu listar os momentos mais marcantes do boy group em 2020.

MAP OF THE SOUL: 7

Para 2020, BTS já possuía grandes planos logo no início do ano. No final de fevereiro, o grupo lançou MAP OF THE SOUL: 7, um álbum que entrou em diversas listas internacionais de melhores do ano. Com mensagens diretas de cada um dos sete integrantes para seus fãs, é uma obra de bastante reflexão sobre a trajetória do grupo desde seu debut em 2013. Na faixa “We Are Bulletproof: The Eternal”, eles cantam sobre seu amor pelos ARMYs de forma emocionante, por exemplo, o trecho “Nós éramos apenas sete / mas temos todos vocês agora / depois de sete invernos e primaveras / Na ponta dos dedos entrelaçados / Sim, chegamos ao céu”.

Além da conexão direta com seus apoiadores, o disco também mostra mais do lado pessoal de cada um dos meninos, principalmente, por possuir faixas cantadas por cada um deles separadamente. Honestos com seus fãs, dentro destas sete músicas, temos Jin cantando de coração aberto em “Moon”, V falando de suas dores e momentos do passado em “Inner Child” e os sentimentos de Jungkook em “My Time”.

A divulgação do álbum começou ainda em janeiro. Primeiro, com Suga inaugurando a nova era do BTS com “Interlude: Shadow”, faixa que trata dos problemas que a fama traz, em que ao mesmo tempo que você pode alcançar a riqueza e o reconhecimento mundial, você tem que pagar um preço, que de acordo com “Shadow”, é a liberdade. Depois, continuando na trajetória de reflexão, veio “Black Swan”, em que eles se questionam sobre o amor que sentem pela música. Da mesma forma que todas as suas composições são responsáveis pela felicidade e realização dos sonhos do septeto, com o passar dos anos, elas também passam a ser seu medo. Com “ON”, a jornada continua tratando de todos os sacrifícios que eles tiveram que fazer para virarem superstars. 

Em julho, o álbum também recebeu sua versão japonesa. MAP OF THE SOUL: 7 ~ THE JOURNEY ~ foi o quarto álbum de estúdio do BTS produzido diretamente para o público japonês. Com novas versões de músicas lançadas anteriormente, The Journey inclui duas canções inéditas: “Stay Gold” e “Your Eyes Tell”.

Para MAP OF THE SOUL: 7, uma enorme turnê já estava planejada e com todos os ingressos vendidos, porém, com a disseminação do Coronavírus por todo o globo, uma semana antes do início previsto para o início dos concertos, todos tiveram que ser cancelados.

Black Lives Matter

No final de maio, os EUA pararam para acompanhar os protestos motivados pela morte de George Floyd. Com impacto internacional, muitos acompanharam os milhões de norte-americanos que se uniram nas manifestações contra o racismo, pedindo o fim da brutalidade policial e apoiando o Black Lives Matter. Com as instituições de apoio a luta antirracista necessitando de doações, várias celebridades as auxiliaram financeiramente e BTS foi uma delas. 

Em junho, o grupo anunciou a doação de um milhão de dólares para o Black Lives Matter. Entendendo que o apoio deles a causa antirracista era necessário e um belo exemplo para os seus fãs. Como retribuição pelo gesto de seus ídolos, os ARMYs fizeram uma campanha colaborativa de doações para a mesma causa e conseguiram levantar um valor até maior do que o doado pelo septeto

Além disso, ocorreu o movimento de apoio dos fãs de K-Pop aos protestantes através de fancams. A ideia que chega até a ser engraçada fez efeito quando a polícia de Dallas criou um aplicativo para denunciar protestos, porém, a página da polícia logo ficou fora do ar. O motivo? Os fãs de K-Pop, com muitos ARMYs envolvidos na ideia, começaram a enviar diversos vídeos de seus artistas favoritos para o aplicativo, o que levou a “dificuldades técnicas” de funcionamento da plataforma. 

A explosão Disco em “Dynamite”

Em 2020 vimos o Disco triunfar na voz de vários ícones da música pop ocidental. Com Dua Lipa, The Weeknd, Róisín Murphy, Jessie Ware e até Kylie Minogue – que chegou a dar o nome de Disco para seu último álbum, o estilo retornou para o topo das paradas musicais e conquistou as playlists mais animadas do nosso Spotify. Da mesma forma, no oriente, essa nostalgia foi abraçada por vários grupos de K-Pop. O synthpop foi o carro chefe do comeback triunfal do TWICE em “Eyes Wide Open”, GFRIEND transformou a sala de casa de seus fãs em uma pista de dança com “MAGO”, na mesma pegada, STAYC debutou com “So Bad” e BTS lançou “Dynamite”.

Em agosto, o septeto voltou a ser o centro das atenções com um novo single. O primeiro single do grupo totalmente em inglês não contou com a participação dos integrantes na composição e na produção, uma das poucas músicas deles assim. Misturando disco, soul e funk, rapidamente a canção fica na cabeça do ouvinte que se pega cantando o refrão contagiante. Com a ajuda de um videoclipe colorido e animado, “Dynamite” foi conquistando seu espaço além da Coreia, chegando até ao feito inédito na Billboard, com a primeira vez que uma mesma música liderou as três principais listas de singles da parada norte-americana simultaneamente: Hot 100, Global e Global Excluindo Estados Unidos.

Com mais de setecentos milhões visualizações no YouTube, “Dynamite” foi mais um dos presentes que o BTS deu aos ARMYs para os entreter em um ano tão difícil. As inúmeras referências aos anos 1970, os tons pastéis e diversas cenas de dança conquistaram o público, o que fez com que o clipe alcançasse cem milhões de visualizações em um dia. A mensagem de “vibrações positivas, energia, esperança, amor, pureza, tudo” que os meninos queriam passar foi rapidamente aprovada.

Eventos Especiais – Dear Class Of 2020 e Tiny Desk

Com a impossibilidade de qualquer grande evento presencial ocorrer em 2020, em junho, o YouTube decidiu organizar sua própria cerimônia de formatura para todos os estudantes, celebrando a conquista dos que finalizaram a escola/faculdade. A ideia foi de colocar grandes personalidades para encorajar os formandos em um momento tão importante de suas vidas. Entre os palestrantes estavam Barack e Michelle Obama, Lady Gaga, Taylor Swift e também o BTS. 

Em sua fala, os sete integrantes compartilharam suas histórias de formatura: o medo de sair da segurança dos portões da escola, a insegurança sobre o futuro e também os momentos felizes com os amigos. No final, RM disse que “o medo de um futuro obscuro, conforme nossa vida vira de ponta-cabeça, é um momento em que vocês se percebem, em que percebem o que faz vocês serem quem são. Como músicos, nós nos unimos ao fazer música. Nós compomos, produzimos e ensaiamos enquanto pensamos em quem amamos. Isso nos conecta com o mundo em momentos difíceis. Com a música, esperamos trazer sorrisos e coragem de novo”. 

Depois do discurso, eles prepararam três canções para uma apresentação no Museu Nacional da Coreia. Para animar os formandos, a primeira música selecionada foi “Boy With Luv”, hit de 2019 que está no mini álbum Map Of The Soul: Persona. A alegria da primeira música escolhida é logo interrompida por duas mais tranquilas. Do mesmo EP, eles cantaram “Mikrokosmos”, uma canção de amor para dizer que ao mesmo tempo que somos pequenos em um mundo com sete bilhões de pessoas, nós somos de uma enorme importância para a pessoa que nos ama. 

O mini setlist também contou com um single de 2017. “Spring Day” é uma balada reflexiva e apaixonada sobre o amor, a perda e o anseio pelo passado. Na época de seu lançamento, muitos compararam a letra do hit com o Naufrágio do Sewol. Em abril de 2014, uma balsa com mais de 400 pessoas – sendo a maioria estudantes e professores de uma escola secundária – adernou após uma série de erros da tripulação. Com mais de trezentos mortos, foi o maior desastre marítimo da história do país. Para os coreanos, a música representa uma forma de manter a memória dessas pessoas vivas. 

Os meninos nunca promoveram diretamente “Spring Day” com o desastre, no entanto, foi confirmado que em 2017, o BTS doou 100 milhões de wons – aproximadamente 478 mil reais – para as famílias das vítimas. Emocionante para os ARMYs, a letra triste da canção nos fala sobre sentir falta de alguém que amamos. Nela, os dias sozinhos são representados pelo inverno e os cantores ficam esperando os dias de primavera, aqueles em que eles vão finalmente se reunir com a pessoa querida. Em um ano em que tivemos que nos isolar de familiares, amigos e até nos afastar dos shows de nossos ídolos, a mensagem que “Spring Day” nos passa é de conforto. 

Antes de cantar “Spring Day” em mais uma apresentação especial, RM compartilhou que “Este foi o verão mais difícil de todos, mas nós sabemos que a primavera vai chegar”. Em setembro, o grupo viu sua participação (tão esperada pelo time da NPR) no Tiny Desk Concert acontecer. A série de vídeos, criada por Stephen Thompson e Bob Boilen da NPR Music, convida músicos a apresentarem versões mais intimistas de seus sucessos na mesa de Boilen, apresentador do programa semanal “All Songs Considered”. 

Com a pandemia, no lugar do convencional estúdio em Washington D.C. a apresentação do BTS foi gravada em uma loja de discos de Seoul e deslancha com ‘Dynamite’ em sua primeira performance com banda ao vivo. O grupo aproveitou o intimismo do Tiny Desk para também executar as clássicas “Save Me” e “Spring Day”. Como prova de que esta participação era tão desejada não apenas pelo grupo do NPR, em 25 minutos o episódio bateu o recorde de visualizações em 24 horas do programa e com 33 minutos ultrapassou a marca de um milhão de visualizações.

Discurso na Assembleia Geral da ONU

Ainda em setembro, o grupo discursou na 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Convidados pelo Grupo de Amigos da Solidariedade pela Segurança da Saúde Global – criado na Coreia do Sul este ano em razão da pandemia de Covid-19 -, os membros contaram suas experiências como pessoas e artistas afetados pela pandemia. 

BTS trabalha com a UNICEF desde 2017, quando iniciaram a campanha pelo fim da violência contra a juventude, Love Myself, e já havia feito história discursando na ONU, em 2018, em prol da campanha “Generation Unlimited” (“Geração sem Limites”). Desta vez, os membros expressaram como se sentiram sozinhos e desiludidos com o isolamento e como encontraram em si mesmos e em seus amigos a motivação para continuarem e darem o melhor de si. “Abraçamos todas essas emoções e nós sete começamos a fazer música juntos. É daí que veio a música, e isso nos tornou honestos.”, contou J-Hope.

O grupo finalizou com uma mensagem de esperança, “que nossos rostos sejam a luz que nos ajuda a encontrar nosso caminho”, e – nos brindando um easter egg de seu próximo trabalho – recordou aos espectadores que a vida continua e devemos vivê-la.

Shows online – BANG BANG CON The Live e Map Of The Soul ON:E

Com a ideia de trazer o BTS para dentro da casa dos seus fãs durante a quarentena, a BANG BANG CON The Live foi anunciada em junho. No dia 14 do mesmo mês, mais de 750 mil ARMYs de 107 países diferentes pagaram para assistir a apresentação virtual do boy group. Em uma apresentação de duas horas, eles apresentaram seus maiores sucessos e também o que estavam preparando para a turnê que foi adiada. Mais para o final do show, cada integrante compartilhou uma mensagem carinhosa para os fãs e nesse momento, Jimin comentou “Nós estamos usando esse tempo livre que temos que ficar longe de vocês para crescermos e melhorarmos ainda mais. Espero que todos vocês também consigam superar esse momento difícil encontrando jeitos de se fazerem felizes, para que nós possamos nos encontrar sorrindo no futuro.”

Após o sucesso histórico da Bang Bang Con, o grupo anunciou em agosto o “Map of the Soul ON:E”, um evento musical de dois dias para outubro. Apesar do plano original de ter parte da plateia presencialmente ter sido descartada, o grupo conseguiu sentir um gostinho de um show tradicional através de telas que rodeavam os palcos com imagens de fãs que assistiam ao espetáculo. Ainda assim, os membros expressaram seu sentimento de angústia por estarem distantes dos fãs. “Enquanto nos preparávamos para esse show eu senti que muito disso é injusto. Não sei porque temos que passar por isso”, relatou Jimin.

O show, realizado no KPSO Dome (um ginásio dentro do Parque Olímpico de Seul), contou com uma escala oito vezes maior que o evento de junho e tecnologias avançadas que permitiram a imersão do público de uma maneira única. Além das músicas do último disco – aqui se destacando a performance de “Black Swan” e de “Filter” -, os membros dedicaram os últimos blocos às músicas que distinguiram o BTS como grupo. Desde o debut do grupo, “No More Dream”, a “Dynamite”, o então mais recente sucesso do grupo.

O evento alcançou cerca de 993 mil espectadores, quebrando o recorde que eles próprios haviam conquistado mais cedo no ano, com a Bang Bang Con.

Lançamento de BE e a mensagem de “Life Goes On”

Poucos dias após a participação do grupo na Assembleia Geral da ONU, a página oficial da Big Hit, companhia da qual fazem parte, anunciou o segundo álbum de 2020 do grupo, intitulado BE. Seu lançamento já era esperado desde abril quando RM, o líder do grupo, comunicou por meio de uma live no YouTube que estariam usando o tempo livre para a realização de um novo álbum.

Em BE, o BTS traz um novo capítulo a sua jornada de autoconhecimento e reflexão. Composto por oito faixas, o álbum é separado em dois momentos, com a faixa 4, um skit, servindo como um ‘divisor de águas’ entre as músicas mais introspectivas e as mais animadas e positivas. Com esta transição de emoções, o disco consegue solidarizar-se com e expressar os sentimentos tão reconhecíveis que nos foram impostos pela pandemia enquanto serve como prova da profundidade e da qualidade do trabalho autoral do grupo – os membros estão creditados na composição e produção de todo o álbum. 

A faixa de entrada, title track do álbum, “Life Goes On” é intimista e simples. A introspecção da música alcança os ouvintes pela sua identificação com a faixa: desde o ritmo agridoce, uma mistura de synthpop com um trabalho mais acústico, até as letras – para quem sabe coreano ou busca a tradução -, a música transmite as dificuldades de 2020 e a esperança de que estes próximos tempos serão melhores. Uma escolha arriscada para um single, a música se demonstrou a decisão certa ao se tornar, logo na semana de lançamento, a primeira música não inglesa a atingir o primeiro lugar na Hot 100 da Billboard. Esta familiarização que a música traz diante do momento em que estamos explica um pouco do seu sucesso. Claro, a fama do grupo e sua leal fanbase são, no mínimo, o motivo pelo qual ‘Life Goes On’ teve a possibilidade de atingir tantas pessoas de tantos espaços diferentes. Mas é a expressividade dos (nossos) sentimentos, esculpidos em uma obra magistral, que nos leva a retornar a esta música e a ouví-la tantas vezes mais.

Grandes conquistas de 2020

Na Coreia do Sul, os programas musicais são transmitidos semanalmente na televisão, com diversos artistas promovendo seu lançamentos. Um diferencial dos programas é que cada um deles possui um sistema de votação, com os votos sendo contados semanalmente e um artista levando uma vitória para casa a cada programa. Com mais de 120 vitórias, BTS é o recordista do país nessa forma de premiação. A conquista veio principalmente com “Dynamite”, que conquistou 28 vitórias em 2020. No último ano, foram mais de 50 vitórias para o grupo.

Dentre as principais premiações da Coreia do Sul, o evento do MAMA é aguardado por todos os fãs de K-Pop ao longo do ano, principalmente, por causa de suas apresentações marcantes. Em 2020, o evento foi realizado respeitando todas as medidas de saúde, o que fez com que todos acompanhassem de casa a entrega de prêmios. O grande vencedor da noite foi o BTS, levando oito prêmios para casa, entre eles os de “Artista do Ano”, “Álbum do Ano” e “Música do Ano”. No Melon Music Awards 2020 , o grupo também levou as principais categorias da noite – pelo segundo ano consecutivo.

Atravessando o globo, nos Estados Unidos o BTS chegou no topo da Billboard primeiro com “Dynamite” e depois com “Life Goes On”. O segundo single ainda ajudou os meninos a alcançarem o feito que somente Taylor Swift possuía: o de estrear uma música e um álbum em primeiro lugar no Hot 100 e na Billboard 200 na mesma semana. Além disso, se tornaram os primeiros a terem mais de uma estreia 1º na Hot 100.

O poder do BTS

Próximo de comemorar seus 28 anos, Jin, o integrante mais velho do grupo, foi presenteado pela Assembleia Nacional da Coreia do Sul. Isto porque, no país, todo homem fisicamente apto entre 18 e 28 anos deve servir às forças armadas por cerca de dois anos para resguardar a Coreia do Sul contra a Coreia do Norte. Assim, o cantor deveria obrigatoriamente alistar-se até o dia 04 de dezembro, quando completaria os 28 anos. Contudo, com uma nova revisão da Lei do Serviço Militar aprovada pela Assembleia Nacional, artistas de música pop considerados como contribuintes significativos para a influência cultural do país passam a poder adiar seus alistamentos até os 30 anos.

A “Lei BTS”, como foi apelidada pela mídia, havia sido proposta em setembro, quando o grupo se tornou o primeiro ato sul-coreano a liderar a parada da Billboard Hot 100 com “Dynamite”. Mesmo antes disto, a influência do grupo já era palpável pelo governo sul-coreano. Em 2018, o BTS gerou uma receita de US$3,6 bilhões ao país e no mesmo ano recebeu do governo coreano o prêmio Hwagwan por sua contribuição à cultura do país.

O ano de 2020, por maiores as desavenças e imprevistos ocorridos, comprovou mais uma vez o que os ARMYs já diziam incansavelmente e há tanto tempo: o BTS veio para ficar e tem um potencial valioso que não deve ser ignorado. A medida do governo sul-coreano é uma das provas de que os fãs estão sendo ouvidos, agora mais do que nunca. 

Ainda no mesmo ano, o grupo foi eleito pela revista Time como Artista do Ano. Segundo a própria publicação, BTS é “a maior banda do mundo”. No entanto, apenas em novembro deste ano que o grupo recebeu uma indicação ao Grammy, com “Dynamite” sendo nomeado para “Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo”. Se “Dynamite” é a música pela qual deveriam ser indicados e se “Melhor Performance” é o suficiente para a qualidade do trabalho que os membros têm entregado nos últimos anos é uma discussão válida, mas esta questão não diminui (talvez aumente) o valor desta indicação e, consequentemente, do BTS. Pela primeira vez, o K-Pop é nomeado à premiação. 

BTS

A influência que o BTS tem exercido no universo musical nos últimos anos é causa e efeito dos esforços da Coreia do Sul de aumentar sua predominância na cultura mundial e da (lenta) abertura dos outros países para o mercado da música sul-coreana. Não há dúvidas de que o poder do BTS vai além dos próprios membros: sua influência na indústria mundial exige que ditadores do poder no mercado musical – como o Grammy – notem um continente inteiro a que vêm ignorando, ou que, no mínimo, a Recording Academy seja mais ativamente criticada pela parcialidade com a qual reconhece o universo da música e que os cidadãos comuns ultrapassem os preconceitos e passem a conhecer uma nova cultura. No Brasil, segundo dados do Spotify, a influência do grupo tornou-se evidente em 2017 com o sucesso de “DNA”, tornando o BTS o primeiro ato sul-coreano a entrar na lista Top 50 do Spotify e triplicando o número de streams de K-Pop no país. Desde então, o gênero cresce em média 47% anualmente no Brasil e o país é o quinto maior consumidor de K-Pop no aplicativo em 2020.

Ainda é cedo para dizer o que 2021 tem planejado para o BTS – ou o que o BTS tem preparado para 2021 -, mas é certo dizer que inclui uma passagem histórica nos Grammys e que, o que mais houver, o ROCKNBOLD estará pronto para reportar.