Por Luiza Lemos*

A obra repleta de dancepop e eletrônica também mostra crises da cantora na vida real, mostrada em Framing Britney Spears, de 2020

Nesta semana, o documentário Framing Britney Spears: A Vida de uma Estrela, foi assunto nas redes sociais e até no Big Brother Brasil ao ser disponibilizada na Globoplay. A história de Britney Spears e a polêmica tutela que começou em 2008. E Britney também está em alta porque o álbum Femme Fatale completou 10 anos nesta quinta-feira (25). 

Produzido logo após Circus e a decisão de tutela, o álbum Femme Fatale foi um sucesso de vendas no ano de 2011. Com a produção voltada ao dubstep e eletrônica, que estavam em alta no início da década, o álbum explodiu nas paradas. O dance-pop e electropop rendeu para a estrela da música cinco discos de ouro e três de platina, vendendo 1 milhão e meio de cópias pelo mundo. Com boa recepção da crítica, as batidas eletrônicas e o pop dançante de Britney estava voltando às paradas de sucesso e para as baladas. Ainda mais depois da expectativa que Circus e Blackout deixaram nos fãs e na crítica especializada. 

 O álbum mostrou que Britney estava em plena noção do que estava fazendo, seja psicologicamente como profissionalmente. Mas mesmo vendendo diversas cópias, publicando mais dois álbuns, fazendo turnês e ganhando até 1 milhão de dólares por semana, ela tem patrimônio declarado de 60 milhões de dólares. Como diria Caio Afiune, participante do BBB 21: “Eles desviaram tudo, gastaram tudo, muita gente ficou rica nisso”.

Hoje, Britney segue sob tutela do pai Jamie Spears e é apoiada por milhões de fãs pelo mundo pela troca de tutor ou pela libertação de Britney do regime imposto pela justiça há 12 anos. E parece que Femme Fatale passa um pouco da situação da cantora na época, mesmo que boa parte das músicas não foram compostas pela cantora: ela amava cantar, dançar, estava trabalhando, mas se sentia presa. Como na música I Wanna Go, em que ela diz que ela quer ser um pouco “inapropriada” e “estourar”. “Ultimamente as pessoas me amarram/Há uma contagem regressiva esperando por mim para entrar em erupção”.

E ah, ela manda toda a mídia especializada “se fod***” durante uma entrevista em uma coletiva de imprensa no clipe oficial da música. Além de quebrar câmeras de paparazzis e derrotá-los com o poder do microfone, se é que me entende. 

Mas qual a razão da tutela?

Você leitor pode se perguntar: como uma mulher com 30 anos na época pode estar sendo controlada financeira, profissional e socialmente pelo pai e por um time de advogados? 

Bem, em 2008 Britney foi alvo de diversas crises e polêmicas com a mídia. Ela se divorciou do pai dos dois filhos dela, Kevin Federline, raspou a cabeça, atacou paparazzis, o que rendeu a perda de custódia dos filhos e foi internada em uma clínica de reabilitação. Isso gerou uma brecha na justiça americana e a decisão de colocar o pai como responsável pela vida da cantora. Em primeiro momento, ela foi a favor, para colocar um rumo na própria vida, já que a decisão era temporária.

Britney
(Imagem: Reprodução / YouTube)

Mas não foi bem isso que aconteceu. Ainda em 2008, Britney contou à Rolling Stone que queria a vida de volta, mesmo que fosse turbulenta. “Basicamente, só quero minha vida de volta. Quero poder dirigir meu carro. Eu quero poder morar na minha casa sozinha. Quero ser capaz de dizer quem será meu segurança”, disse. 

Em 2011, Britney já havia lançado dois álbuns sendo tutelada. A vida parecia boa, mas Femme Fatale e outros sinais mostraram aos fãs que não era bem assim. O movimento #FreeBritney ganhou força em meados de 2019 após áudios circularem pela internet acusando o Jamie Spears de ter um controle fora do normal da vida de Britney. Fãs também aumentaram a campanha após o cancelamento da temporada de shows fixos em Las Vegas por razões “familiares”. 

Agora, a luta é pela liberdade

Britney Jovem
(Imagem: Divulgação / Hulu)

O documentário mostra que Britney não quer trabalhar sob o comando do pai, ela quer liberdade. Sem contato com amigos ou pessoas próximas, a cantora que vendeu mais de 86 milhões de cópias agora está parada vivendo dos rendimentos que ela tem e do que o pai libera para ela. 

A luta agora é para que a tutela mude e seja alguém da escolha da cantora. Jodi Montgomery, advogada que divide a tutela pessoal com Jamie por causa de problemas de saúde dele, é a escolhida para ser tutora permanente. Em abril deste ano, os advogados da cantora irão pedir à justiça para que haja a mudança permanente. Jamie também divide a parte financeira da tutela com uma instituição financeira. Será que teremos uma reviravolta na vida de Britney Spears? Só a justiça pode dizer.

*Luiza Lemos está no último ano de jornalismo na Universidade Metodista. Atualmente escreve sobre entretenimento e comportamento no portal iG