Em uma proposta totalmente diferente e mostrando todo o potencial de sua versatilidade musical, Ale Sater, lança nesta sexta-feira seu EP Fantasmas, o segundo de seu projeto solo. Mais conhecido por ser o vocalista da banda paulistana Terno Rei, o músico viaja ao interior para dar continuidade à sua discografia individual mergulhando num conceito de diversas interpretações de ponta a ponta, desde o título à direção de arte às faixas que o compõem.

O trabalho chega cinco anos após seu EP de estreia, Japão. Dessa vez, o cantor, compositor e instrumentista se afasta das músicas biográficas e viaja na fantasia em canções que estavam guardadas em sua gaveta, mas que agora encontraram um momento para enxergarem a luz do dia e trazerem um novo tom à carreira solo de Ale Sater. “Japão foi um EP muito mais confessional, falando da minha história, da minha família… é mais coeso, dentro de si, fechado. É como se fosse uma música só”, relembra o artista sobre seu trabalho de 2016 em entrevista exclusiva ao ROCKNBOLD.

Ale Sater
(Imagem: Reprodução / Thaïs Jacoponi)

Fantasmas é mais experimental, alegórico, um pouco mais colorido, não festivo, mas bicudo, introspectivo”, detalha. “Até pelo processo, eu fiz essas músicas ao longo de vários anos […] em fases diferentes da minha vida.”

E por que lançá-lo agora? Em meio à produção do próximo disco do Terno Rei, o cantor revela que, se não fosse o período de distanciamento social em casa, causado pela pandemia de COVID-19, Fantasmas provavelmente não teria saído do papel. “Foi realmente um lance que nos primeiros três meses de quarentena, em que tudo era muito incerto, eu fiquei aflito. […] As composições carregam um pouco da pandemia. Tem algumas palavras que estão aparecendo muito nas letras que tem a ver com esse lance de ficarmos trancados em casa.”

Fantasmas começa com Peu, a faixa favorita de Ale, que introduz o público à proposta diferente se comparada ao último EP (e até mesmo em alguns trabalhos de Terno Rei). Com um ritmo diferente, que o cantor descreve como uma “quebra no meio da música”, Peu possui influências da música brasileira que foram muito presentes na infância de Sater, principalmente de artistas como Tom Jobim, Djavan, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Seguindo a linha de faixas mais “separadas” uma das outras, cuja experiência é única em cada uma delas, Nunca Mais traz suspense para o trabalho, como se fosse um filme, falando sobre visões em sonhos e uma espécie de procura sentimental que dá vigor a interpretações sobre uma viagem ao interior de si mesmo. No entanto, a leitura de “interior” vira do avesso na faixa seguinte, Caminhão, que Ale Sater descreve uma viagem na estrada durante a madrugada, observando um céu limpo que permite enxergar várias estrelas a olho nu.

(Imagem: Reprodução / Balacava Records)

A interpretação bucólica da palavra viaja ainda por aspectos que remetam um interior geográfico, presente tanto na capa de Fantasmas quando nas dos singles Nós e Peu. Essa característica, estudada e apontada como o lema árcade em latim Fugere Urbem, conforme estudado pelo filósofo Jean Jacques Rousseau para referir-se à fuga do urbano, misturando-se com a atmosfera fantasmagórica do trabalho, destacada pelo tom “sombrio” e “bicudo” das faixas, como o próprio cantor descreve.

A palavra que dá nome ao projeto foi tirada da última faixa do EP e, assim como qualquer outro elemento, possui diversos significados. “As músicas têm esse tempero, uma solidão e uma companhia que você não sabe qual é, uma companhia que você não sabe quem tá do seu lado”, detalha Ale Sater. Fantasmas pode sim, dar jus ao som de cada uma das músicas, mas também possui uma essência particular para o autor, já que todas as canções presentes no trabalho são resgatadas. “A mais nova é a primeira e Caminhão, compostas em  2017 ou 2016”, revela.

O conceito fantasmagórico se fecha com o a direção de arte que foi pensada nos mínimos detalhes, trazendo Ale Sater na capa do EP num tom vermelho em contraste com outros tons escuros da imagem, além de brincar com desfoque e nitidez. “Metaforicamente o vermelho é o centro do Fantasmas. Quando eu falo colorido, existe um pouco mais de diversidade, diferença de vibes, de composições que rola aqui”, detalha, referindo-se ao amarelo que enxerga em Caminhão, enquanto Nunca Mais escurece por sua vez e deixa os tons quentes do vermelho para as faixas das pontas.

(Imagem: Reprodução / Thaïs Jacoponi)

Ale Sater e “o vocalista do Terno Rei”

“Gosto muito de violão, de som orgânico, do som da madeira.”, conta Ale durante o bate-papo quando questionado sobre o público que o conhecerá por meio do Terno Rei. “Gosto da paisagem urbana, mas gosto da paisagem bucólica. O Terno Rei claramente urbano, tem esse ar de cidade, de paulistano mesmo, e no meu solo não é tão assim.”

“[Meu projeto] tem a brisa urbana, mas tem uma coisa de interior. Tem também a presença dos violões; é mais folk, mais acústico, mais a cara de uma coisa só”, detalha.

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Twitter: @AleSater

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