O pop rock feminino dos anos 2000 marcou uma geração inteira de crianças e adolescentes que acompanhava a programação da TV fechada. Estrelas que tiveram os nomes revelados ainda muito jovens, como Miley Cyrus, Jonas Brothers, Miranda Cosgrove entre muitas outras tiveram a carreira consolidada mesmo após o fim do contrato com emissoras como Disney Channel e Nickelodeon, que por sua vez tiveram um papel crucial na formação musical e social de uma legião de fãs atualmente: um público que mesmo na casa dos 20 e poucos anos, ainda carregam o gênero musical com muito carinho no coração.

Embora o gênero e principalmente a presença feminina no estilo tenha esfriado na última década para cá, ainda há quem procure abrir seu espaço e marcar seu nome no cenário pop rock. É o caso da gaúcha Renata Vontobel, que aos 23 anos acabou de lançar a segunda parte de Strive, um projeto pessoal em formato de EP que chega ao streaming com cinco faixas inéditas autorais e intimistas.

Sob o nome artístico REV, a cantora tem a missão de resgatar o pop rock comercial do fim dos anos 2000 que moldou e destacou Selena Gomez e Demi Lovato na indústria musical, duas de suas artistas favoritas.

Em faixas dançantes e alto-astral, REV traz assuntos particulares e delicados em suas composições, como a vivência num relacionamento abusivo e todos os obstáculos que compõem a transição da adolescência para a vida adulta. Em entrevista ao ROCKNBOLD, a cantora abriu mais detalhes sobre o lançamento e futuros planos de carreira.

Qual foi a principal diferença que você notou entre a Parte 1 e a Parte 2 do seu EP?

Eu acho que a Parte 2 é um pouco mais intimista quando comparada à Parte 1. No outro trabalho as músicas são com assuntos mais leves, enquanto esse EP vem com questões mais profundas, desde Boyfriend [que relata um relacionamento abusivo] até Insomnia que traz uma questão muito pessoal do meu dia-a-dia.

Por que trazer questões tão intimistas nessas suas músicas? Como foi esse processo?

Eu decidi escrever porque são problemas e situações que muitas pessoas também acabam passando, então elas também querem ouvir histórias que elas podem se ver, se identificar e se relacionar com isso. Eu queria contar esse lado para o público, sou uma pessoa bem verdadeira, gosto de falar bastante e não tenho muita vergonha de colocar a minha vida pessoas nas composições, então eu acho que é importante justamente para gerar essa identificação dos ouvintes.

Eu gosto muito de compor sobre coisas que já conheci ou experiências que eu já vivi, já tentei compor sobre situações alheias ou fictícias, mas quando a música vem de dentro, de eventos particulares, acaba soando mais forte pra mim.

REV

Como funciona seu processo criativo?

Eu costumo compor sozinha, mas tenho muito auxílio do meu tio e mentor Michel Vontobel. Então em muitas músicas ele começa fazendo a parte sonora, às vezes algumas trilhas, e manda pra mim, perguntando o que eu achei e eu entro com a parte da letra. Mas às vezes isso acontece de forma contrária, às vezes a ideia parte de mim e eu mando pra ele, e aí ele insere a melodia e pega a parte da produção. É um trabalho em conjunto, mesmo.

Você costuma se inspirar em outros artistas ou álbuns específicos?

Com certeza, pra esse projeto [Strive] a gente se inspirou muito no pop rock do início dos anos 2000 com algumas pinceladas das músicas dos anos 80. Então a gente teve entre as nossas referências a fase da Disney da Demi Lovato [e o lançamento do álbum Don’t Forget, em 2008] e os primeiros discos da carreira da Miley Cyrus [Breakout e Can’t Be Tamed]. Mas também houve muita influência de alguns artistas dos anos 80, especialmente a banda The Go-Go’s.

Você se considera um nome representante do pop rock feminino? Como foi para você entrar como artista do gênero?

Eu gosto muito de pop rock, sempre foi meu estilo musical favorito para ouvir, compor, cantar. Quando eu pensei em estrear, quis começar “com tudo”, com algo que eu realmente amo e acredito. É claro que eu também gosto muito de outros gêneros, como eletrônica, rock… mas o pop rock era algo que eu sempre senti que precisava começar.

Eu cresci com esse estilo, quando eu era criança e adolescente o pop rock estava muito em alta, então é algo que eu sinto facilidade em cantar e compor porque é familiar pra mim.

Tem algum motivo que faça você preferir compor e cantar em inglês?

Eu estudei inglês por muitos anos e acho que por tudo estar tão globalizado atualmente várias influências e informações acabam chegando para nós na língua inglesa. Eu ouvia muitos artistas estrangeiros quando era criança então acabei associando o idioma com música, então escrever e cantar em inglês acabou sendo natural pra mim logo quando eu comecei.

Eu gosto bastante de cantar em português também e principalmente agora que eu voltei pro Brasil eu tenho experienciado muito isso. Por morar nos Estados Unidos fazia mais sentido cantar em inglês, mas agora eu tenho planos de compor e cantar em português.

Como você sentiu o impacto da pandemia de COVID-19 no seu trabalho?

Infelizmente os lançamentos acabaram sendo os mais afetados, eu tava planejando fazer shows e inclusive tinha algumas apresentações marcadas em Los Angeles. A divulgação inteira do projeto Strive também acabou sendo mudada com a minha mudança dos Estados Unidos para o Brasil. Essa incerteza da pandemia, trabalho remoto e todo mundo de quarentena somada à minha mudança para cá acabou atrapalhando alguns planos que eu tinha de fazer mais trabalhos visuais para as faixas dos EPs, como clipes e materiais de divulgação.

E sua relação com os fãs? Mudou muito durante a pandemia?

Atualmente está resumida ao Instagram [risos]. Eu sou uma pessoa bem ativa nas redes sociais, e principalmente no Instagram eu procuro manter um contato bem próximo do público, respondendo comentários, stories. Eu tô gostando muito desse contato por lá, ver tantas mensagens bonitas e feedbacks sobre o EP e as músicas, acompanhar o pessoal compartilhando suas faixas favoritas… eu tô muito feliz. A interação por lá é muito boa e é bom ter essa ferramenta digital para nos manter próximos durante um período em que estamos tão distantes um do outro.

Eu sou muito verdadeira e direta nas coisas, e isso dá pra sentir nas minhas músicas. Pra mim música é algo que precisa te deixar de bom humor então eu procuro sempre passar isso para as pessoas.