Foi em Nova York que Carolina Brun se lançou como artista. Sob o nome artístico Woman From the Moon, a brasileira cresceu com música ao seu redor, principalmente as brasileiras. Chegou aos Estados Unidos muito nova e até tentou seguir a carreira corporativa, mas o coração bateu mais forte quando começou a estudar Jazz e engenharia de áudio, além de produção musical.

Mesmo a mais de 6 mil kilômetros de distância, a Mulher da Lua carrega consigo e em suas composições a identidade e suas raízes brasileiras. Unindo os sons clássicos do Samba e da Bossa Nova com o electro-pop, a artista cria um sentimento novo e emocionante que expressa amor, compaixão, empatia e unidade.

Em suas músicas, Carolina mistura o inglês com o português e traz batidas e melodias brasileiras, disposta a entregar a cultura do país para todo o mundo. Embora soe clichê que a cantora quer passar a verdade em suas músicas, é nítido que o sentimento pulsa em cada uma de suas composições.

Recentemente, Woman From the Moon fez sua estreia no meio digital com o single A Dollar, cujo clipe passeia pelas ruas e calçadas de uma Nova York monocromática que ganha cor aos poucos conforme a arte toma conta do filme. Na canção, a mistura de elementos típicos do Brasil como o samba e a bossa nova dão vida à metrópole norte-americana, criando não só um novo estilo de música, como um ponto de vista único do mundo.

Em entrevista ao ROCKNBOLD, a cantora dividiu detalhes sobre o início da carreira, bem como processo criativo e planos futuros. Confira:

Woman From The Moon

Por que gravar o clipe em Nova York, mostrando detalhes da cidade?

Moro aqui há quase dez anos, passei boa parte da minha vida aqui, a cidade é uma grande fonte de inspiração pra minha música. Eu vou ao Brasil todo ano visitar minha família, mas eu acabei criando minha casa aqui… o legal da cidade é que tem tantas pessoas e culturas diferentes que a gente sente que aqui é o ponto onde o mundo inteiro se encontra.

E de onde surgiu a ideia do uso de cores no clipe?

Veio não só de mim com a minha música, mas também com o meu time. A gente quis criar uma dinâmica de como a cidade está meio descolorida antes, porque assim como qualquer lugar, nem todo dia nasce maravilhoso. A gente queria mostrar quanto mais pessoas (principalmente artistas) apareciam no vídeo, mais colorido e vibrante o cenário ficava.

Você se sente mais confortável cantando em inglês? Como é pra você misturar os dois idiomas nas suas músicas?

Eu amo cantar em português, eu praticamente só escuto música brasileira. O legal de cantar é inglês é justamente atingir um público maior, de toda parte do mundo. 

E o que você costuma ouvir de música brasileira?

Eu adoro o Criolo, Racionais mas eu também gosto de MPB, Tom Jobim, Zeca Pagodinho, Emicida, gosto de Karol Conká, mas fiquei sabendo que não tá mais tão legal gostar dela! [risos] Gosto de Marcelo D2, já fui assistir um show dele em Nova York e me senti de novo no Brasil, quando tinha 17 anos. Gosto muito de samba, axé, bossa nova e rap brasileiro.

Você considera essas pessoas suas inspirações?

Com certeza, eu acho que a gente corresponde tudo o que ouve e tudo o que a gente se expõe, absorvemos. Crescer no Brasil foi mágico com o samba, axé… tudo é natural quando se cresce ali. Quando eu vim pra cá e comecei a estudar música eu vi todo o valor que a música brasileira tinha, eu não podia simplesmente ignorar isso, nada a ver.

Como foi pra você se lançar como artista agora, no meio digital, no meio de um cenário pandêmico?

Obrigada por perguntar isso. No ano passado eu já tava na escola de engenharia de áudio e queria me lançar como artista, escrevendo músicas… e quando bateu a pandemia, o período me fez repensar o que é de fato ser artista. No momento que as pessoas, principalmente influencers, que estão se promovendo na mídia social, tudo me fez pensar muito como a arte é importante. Mesmo em momentos de dificuldade a gente pode utilizar nossa arte como presente. No final das contas a música é gratuita, é pra todos ouvirem e desfrutarem. Não como uma promoção pessoal, mas acho importante lançar música nesse momento para despertar as pessoas para uma esperança, não só aqui, mas no mundo inteiro. 

E o que 2021 reserva para a Mulher da Lua?

A gente está produzindo uma música nova que se chama Mama Don’t Lie, que eu escrevi há um ano e fala sobre a mãe natureza de um jeito mais sério para as pessoas acordarem sobre nosso planeta, mas tem um pouco de funk, com um tom alegre. Eu tô animada pra fazer o clipe, tô animada também pra mostrar esse lado de apreciação à natureza que o brasileiro possui aqui.

Também quero voltar ao Brasil, acho que se tem um público que tem me apoiado muito é o brasileiro.

Qual é o significado de Woman from the Moon?

Começou uma fantasia pessoal que eu tinha e acabei colocando como usuário do meu Instagram e numa oportunidade de me apresentar, como quem não quer nada, eu acabei falando e… pegou! As pessoas da minha escola me reconheciam desse jeito e depois entendi que o nome tem um significado: é uma parte de mim que existe, eu sou uma pessoa que segue e se inspira muito na arte, então fiz uma fantasia sobre morar na Lua e olhar pra Terra de uma maneira diferente. Quando o homem foi à Lua, tudo mudou no mundo e isso acabou trazendo um senso de unidade para todos os humanos, e eu queria trazer isso para as pessoas quando elas escutam as minhas músicas.