Justin Bieber encontra a redenção em “Justice” e “Freedom”

Entre o autoperdão e a busca por identidade, popstar explora sonoridades com músicos da We The Band enquanto finalmente aborda temas que vão além do romantismo superficial no álbum mais sólido da carreira e em ótimo EP gospel

Quando falei sobre Changes, há quase um ano, Justin Bieber ainda pautava seu trabalho de forma superficial no matrimônio com Hailey Baldwin. Na ocasião, o quinto trabalho da carreira do canadense era pintado como “R&BIEBER“, o que obviamente criou expectativas altíssimas em público e crítica, afinal, a mescla entre pop e R&B/Urban nunca foi tão bem aceita pela indústria como nos últimos tempos. O resultado? Uma coleção de faixas que não se sustentam por si sós, compostas majoritariamente por beats genéricos e esquecíveis – ainda que muito bem produzidos em parceria com Poo Bear – originados das tendências do trap, que mais subtraem o resultado final do que acrescentam. Entretanto, os singles “Yummy” e “Intentions” foram bem recebidos de forma geral por entregarem mais do já conhecido pop chiclete comercial característico de Bieber, justificando os números arrebatadores do artista mais uma vez na carreira. Um dos poucos destaques do trabalho fica por conta de “All Around Me“, uma introdução tão boa quanto “Mark My Words“, de Purpose (lançado em 2015), e da canção que dá nome ao álbum, a única que expressa verdade o suficiente para despertar a vontade de se ouvir o que Justin diz por quase três minutos. No geral, Changes é justificável apenas pela voz de seu protagonista, que parece ter chegado em seu ápice técnico como cantor. O que ainda não se sabe, pelo menos até agora, é como este projeto, o pior da discografia do canadense, foi indicado três vezes ao Grammy 2021. Scooter, foi você?

Justin Bieber Justice Rory Kramer
(Foto: Rory Kramer)

Ok, que justiça seja feita: nem tudo ao redor de toda a mudança na abordagem do artista pode ser considerado gol contra. O fato de JB finalmente entender seu papel como ser humano, segundo ele, foi uma das partes mais importantes deste processo: “eu me reencontrei na música, mas entender o meu valor foi essencial para minha recuperação“. É dessa declaração – e de várias outras ao longo do último ano – que se entende a gratidão do artista a seus dois pilares: humanidade e fé.

Nesta páscoa, quase um mês após divulgar JUSTICE, seu sexto álbum de estúdio, ele lançou um EP gospel especial com seis faixas chamado Freedom (liberdade, em inglês). Com composições que falam sobre amadurecimento e evolução como ser humano mediante ao universo e a deus, Bieber aborda diversas vezes temas como a cultura do cancelamento e a intolerância na internet, finalmente demonstrando maturidade em relação a suas atitudes do passado e como elas influenciaram em sua perspectiva atual sobre vida pública e fama, o que nunca antes havia sido visto:

“Eu tenho medo de dizer a coisa errada, criticado por todos os ângulos, tenho medo de arriscar e egoistamente eu quero me conter.

Temos espaço para cometer erros? Somos julgados por tudo que dizemos? Eu quero crescer mas eu tenho medo, e será pra sempre assim? O que eu tenho a dizer realmente importa? A vida é subir a escada e podermos ver vidas que estão sendo destruídas? Porque eu realmente estou tentando silenciar toda essa conversa.

O que fizemos com a sociedade quando todo mundo está sendo “cancelado” e não se pode haver espaço para maturidade?

(…)

Não podemos simplesmente descartas as pessoas, Deus nunca nos descarta.

Mesmo em nossos dias mais sombrios, mesmo quando menos merecemos, mesmo quando estamos fazendo aquela coisa estúpida que desejamos não estar fazer, Deus nunca nos descarta.”

Canções como “All She Wrote“, “We’re In This Together“, “Where I Do Fit In” e principalmente “Afraid To Say“, quase todas com participações especiais de Chandler Moore, Tori Kelly e Judah Smith, poderiam facilmente se tornar hinos da igreja Hillsong, a qual Bieber frequentou durante anos, inclusive – e daí se entende sua influência por suas raízes diretamente relacionadas a religiosidade, ainda que todos já saibam que ele cresceu em uma família cristã. Pela primeira vez em todos esses anos tentando demonstrar sua fidelidade a seu “salvador”, parece que o ex “badboy” finalmente encontrou o propósito que o tirou das capas dos jornais por questões e escândalos pessoais. Então, quem há de dizer que este é o caminho equivocado a se trilhar?

(Foto: Variety)

Antes de lançar Justice, no último dia 19, Bieber surpreendeu a todos quando em uma apresentação inédita no TikTok, artista performou com sua banda, We The Band, apenas canções de Journals, de 2014, em comemoração ao Valentine’s Day norte-americano, comemorado em fevereiro. Justin felizmente aparenta ter superado todas as críticas que sofreu na época dando uma nova roupagem às canções, as abrilhantando muito além do esperado. É notável a evolução de JB como cantor ao vivo, principalmente devido ao abandono dos playbacks, que dá abertura ao artista para transitar entre diversas técnicas de canto com muita facilidade (que voz de peito e controle de diafragma, hein, Biebs?), o possibilitando ter domínio sobre seu maior instrumento, utilizando habilidades e movimentos para não soar tão nasal quanto antes.

Ao lado dos excelentes músicos Harv (baixo, que também é um exímio produtor de R&B), O’Neil (teclado/synth), Robert (bateria), Julian (guitarra/violão) e DJ Tay James (outro grande produtor), Justin fez uma das melhores apresentações da carreira com a naturalidade digna de uma estrela pop, muito por conta do entrosamento com seus companheiros de palco, responsáveis pela criação de novos arranjos para faixas ótimas como “Change Me“, “Bad Day“, “Hold Tight” e “Heartbreaker“. Que match!

Dado o sucesso da performance – que conseguiu bater a marca de 4 milhões de espectadores em dois dias -, eles ainda gravaram alguns dias depois outra excelente apresentação: dessa vez para o adorado Tiny Desk Concert, da NPR Music, performando quatro singles do novo álbum – “Holy” (originalmente com Chance The Rapper) e “Anyone“, além da ótima “Hold On” e a extraordinária “Peaches” (originalmente com Daniel Caesar e Giveón), ambas em um arranjo mais lento, sendo esta última divulgada como o quinto single do que soa como o trabalho mais sólido de Bieber em mais de dez anos, ainda que seja levemente desajustado como produto completo.

O desajustado senso de justiça e o autoperdão de Justin

JUSTICE não se justifica por apenas entregar sonoridades que exploram as diversas facetas do cantor, músico, compositor e até produtor Justin Bieber, mas sim por finalmente ultrapassar a barreira da superficialidade e conseguir expressar sentimentos honestos e profundos sobre assuntos que vão além do romantismo dramático supérfluo da geração. Entre o autoperdão e a compreensão de seus próprios erros e aprendizados, Justin abandona o medo de abordar questões importantes na sociedade ou assuntos que já o incomodaram em algum momento, como o vício em drogas e suas atitudes de jovem adulto privilegiado; essa será a primeira vez que você o verá falar abertamente sobre maconha, abraçar a fraternidade encontrada em sua família, buscar entendimento no julgamento e utilizar citações – muito mal colocadas, inclusive – de Martin Luther King Jr. sobre justiça social, por exemplo, buscando se posicionar através de sua arte em relação a tudo que o planeta vem enfrentando há anos.

A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar“, diz o início de “2 Much“, sampleando áudios gravados de MLK. O único problema aqui, entretanto, é uma frase simbólica como esta anteceder uma bonita canção de amor que poderia facilmente estar no meio da tracklist para desacelerar o ritmo do trabalho. Onde a justiça se encaixa neste contexto, Biebs? E por que reservar dois minutos na sétima faixa para um discurso importante do ativista enquanto você está prestes a declarar todo seu amor interminável a sua parceira? “Mistureba” difícil de engolir.

Ok, mas e o disco, é bom?
Justin Bieber Justice Rory Kramer
(Foto: Rory Kramer)

Ainda que algumas escolhas do canadense para demonstrar seus posicionamentos possam ser extremamente questionáveis, aqui, Justin mergulha de cabeça na própria intimidade e soa finalmente como um dos pilares da indústria do pop que ainda possui algo a dizer: não o faz com os samples muito mal inseridos de MLK, mas sim ao abordar com sutileza os próprios sentimentos vulneráveis em relação às suas guerras internas. Em entrevista a Billboard, o músico explicou sua rotina de skincare, falou sobre terapia, como Hailey e equipe o ajudaram a superar períodos tão tenebrosos na vida privada… tudo isso é expressado com certa ternura e sutileza em canções muito bem construídas e arranjadas, como “Deserve You“, um softpop abrilhantado por sintetizadores e beats orgânicos, e “Ghost“, faixa emocionalmente poderosa que fala sobre perdas. Assim como em quase todo o disco, as tracks possuem um tom alto se comparadas à outros projetos da carreira do artista que recentemente completou 27 anos. Justin abandona de uma vez por todas as repetitivas vozes dobradas e o autotune exacerbado – ainda que o explore muito bem em conjunto do reverb rotineiro em mais da metade do trabalho -, dando destaque indiretamente ao seu talento como vocalista. Outro ponto positivo se dá ao fato de JB finalmente ser creditado em quase todas as 22 faixas (deluxe) também como compositor e produtor. De certa forma, JUSTICE é um disco que deve entregar muito mais ao ser performado ao vivo do que apenas em estúdio, e a premissa de não criar apenas o que o público quer, como fez em seus últimos dois trabalhos, talvez cause estranheza para os fanáticos por playlists que esperam por canções como “Let Me Love You“, “Cold Water” ou “Sorry” do agora adulto Bieber. Entretanto, isso não quer dizer que esse tipo de sonoridade não esteja presente no sexto álbum de estúdio do canadense.

As I Am“, parceria com o excelente Khalid, foi feita puramente para fins comerciais. É como ele tivesse escrito e produzido a canção com Poo Bear para ser um sucesso radiofônico, que possui um clímax no refrão que é muito sustentado pelas ótimas vozes dos dois artistas e por um beat simples influenciado pelos hits EDM. Se essa foi a premissa, acertaram em cheio. Não se surpreenda se em breve a track ganhar um videoclipe. “Somebody” poderia ter sido criada por Skrillex e Diplo sob o codinome de Jack Ü, “Love You Different” com BEAM e “Loved By You” com Burna Boy também seguem a tendência genérica da música eletrônica e contam com indagações sobre relações amorosas.

Lonely“, um dos singles que precederam o lançamento do projeto, com Benny Blanco, possui uma letra muito forte sobre o sentimento de Justin ao crescer mediante aos holofotes e flashes que o rodeavam por toda parte e ainda assim se sentir completamente sozinho a maior parte do tempo. A track é mais palatável quando JB a performa fora do estúdio, enfatizando a ideia de que este é um álbum que funcionará muito melhor nos palcos. Ainda que seja emocionante o bastante para prender a atenção do ouvinte, instrumentalmente não diz muito – e este claramente não é o objetivo aqui -, mas definitivamente prova que a perspectiva de Bieber ainda merece a sua atenção.

Off My Face” pisa no freio e desacelera o ritmo do disco em mais uma balada acústica para Hailey Baldwin, mas que soa mais verdadeira que Changes inteiro, enquanto “Holy“, parceria com Chance The Rapper, bebe da fonte da música gospel norte-americana com uma ótima linha de baixo e excelentes backing vocals. Entretanto, o verso do convidado não atinge o mesmo nível de JB na canção e talvez este seja o motivo dela também soar melhor com banda, sem a participação do rapper (a performance no Tiny Desk acima demonstra bem), que chegou a dizer que este álbum estava no mesmo nível de Off The Wall, de Michael Jackson. Não é pra tanto, Chance.

Outros dois singles, “Anyone” e “Hold On“, são ótimas canções a serem performadas live justamente por receberem arranjos distintos de suas versões de estúdio, que apelam mais uma vez pro lado comercial ao contarem com beats eletrônicos de olho nas tendências da indústria e não soarem tão cheias quanto as versões com a We The Band. Não é que as faixas sejam ruins, muito pelo contrário, mas Bieber já obteve tantos hits em seus dez anos de carreira imerso no pop que novidades que vão além disso chamam muito mais atenção. Cheias de groove, muito pelas linhas de baixo de Harv, viradas na bateria acústica de Robert e riffs poderosos da guitarra de Julian, ambas tem muito potencial para se tornarem duas das mais queridas de Bieber por sua fanbase, já que também se distanciam um pouco do pop chiclete de hits como “Sorry“, “What Do You Mean” e tantas outras.

Quais são os destaques? E os feats?

Nos últimos doze meses, Justin tem falado abertamente sobre artistas nas redes sociais, algo que nunca foi comum na postura do canadense. No Instagram, ele chegou a elogiar diversos nomes da indústria como Lizzo, o amigo de longa data Jaden Smith, Machine Gun Kelly, Demi Lovato, Jonas Brothers e vários outros, mas o que mais chamou a atenção foi a incisiva “divulgação” de Bieber sobre o australiano The Kid LAROI e o estadunidense Dominic Fike, até então em ascensão no mainstream. O que ninguém sabia é que duas das melhores faixas da carreira de JB seriam colaborações com estes dois jovens e promissores artistas pouco tempo depois.

(Foto: Divulgação/Reprodução - Justin Bieber e The Kid LAROI)
(Foto: Divulgação/Reprodução – Justin Bieber e The Kid LAROI)

Às vezes eu acho que penso demais e começo a me sentir ansioso; houveram vezes que eu não conseguia nem respirar mas você em nenhum momento me abandonou” diz “Unstable”, com The Kid LAROI, de apenas 17 anos. A track, definitivamente uma das melhores parcerias da carreira de JB, fala sobre dependência emocional enquanto os artistas divagam sobre ansiedade e depressão, harmonizando muito bem suas vozes e obtendo individualmente destaque nos versos – LAROI, inclusive, tem obtido muito sucesso ao mesclar rap e pop, transitando com facilidade entre harmonias e melodias cantadas e versos falados e rimados. É bem provável que em algum momento você se importe muito mais com o que está sendo cantado e dito do que com a sonoridade da faixa em si, ainda que ela entregue com sutileza e muita melodia leve guitarras e teclados redondinhos. Vistos juntos diversas vezes no último ano, Justin aparenta ser uma espécie de “mentor” de LAROI enquanto no dia a dia praticam esportes e passam algum tempo lado a lado. A relação aparenta ser similar a que Bieber tinha com Jaden Smith há alguns anos, por exemplo. O excelente Jaden, inclusive, faz sua participação no disco na versão deluxe com “I Can’t Be Myself“, a melhor canção que o norte-americano já fez com Bieber desde “Never Say Never“, entregando um soft pop R&B, semelhante as recentes dançantes e excelentes tracks de JADEN, “Cabin Fever” e “Deep End“.

Die For You“, com o virtuoso Dominic Fike – que recentemente trabalhou com Sir Paul McCartney – é a melhor balada dançante da carreira de Justin Bieber. Muito distante dos hits estratosféricos de Purpose, totalmente imersos no pop eletrônico, nesta faixa Bieber e Fike formam uma dupla de peso neste pop rock retrofuturista, cheio de sintetizadores, nos remetendo diretamente a canções de Justin Timberlake como “Take Back The Night” e “Montana”, Bruno Mars em Unorthodox Jukebox e até algumas faixas recentes de The Weeknd em After Hours; todos estes trabalhos foram claramente influenciados por nomes como Michael Jackson e Prince, explorando elementos do pop dos anos 80 e 90 com grande destaque aos synths.

Contudo, o maior destaque de JUSTICE é “Peaches“, com Daniel Caesar e Givéon, que explora de forma irretocável finalmente o R&B que Justin Bieber busca entregar há alguns anos. Perfeita para uma viagem de carro com os amigos, uma noite com a pessoa amada, uma dança no meio da sala após sofás serem arrastados ou até mesmo aquele momento para relaxar com os próprios pensamentos, a mistura do pop característico de Bieber com o Urban de Daniel e Givéon funciona perfeitamente e coloca a track entre as cinco melhores colaborações da carreira dos três artistas. Não a toa o clipe já está perto de bater a marca de 100 milhões de visualizações em menos de um mês, além de ter alcançado o topo dos charts da Billboard. O vídeo, dirigido por Collin Tiley, é também um dos mais agradáveis de se assistir de toda a videografia de JB em mais de seus dez anos de estrada, explorando muito cores vibrantes e diversas luzes, além de focar com sutileza em tons alaranjados (“Peaches”, em inglês, é pêssego), levando o espectador a uma viagem de carro da Georgia a California com leveza e muito groove. Vem por aí indicação – dessa vez de forma merecida – ao Grammy, hein?

Na versão deluxe, com mais seis músicas, não há grandes highlights com exceção de “Name“, uma balada acústica extraordinária com Tori Kelly, a já mencionada “I Can’t Be Myself” com JADEN e “Know No Better” com DaBaby, que ainda que explore o beat trending do trap é guiada pela melodia da voz de Justin em uma canção freshy feita para um amor de verão. “There She Go“, com Lil Uzi Vert, vale o play apenas pelo verso do trapper; “Wish You Would“, com Quavo, não repete o resultado de “Intentions” e é mais uma canção genérica que poderia estar em Changes e “Lifetime” é outra canção lenta, mas dessa vez totalmente esquecível.

JUSTICE vale a pena?

Justice não terá bilhões de plays e visualizações como Purpose, mas consegue ser muito mais sólido que qualquer outro trabalho da discografia de JB por simplesmente expressar o sentimento real do artista e pessoa Justin Bieber. A partir de agora, o canadense provavelmente tem consciência que se sente muito mais confortável fazendo música pop ao vivo, explorando instrumentos acústicos que se distanciam de apenas batidas eletrônicas orgânicas e que por mais que seja a estrela principal de seu próprio show, precisa estar acompanhado de músicos que o entendam. Talvez daqui pra frente ele consiga explorar melhor a própria zona de conforto inserindo em sua arte elementos do R&B dos anos 2000 a la Boyz II Men, por exemplo, do que explorando instrumentais do trap que ainda permanecem como tendência na indústria. Aqui, há canções que possuem claras influências oitentistas e noventistas, colaborações com artistas já consagrados, feats com talentos super jovens que ainda buscam espaço no mainstream, visitas de velhos conhecidos e letras otimistas sobre a vida e o cotidiano, ainda que muitas delas questionem a sociedade como um todo e demonstrem as mágoas passadas e os aprendizados do artista. Contudo, essa é a melhor parte do álbum como um todo, finalmente conseguir enxergar na estrela que cresceu em frente aos olhos de uma geração certa vulnerabilidade que excede a limitação de relações amorosas. Tracks como “Die For You“, “Unstable“, “Deserve You“, “Hold On“, “Holy“, “I Can’t Be Myself“, “Name” e, claro, “Peaches“, sintetizam muito bem como o multifacetado Bieber ainda tem muito a se dizer e entregar para a música pop.

Ainda que o sexto álbum de estúdio de sua carreira não seja unanimidade, é possível se dizer que Justin está no auge da vida. Maduro, em paz, saudável e feliz, ele cresceu sob os holofotes, sendo assistido e julgado durante anos por conta de seus erros (de forma correta, na maioria das vezes). Ainda que tenha os identificado, passou algum tempo em negação, sem produzir qualquer tipo de música e enfrentando seus próprios demônios internamente; nada disso justifica a postura arrogante e muitas vezes grosseira de situações passadas, mas é bom ver que um adolescente problemático e confuso com o mundo na palma de suas mãos finalmente encontrou o próprio caminho e que, independente de onde tenha ido, esteja ou vá, também compreendeu que não há nada que valha mais do que a própria paz interior.

Na postura de ser verdadeiro, vulnerável e instintivo o suficiente, Justin Bieber finalmente aparenta ter controle sobre os próprios caminhos, entregando ao público muito mais do que refrões pegajosos e sonoridades pop genéricas: a postura de um POPSTAR que finalmente tem algo a dizer.

Highlights: “Deserve You“, “Off My Face“, “Unstable“, “Die For You“, “Hold On“, “Ghost“, “Peaches“, “I Can’t Be Myself” e “Name“.

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