MUST LISTEN: 12 artistas para ouvir neste fim de outubro

Em mais uma edição do querido e adorado MUST LISTEN, selecionamos dez trabalhos de artistas independentes que deveriam ter sua atenção

Mais um MUST LISTEN na área! Dessa vez selecionamos doze artistas que merecem atenção nesse fim de outubro com feriadão prolongado! Tem som para todos os gostos e de diversos cantos do globo! Demais, né? Então confira a lista, aumenta o volume e dá o play!

Confira abaixo a lista de selecionados e não esqueça de nos seguir no Spotify para não perder nenhuma novidade!

Thirty, de Alex Gibson
Alex Gibson

Diretamente de Sydney, Austrália, Alex Gibson atravessou continentes e trilhou seu caminho até Londres, lar icônico de diversas referências da música mundial e de seus maiores ídolos e influências artísticas. Estreando com o debut This Is Life (2012), o artista se aprofundou em sua carreira e rapidamente ganhou a reputação de um dos melhores artistas musicais, sendo um dos mais estimulantes e de maior impacto na música popular londrina dos últimos anos.

Alex já se apresentou em locais famosos da cidade, como o The 100 Club e OMEARA, além de ter sido apresentado como uma das estrelas em ascensão do cenário musical pela Time Out London de 2016, sendo vice-campeão da competição Songs Of War em 2018, recebendo elogios e sendo julgado por ninguém menos que Dave Stewart (Eurythmics), Mike Rutherford (Genesis) e Joss Stone, além de outras influências do rádio e TV, e do mundo da música. 

O jovem músico também tem uma conexão curiosa com o nosso país. Durante algum tempo, Alex (acompanhado de seu violão e uma voz suave) costumou apresentar-se na Portobello Road, local onde foi flagrado por Bruna Marquezine em certa ocasião, prontamente compartilhando em suas redes sociais um vídeo do artista que, instantaneamente, conquistou uma legião de seguidores tupiniquins, fazendo com que seus fãs de São Paulo ocupassem durante um período um dos 5 maiores públicos no perfil verificado do artista no Spotify.

Alex tem um estilo suave e cru ao mesmo tempo, além de adaptável à várias gerações e palcos com diversas influências musicais. Em 2021, o cantor, violonista e compositor lançou Thirty, um compilado de canções que mesclam seu som atemporal e único à sua paixão e determinação, levando uma enxurrada de emoções variadas ao público, refletindo toda a personalidade do músico, que recebeu elogios diretos de Mike Stavrou (produtor musical e engenheiro de som responsável por nomes como Paul McCartney, Queen, Stevie Wonder, Elton John, David Bowie e Diana Ross).

A voz aguda predomina mas também arrisca na agressividade de drives que soam vindos diretamente do fundo do coração em faixas como “Falling For You”, “Dance With You”, “Animal”, “Feel Something” e “Searching” que contam com violões dedilhados, refrões pegajosos e remetem à trabalhos que vão desde James Blunt à James Bay e o pop acústico do início da carreira de John Mayer, assim como “Spirit Girl”, que tem aquela atmosfera amorosa da segunda década dos anos 2000 acompanhada por várias linhas de backing vocals.

A progressão dedilhada dos acordes, as linhas de órgão e piano em “Smokey and Whiskey” diferem a track de suas outras irmãs, onde flerta com um pouco do blues mesclado ao pop e remete muito brevemente à “Owner Of A Lonely Heart” do Yes, na versão brasileira (e acústica) de Emmerson Nogueira, lançada em 2001. “Heartbeats” traz uma melancolia e certo desespero em uma faixa carregada de sentimentos e que provavelmente tenha a ver com experiências reais da vida do músico. O nascimento de seu filho Arnold passou por dificuldades, e em uma primeira audição, algo similar é retratado na canção que se coloca como uma das mais fortes do disco, navegando entre uma aura calma e tranquila através do piano até o dedilhado dos violões que soam como um ritmo cardíaco.

“Thirty” acompanha uma cadência mais lenta que sua antecessora, e adiciona linhas de sopro muito interessantes enquanto “Survivor” aposta novamente numa tessitura enraizada na música folk, preenchida por linhas adicionais de instrumentos orquestrais como violino. “Dancing With The Devil” finaliza o trabalho com calmaria numa canção que trata de relacionamentos e de toda a experiência entre a vivência de um amor com uma melodia cativante e diferente, acompanhada pelo timbre profundo de piano.

O álbum é coeso, bem trabalhado e excelentemente bem produzido, e sua sonoridade muitas vezes implica numa sensação de pertencimento à um grupo seleto de sentimentalismo e intimidade entre o eu-lírico do artista e o ouvinte… num mundo pré-Covid-19, Thirty se resumiria em músicas para acabar com os pulmões e cantar junto à multidão num show lotado iluminado apenas pelas lanternas de celulares, como se fossem milhares de estrelas entre à escuridão do universo. Portanto, passar por esse artista ou por este trabalho sem dar o play é praticamente um crime!

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LOVED, de Lolita Moore
Lolita Moore

Lolita Moore não é só mais uma simples voz no meio musical. A premiada cantora gospel tem se destacado e deixado sua marca impressa em suas composições e hinos inspirados na fé. Recentemente nomeada como A Melhor Artista Gospel Feminina pelo Sounds of Soul Gospel Music Awards, a artista também recebeu indicação à Melhor Artista Gospel Feminina pelo Prêmio Spotlight, conquistando cada vez mais uma base de fãs sólida ao redor do globo.

Nascida na Bay Area, a artista vive hoje em Sacramento, capital do estado da Califórnia. Lolita passou a cantar já muito jovem, com apenas cinco anos além de também compor desde muito cedo, porém somente ao atingir a maioridade que a cantora passou a utilizar seus dons profissionalmente, apresentando-se em diversas igrejas locais, eventos comunitários e festivais. Dona de um timbre impossível de ignorar, sua voz apresenta nuances tocantes, que emocionam numa entrega vocal majestosa. O controle que a artista possui sobre sua voz, alinhado ao poder vocal que a mesma possui, permitiu que Lolita acompanhasse artistas do gênero gospel como Vanessa Bell Armstrong, Norman Hutchins, The Pace Sisters, Donald Lawrence, Amar Khalil of Tony e muitos mais em turnês por toda a América.

Em outubro de 2021, Lolita lançou seu mais recente trabalho, LOVED, um álbum que contém 13 faixas inspiradoras que mesclam os melhores anos da soul music, do blues, do gospel, do pop e R&B contemporâneo. As linhas de voz de Lolita são quentes, e transitam de forma suave entre os tons predominantemente mais graves até certos agudos enquanto é acompanhada por coros angelicais e backing vocals harmonizados com aquela atmosfera característica das igrejas negras norte-americanas. Todas essas nuances se misturam entre o clássico e o contemporâneo com batidas eletrônicas que remetem à beats do trap e podem ser presenciadas em “LOVED”, “God Is Love”, “Holy One”, “Right Now” e “Hold On” que têm suas maiores influências no R&B, assim como “Good News” que apresenta um dedilhado violão e remete certos trabalhos de Justin Timberlake no início da década dos anos 2000, e “Heaven”, uma composição enraizada no blues que mescla a música negra e linhas transcendentais de piano em um rito de passagem para à eternidade e paraíso.

A base do soul, funk e até mesmo da disco music com uma pitada de pop também se faz presente no trabalho. Com um groove incessante das linhas de baixo e guitarra funkeada, os backing vocals remetem à certas vozes de Roger Trout (que fez parte do Parliament-Funkadelic e do ZAPP, além de aparecer no remix de “California Love”, do astro do rap 2Pac ao lado do aclamado produtor Dr. Dre) na track “God Is Good” que é cheia de metais e que até lembra em certos momentos alguns refrões de meados dos anos 80, enquanto na sucessora “Do You Know The Man” a aura de grupos como Earth, Wind & Fire embalam o ouvinte numa composição dançante com foco nos metais e na linha de baixo que abusa do slap e abre espaço para que Lolita insira drives na sua voz, apimentando ainda mais o álbum. Em “The Blood”, o groove do baixo novamente cadencia e lidera toda a sonoridade em um R&B de refrão catchy e animado assim como em “Everything”, que possui uma guitarra dançante com um soft drive. “His Grace” e “Doesn’t Matter” apostam no blues e no dedilhado, acompanhados de mais corais angelicais junto de camadas de teclas e sintetizadores, respectivamente.

O álbum é recheado de excelentes músicas que além de super bem produzidas e tridimensionais abordam temas sobre o amor ao próximo, boas ações e uma vida de alegria, enquanto glorifica o amor incondicional de Deus e todos os atos de fé e redenção que transformam uma vida pecadora em salvação pela misericórdia divina, sem se prender sonoramente à característica de “música de igreja”. A música, acima de tudo não é caricata e vale o play imediato, independente de qual crença ou religião o ouvinte possua!

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Dezert Rocket, de Dez Rocket
Dez Rocket

Dezert Rocket é um artista que viveu a maior parte de sua carreira em Van Nuys, Califórnia.  Após praticamente 20 anos de estrada, passando por várias bandas, atuando e modelando, Dez (que tem aquela pinta good-looking rockstar norte-americano) retornou à St. Louis, Missouri, EUA, onde agora reside e trabalha como artista solo desde 2014. O músico era provavelmente mais conhecido como a persona por trás da voz e composições do Chongo Guru (banda alternativa de punk rock que esteve em atividade entre 1995-2002) baseada em Los Angeles e arredores, antes de seguir carreira solo.

Recentemente lançado, Dezert Rocket (2021) foi gravado e mixado no The Tunnel e Stonyvale Sound em Tujunga, Califórnia e masterizado em Hollywood na Bernie Grundman Mastering, e conta com dez faixas sujas e pesadas. Com fortíssima influência no rock alternativo, grunge e punk rock dos anos 90, o álbum todo soa heterogêneo, transitando entre seus principais gêneros nas músicas “Lose”, “Slide” e “Two Ton Name” (com certa influência sonora de escalas musicais que parecem ter vindo do oriente médio) e adicionando certas nuances de psicodelia e progressivo nas tracks “Middle”, “La La” (com um solo bacana de sintetizador), “Nice” (com linhas de teclas e órgão numa composição pesada com backing vocals animados), além de abrir espaço para um vocal com influências do hip-hop falado em “Next To Nice”, que possui uma atmosfera industrial e conta com linhas de saxofone interessantes.

Os singles “Shocktane” e “Fooled You” fizeram suas estreias com um videoclipe bem produzido e um lyric video com característica de filmagem amadora dos anos 90 (com imagem invertida e aspecto de VHS), em janeiro e março de 2021, respectivamente. “Shocktane” remete ao grunge de nomes como Nirvana e Soundgarden. Com um riff interessante, a track faz uma crítica à manipulação causada pelas grandes mídias, ao controle da mente e insanidade que entorpecem as pessoas num nível em que a sensibilidade é perdida e o desapego é influente. Batizada como Shocktane, a bebida utilizada no videoclipe apresenta um aspecto radioativo de cor esverdeada, e funciona como um objeto tridimensional que representa um conceito abstrato e controlador com um único objetivo: manipular o indivíduo. “Fooled You” começa com um riff voltado pro progressivo mas logo cai em um buraco de distorção e sonoridade agressiva que remete a certos trabalhos do Offspring, L7 e do Hole, assim como em “You Caught Me”, um punk-rock alternativo que tem solo de gaita e poderia integrar qualquer jogo da série Tony Hawk Pro Skater, fechando a trinca das três melhores faixas do trabalho.

Sonoramente, o disco é uma viagem aos anos 90 com pequena influência de gêneros que foram destaque principalmente entre os anos 70 e 80, fazendo que o trabalho seja difícil de rotular e proponha uma audição interessante aos ouvintes que apreciam os gêneros destacados.

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Seeds, de OWO
Owo

Tracee Atanda-Owo é uma artista de Maryland, EUA, com descendência nigeriana-americana que busca inserir em sua arte influências das suas raízes familiares da África numa espécie de R&B-eletrônico. Apesar de Owo ser um dos sobrenomes da artista, a palavra significa dinheiro em Iorubá (grupo étnico-linguístico da África Ocidental que corresponde à 21% da população da Nigéria – também referida como yorubá ou yoruba) o que acaba dando um significado adicional ao nome artístico.

Aos 18 anos, Owo mudou-se para Nova York para estudar na The New School (faculdade de artes liberais) e lá foi onde começou a gravar suas composições através do GarageBand, aplicativo da Apple que transforma o Mac ou o iOS em um estúdio de gravação completo, incluindo uma coleção de dezenas de instrumentos disponíveis. Misturando ritmos dançantes da África ao gênero R&B contemporâneo e à música eletrônica, a artista lançou em 2017 o EP Drums and Emotions, que incluía 6 faixas e abriu as portas para a cantora na indústria, tendo participado de apresentações do cantor nigeriano Burna Boy como atração de abertura.

Com a missão de empoderar pessoas, principalmente mulheres jovens, Owo se define como uma artista corajosa que segue alimentada pela ambição de continuar construindo um legado enraizado em temas de força, vulnerabilidade, amor, coragem e valentia, sem perder a influência cultural diversificada que possui. Em 2021, a artista lança seu álbum Seeds que segue a mesma linha de seus trabalhos antecessores numa mistura sonora interessante! O álbum contém oito faixas e embora possa ser difícil de rotular, traz uma atmosfera que talvez não soe tão familiar aos ouvidos estrangeiros, mas que com certeza os brasileiros se identificariam.

O R&B é praticamente o gênero central do trabalho que se mescla entre os beats eletrônicos e os instrumentos de percussão, adicionados à uma voz poderosa que gravita de forma suave entre agudos e graves, e que lembra (muito) o trabalho da talentosíssima cantora carioca IZA em todo o decorrer do disco, principalmente nas faixas “Searching”, “Wastin’ Time” (com participação do DJ e produtor Kashaka) e “Don’t Leave” (remetendo bastante à “Dona De Mim”) e “Fam” conta com a participação de Mannywells numa voz que parece ter nascido na música reggae, e que possui um refrão pegajoso assim como em “Think You Are” e “Home” que tem uma linha de metais que adicionam novas nuances sonoras à ambientação da track.

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Isolation, de Scott Swain (EP)
Scott Swain

Scott Swain é um cantor e compositor residente no sul de Londres que participou de bandas de rock durante longos anos. O artista tentou iniciar na carreira solo em 2017 com o EP Goodbye Home, Goodbye Country, conseguindo lançar o trabalho pela Resonating Wood Recordings somente em 2018 através de uma campanha de crowdfunding.

Scott lançou recentemente seu segundo EP, Isolation (2021), que foi produzido pelo lendário produtor Chris Coulter (Arcane Roots, Jamie Lenman, Reuben). Fortemente inspirado pelo cinema, cada uma de suas composições retrata uma obra que de certa forma acabou marcando as experiências de vida do músico. O timbre da voz de Scott é interessante e incomum, remetendo aos brasileiros Thedy Corrêa (Nenhum de Nós) e Bruno Gouveia (Biquini Cavadão) além de certos artistas do post-punk, gótico e do rock alternativo como Glenn Danzig e Josh Homme, misturados à uma espécie de Dave Gahan do synth-pop industrial do Depeche Mode, que parece ser uma das principais influências no rock pop alternativo de “Here’s To Going Forward”, composição que mescla linhas de guitarra distorcidas com piano numa melodia fúnebre. Por falar em fúnebre, “Look Out Ahead!” também tem um clima similar e remete à certas versões de músicas de Johnny Cash, o icônico homem de preto, numa track com influências do western-country com detalhes de gaita.

“Skeletons” é uma faixa com influência mariachi misturada ao punk e ao indie (numa aura meio Queens Of The Stone Age) utilizando trompetes e linhas de metais, assim como em “Victims”, que possuí solo de saxofone, influências do country com uma bateria marcante e um riff de guitarra de hard rock. “Like Nothing Else” soa como trilha sonora no momento de clímax e encerra o trabalho de forma interessante, funcionando como background de um possível filme do Tarantino com foco no deserto. Uma sonoridade diversificada e imperdível!

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Crazy Game, de Stephanie Rodriguez (EP)
Stephanie Rodriguez

Com sede em Londres, Reino Unido, Stephanie Rodriguez é uma cantora e compositora que une a emoção de um material significativo aos timbres vibrantes que mostram toda sua expressividade e potência vocal no seu EP de estreia, Crazy Game (2020).

“Fine With Me” possui um clima que remete aos trabalhos de Sade, com percussões e instrumental que mesclam o som de maracas à sintetizadores suaves. A voz aguda predomina na faixa enquanto o dedilhado de violões e teclas abrem espaço para que a artista se apresente de forma marcante já no primeiro ato. “I Ain’t Lookin’” é um blues gostoso e melancólico que tem uma progressão harmônica que remete ao clássico “Glory Box” (1994, do Portishead) que já serviu de sample para a faixa “Here” (2015), sucesso na voz da jovem Alessia Cara.

“Shine” continua no clima dos anos 90 numa faixa com cara de rádio FM, onde o timbre vocal da artista é versátil, alcançando agudos suaves de falsetes e voz de cabeça enquanto soma o poder sonoro da voz de peito capaz de preencher todo o ambiente, numa aura de música romântica a la Lisa Stansfield. “About Time” aposta no ritmo dançante das discotecas da virada do milênio e remete a hits da década como “The Rhythm of The Night” (Corona) ou “What Is Love” (Haddaway), ambas de 1993. “Follow My Destiny” mantém o clima dos anos noventa mas arrisca e aposta em referências da música latina (com violões dedilhados do flamenco e percussões) ao pop romântico de artistas como Whitney Houston ou Mariah Carey.

A artista estreia com estilo num EP nostálgico de muita qualidade.

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anhedonia, de fi (EP)

Sete anos de idade foi o marco de quando fi iniciou sua jornada na música e na composição influenciada pela música ao seu redor. A artista alternativa de Birmingham estudou teatro musical e descobriu então, que poderia se expressar numa profundidade muito maior, iniciando sua jornada na música.

Buscando trazer clareza à sua visão artística, fi mescla influências de uma ampla gama de artistas e bandas moldando sua música em um trabalho de arte único que bebe da fonte dos mais diversos gêneros musicais.

Anhedonia (PT: Anedonia – perda da satisfação e interesse em realizar atividades antes consideradas agradáveis) é um dos fatores que diagnostica o quadro de depressão além de ser o nome do último EP lançado por fi, em setembro de 2021, que possui 4 faixas que misturam o folk, o pop lo-fi e a música eletrônica ao experimental e alternativo num trabalho diferente, sendo difícil encontrar artistas semelhantes que sirvam de referência ou comparação sonora.

“Under Your Skin” mistura uma atmosfera de certa forma fúnebre ou gótica com piano e portas rangendo aos sintetizadores que servem de background para duas linhas de vozes distintas: uma bem aguda e suave, e a outra bem grave, como se utilizasse um efeito sonoro oitavado. “Spinning the World” começa com um violão acústico e uma voz tranquila, passando por backing vocals etéreos e harmonizações aos efeitos que remetem ao gênero industrial. “Mind” se aproveita de timbres obscuros, numa faixa lenta sobre transformação que traz à memória o espectro de Lana Del Rey enquanto “Worthless” apresenta a suavidade da música indie-folk alternativa junto ao gênero lo-fi, fechando o trabalho (que tem pouco mais de quinze minutos) de forma interessante e melancólica. Diferente e único são duas palavras que melhor definem a obra!

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Live From A Dark Room, de Prince Of Sweden (EP)

James Michael Phippen, conhecido também como Prince of Sweden (talvez um sósia, não o verdadeiro Príncipe da Suécia) é um cantor e compositor do sul de Londres que foi criado no campo e aprendeu a tocar violão com um fazendeiro que morava em frente sua casa. Ambos costumavam vender árvores de Natal juntos, e depois se reuniam para tocar.

O músico e compositor escreve canções profundamente pessoais, cruas, com clima soturno e que soam atemporais, perfeitas para serem tocadas em salas escuras. É daí que veio a ideia de Live From a Dark Room (2021), EP de quatro faixas com uma sonoridade peculiar onde a voz mostra o caminho acompanhada pelos timbres suaves “quase acústicos” de guitarra (com pouquíssimos drives e quantidade razoável de reverbs) influenciadas pelo folk e pela música americana.

Se por um lado as composições soam como poemas encobertados de uma alma solitária e de coração partido, a influência de Bob Dylan como contador de histórias vive de forma intrínseca nas faixas “If You Speak to Her, Tell Her Thanks For Me”, “Bury Me Not On The Lone Prairie”, “Henrietta On My Mind” e “As Good Place as Any”. O timbre de voz é profundo e predominantemente grave, variando entre nuances de Leonard Cohen, Ian McCulloch (vocalista do Echo & The Bunnymen) e os contemporâneos Harry McVeigh (White Lies) e até mesmo Hozier nas baladas de cadência lenta.

Live From A Dark Room é um trabalho que fala por si só e deve ser apreciado pelo seu minimalismo solitário.

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Help Yourself, de April Gallo (Single)

April Gallo é uma jovem cantora e compositora da Austrália que teve seu primeiro contato com a música ainda muito jovem. Podendo estudar e explorar diferentes vertentes musicais desde muito cedo, April pôde construir seu caminho como performer e artista, nutrindo um desejo interior de que sua voz e suas canções fossem escutadas, tocando a alma de cada ouvinte no processo. Diretamente das ruas de Brunswick, o trabalho da cantora tentar capturar e traduzir, de uma forma humanizada, todas as complicações que surgem por conta da luta entre a razão e o sentimentalismo que decorrem das experiências amorosas que cada indivíduo um dia possa vir a provar.

Tendo vivido num ambiente musical (sendo influenciada por gêneros como o blues, o jazz, o soul e o R&B), a carreira da artista começou dentro da própria sala de estar de seus familiares, e após o passar dos anos ainda mantém uma visão muito clara e objetiva de como compartilhar toda a comoção que sua voz transmite junto à sua paixão pela música. Suas letras buscam fornecer um sentimento de esperança, de luz no fim do túnel, à cada uma das mulheres que desejam transformar sua dor em um sentimento poderoso.

Em 2021, a artista lançou o single “Help Yourself”, uma balada R&B com influências jazzísticas perfeita para escutar numa tarde nublada e chuvosa. A atmosfera dolorida complementa uma letra emotiva numa track suave que se inicia com um riff de introdução de guitarra com dedilhados e timbre limpo e que facilmente poderia ser parte da tracklist de álbuns da Adele, como 21 (2011) e 25 (2015). O grave timbre do baixo é caloroso, destacando a melodia das linhas vocais enquanto as teclas de piano preenchem todo o ambiente.

A influência de artistas do R&B e pop contemporâneo como Alicia Keys (das icônicas “Fallin’”, 2001 e “If I Ain’t Got You”, 2003) se mistura às nuances do jazz contemporâneo de Amy Winehouse, que certamente é uma das maiores influências vocais de April, e que se torna nítida quando a artista repete os trechos “don’t run away” e “I’m gonna stay”, que intercalam vibratos aos finais dos versos entre palavras que tomam uma certa característica arrastada, de certa embriaguez, assim como a lenda britânica nascida em Enfield, no Reino Unido costumava fazer nos clássicos contemporâneos “Love Is a Losing Game” e “Back To Black”. April Gallo é dona de uma voz singular, hipnotizante, que brilha ainda mais num trabalho refinado e de bom gosto. Uma voz de uma estrela em ascensão, promissora, que pode se tornar uma das mais valiosas num futuro próximo…

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You Can Do (What U Wanna Do), de Dizzy Panda (Single)

“Você pode ter nos escutado antes, você pode ter nos visto antes. Ou não”: assim começa a breve descrição do Dizzy Panda no seu perfil oficial do Spotify. O duo de produtores holandeses é de certa forma misterioso e um pouco satírico, e se apodera da persona de um homem panda que dificulta qualquer identificação social de seus integrantes, mais ou menos da mesma forma que artistas como Sia ou os DJs e produtores Daft Punk, Marshmello e Deadmau5 costumam fazer.

A dupla, que não se limita a somente um gênero musical, busca misturar suas influências sonoras junto a certa psicodelia, jazz, disco, soul, R&B e música eletrônica com característica vintage, e brinca que assim como todos os seus semelhantes de espécie “eles têm um lado brilhante e outro escuro”.

No começo de outubro de 2021, o duo holandês uniu forças com a banda norueguesa Yogishine na colaboração do single “You Can Do (What U Wanna Do)”. Com atmosfera que mescla o R&B e o hip-hop da voz de Ms. Lauryn Hill (“Doo Wop (That Thing)” e “Forgive Them Father”, de 1998) ao pop-jazz-contemporâneo de Lily Allen (“Smile”, 2006) o duo dá vida à track que tem uma ambientação relaxada porém dançante, mantendo um fluxo de movimento por parte do receptor, que tenderá a continuar balançando os pés ou a cabeça onde quer que esteja durante toda a extensão da música. Numa sonoridade despretensiosa, o groove do baixo mantém o ritmo enquanto o piano flerta com o jazz e transporta o ouvinte à um ambiente de clube noturno dos anos 90 numa faixa que mescla um momento de flerte à liberdade de fazer o que quiser com um possível love affair. A faixa sonoramente remete também ao álbum Bush (2015), do Snoop Dogg, numa mistura muito peculiar e intrigante que você não pode deixar passar despercebida!

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When You Fall In, de Rachel Lynn (Single)

Rachel Lynn é uma cantora e compositora de Nova York, que tem como influência o pop dos anos 90, o R&B e a soul music da era Motown. Vocalista treinada de forma clássica, seu talento floresce numa voz lírica poderosa e versátil com uma grande extensão vocal e controle da voz em nível profissional. Estabelecendo-se como uma artista honesta e apaixonada, Lynn se posiciona e se firma com seriedade no mundo da música moderna.

Em 2014, a artista lançou o EP To Street & Transfer, trabalho que lhe rendeu muitos elogios em diversas publicações como o Huffington Post, PopMatters e Baeble Music. O debut fez sucesso à nível nacional na América do Norte, recebendo apoio da mídia especializada, rádios, além de várias licenças de sincronização com as principais redes de entretenimento como a Netflix, os canais A&E, Discovery, E!, entre outros.

Inserida em ações sociais, a artista utilizou toda a arrecadação de seu single “Seeing Red” para ajudar a Mercy For Animals, organização que visa defender os direitos dos animais. O trabalho de divulgação do EP WARMER (2020) começou ainda em 2019, obtendo suporte exclusivo na The Women’s International Music Network, Substream Magazine e Parade.com. O single “She Tried to Drown Me” alcançou números expressivos, acumulando mais de 150 mil streams, alcançando mais de 70 mil streams apenas em sua primeira semana. Em um esforço para lutar contra sistemas opressivos ditados e mantidos pela supremacia branca, metade das vendas do EP foram doadas para The Audre Lorde Project, uma organização com sede em Nova York que fornece recursos para a comunidade Black Trans.

Em 2021, a cantora continuou suas atividades na indústria e lançou “When You Fall In” como single, uma track que mescla o neo-soul ao R&B contemporâneo numa balada serena com nuances do soft pop. Os graves das linhas de baixo seguram a canção do começo ao fim acompanhadas de um piano suave e linhas de guitarras amenas que abrem espaço para uma voz que floreia entre os tons médios aos mais agudos e abusa dos vibratos mostrando a que veio, enquanto entoa uma melodia acessível e de bom gosto numa canção sobre o amor e o momento em que você se apaixona. Uma artista completa, com anos de estrada e que se mantém relevante e engajada com a indústria e seus ouvintes durante todo esse período em atividade. Difícil não virar fã!

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Picture, de Yoücef (Single)

Yoücef é um artista radicado na França, ex-membro do grupo pop folk 11h Jeanne. O performer se lançou em carreira solo no mês de setembro de 2021 com o single “Picture”, que vai em direção oposta de seus trabalhos anteriores e mergulha de cabeça no mundo do pop disco com sonoridade enérgica e dançante.

O artista descreve através do projeto Disco Gossip Suicidal suas emoções, transcrevendo diferentes ângulos de sua luta contra doenças mentais, já que foi diagnosticado com transtorno bipolar, iniciando sua composição enquanto ainda estava no leito do hospital.

“Picture” é dançante, tem o clima de hit de discoteca e busca transitar entre clássicos das pistas como “Vogue” (1990) da Madonna e a disco music funkeada do final dos anos setenta. Sonoramente, as influências se misturam e vão além do comum do gênero. Os timbres dos sintetizadores remetem à “You Spin Me Round (Like a Record)” (1985) do Dead Or Alive enquanto a voz robotizada manda lembranças ao duo francês Daft Punk, mesclados à um vocal despretensioso como o de David Byrne no clássico post-punk / new wave “Psycho Killer” (1977) do Talking Heads. A faixa também tem uma aura “little monster desajustada” como se fosse uma versão masculinizada, porém não tão impactante de “Replay” + “Babylon”, irmãs de Chromatica (2020) da estrela pop Lady Gaga.

Já no single de estreia, Yoücef surpreende os ouvintes mais atentos, despertando curiosidade pelo que está por vir no futuro musical do artista.

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