MUST LISTEN: +10 artistas para ouvir em novembro

Tem mais indicação na área pra iniciar o penúltimo mês do ano com sons novos e fresquinhos pra ouvir!

Para começar novembro com o pé direito selecionamos 13 trabalhos que merecem sua atenção neste início de mês. Da Europa à África, a nova edição do MUST LISTEN traz novamente diversos tipos de som para os mais variados gostos!

Aumenta o volume, solta o play e não deixe de conferir a playlist no fim do post, tá?

Recovery, de Natalie Nicole Gilbert

Natalie Nicole Gilbert é uma influente e multipremiada artista norte-americana, que possui em sua discografia mais de 13 álbuns solo além de 17 singles adicionais. Residente desde 2005 em Los Angeles, Califórnia, Natalie vem de um berço musical, tendo referências no piano por conta de sua mãe (que inclusive tocou com Liberace – ícone do instrumento de teclas e do glamour nos Estados Unidos), uma irmã que sempre apreciou músicas românticas e um irmão que faz parte de uma banda de rock.

Toda essa experiência musical abriu portas para que as influências do jazz e do soul se misturassem ao pop, e criassem uma bagagem sonora enraizada no DNA da artista, além de uma carreira em paralelo de mais de dez anos como apresentadora de rádio e dublagem (fazendo a voz de comerciais para empresas como a gigante dos fast-foods McDonald’s, a Cadillac, e outras marcas internacionais), como jornalista, e também compositora para o cinema e TV (em nomes de peso como Law & Order e The Office), integrando também parte do comitê de votação do Grammy.

Em 2021, a cantora lançou o álbum Don’t Blink e agora retorna com Recovery, seu mais novo trabalho de estúdio que conta com 12 faixas que mesclam bem suas influências musicais em uma sonoridade predominantemente calma, tranquila e agradável e que serve como trilha sonora de recuperação após os tempos complicados em que temos vivido.

Das músicas que compõem o disco, quatro delas são autorais: “Say Anything”, “Postcard”, “Victory Is Never Free” e “Light Inside” que remetem às vozes pop de nomes como Natalie Imbruglia, Dido, Christina Aguilera e até mesmo algumas nuances do canto lírico de Celine Dion. As demais faixas são versões de composições variadas de artistas populares: o R&B da balada “All We Do” (Oh Wonder), “On Your Feet Again” (Tonic), “Only Hope” (de Mandy Moore, que soa como uma faixa pertencente a trilha sonora de animações da Disney, com foco nos agudos), “Faith” (clássico de George Michael acompanhado por voz e o som acústico do violão numa excelente versão), “Vanishing” (de Mariah Carey, mas que lembra certos vibratos de Shakira), “Say You’ll Be There” (da sensação pop dos anos 90, Spice Girls), “Fix You” (Coldplay) e “Lullabye” (Goodnight, My Angel) de Billy Joel.  

O álbum transita entre baladas pop e R&B, com toques jazzísticos, utilizando principalmente a sonoridade de teclados e piano acompanhando as linhas de voz sem se prender somente à um único gênero. Natalie é talentosa e possui muita bagagem e experiência, e aparenta a estar mais disposta do que nunca a compartilhar o seu trabalho com o mundo.

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Ursus Maritimus, de Emerge Restless
Emerge Restless | Spotify - Listen Free

Emerge Restless é uma banda de post hardcore formada em Virginia Beach, Virginia, EUA pelos ex-membros do In Cynthia’s Diary Eley (vocal), Chris Coykendall (guitarra/baixo/vocal) e Rich Potts (guitarra/baixo/vocal). Após um longo hiato, o grupo trouxe o amigo de longa data Vincent Kondas (bateria) para completar o time.

O quarteto estadunidense é feroz. Em seu disco de estreia, Ursus Maritimus, eles exploram influências de grandes nomes como Deftones e até mesmo Fugazi e Alexisonfire. A introdução “Bethel, Believe” como se o Killswitch Engage estivesse de volta em sua melhor forma. Um dos pontos alto do trabalho, já presente na intro, são os elementos harmoniosos característicos do post hardcore em conjunto à composições líricas muito interessantes.

Venom” e “Citrate” possuem grandes riffs e se agigantam por também explorarem abordagens que hoje são ovacionadas no stoner rock. Grande progressão de harmonias. O trabalho de percussão de Vincent também merece destaque. Os refrões de ambas as tracks são perfeitos para os shows ao vivo.

Adson Test” experimenta um pouco mais de melodias relembrando os trabalhos iniciais de Incubus e até mesmo alguns nomes do grunge de Seattle. A sequência “Lake On Fifth” e “IOS Mink” entregam o melhor dos subgêneros alternativos do metal, com instrumentais memoráveis e muito bem produzidos. Aqui, o Emerge Restless ganha espaço quando mergulha de cabeça nos oceanos do post hardcore do início dos anos 2000.

Ainda assim, eles ainda abrem espaço para mais uma vez soarem como grandes nomes do rock e metal alt do fim dos anos 90 no encerramento redondinho “Truant Caller“, um dos grandes pontos do disco.

O balanço final do disco de estreia dos norte-americanos é coeso, robusto e muito agradável ao público apaixonado não só pelo post hardcore, mas também pelo sentimentalismo oferecido na ferocidade e constância do metal melódico. Eles parecem estar mais do que prontos para oferecem muito mais do que apenas canções comerciais: há intrínseco neste projeto uma vontade de se dizer algo. E se essa for a premissa, as chances deles te conquistarem é bem alta.

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Cocoon, de Tigermask

A vida pode se mostrar dura e injusta para muitos, e isso tem ocasionado inúmeros casos de problemas relacionados à saúde mental, solidão, um vácuo de autoestima, pensamentos infundados e de certa forma irracionais, questionamentos sobre sua própria existência e relações sociais voláteis ou inexistentes. É em meio a esse caos de escuridão profunda que surge Tigermask (também conhecido e abreviado como TK), um artista solo independente que reside no Reino Unido e que tem uma dura história de luta e renascimento.

Após anos lidando com problemas de saúde, o músico, compositor e produtor musical autodidata encontrou nas suas próprias palavras a força necessária para retomar o controle de sua própria existência. Com uma obra que se iniciou no debut Ovum (2015) de forma muito íntima, Tigermask apresenta como o declínio em direção à solidão tomou conta de sua vida durante pelo menos dez anos. Em seu projeto seguinte, Cocoon (2021) aborda de uma maneira mais “cinematográfica” o tempo em que o compositor passou vagando entre a verdade e a ficção dos pensamentos de sua mente solitária.

Com influências líricas da música folk e da psicodelia de nomes como Beach Boys e The Animals misturadas à uma jornada sonora com fortes influências do Spaghetti Western de Sergio Leone, as faixas “Into The Woods / Cocoon”, “Rear Window” e “Mirtazapine” utilizam dedilhados de violão, solos de gaita e de guitarra, e linhas rítmicas que sugerem uma longa viagem, dias ou até meses em que o músico luta contra sua doença e sua própria existência. O eu-lírico geralmente se posiciona e conta uma história através de versos e estrofes que se assemelham a poesias cruas, que mesclam espirais profundas de medo e incompreensão e ritos de passagens transcendentais nas tracks “Mother”, “The Spider”, “The Ballad of a Blind Man” e “Doppel” (que possui uma melodia vocal repetitiva e hipnótica que lembra muito cânticos e hinos espirituais). Tigermask utiliza também sintetizadores para criar ambientes alternativos com uma característica aesthetic em “Fever”, além das linhas de cítara que remetem à tradicional música do oriente médio e diferencia a faixa das demais, enquanto “Seize The Void” foca no instrumental sonoro de uma viagem espacial e descobrimento do desconhecido.

O projeto conceitual dividido em três partes apresenta Cocoon (tradução em PT para Casulo) e reflete a segunda fração da batalha que se tornou a jornada do artista de voz suave e emotiva. O trabalho serve como inspiração e início de cura tanto para o artista quanto para aqueles que podem se identificar com o sofrimento de ter que conviver um longo período enfermo, sem romantizar os perigos da doença ou sem priorizar possíveis tratamentos e ajuda de terceiros. Enquanto o trecho final dessa história ainda não foi lançado, você pode ouvir o trabalho de Tigermask no Spotify e segui-lo nas redes sociais para não perder nenhuma novidade do artista.

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Roboganic, de The Blemish

The Blemish é um duo composto pelos produtores, cantores e compositores Bo Haan e Emin Karimi (conhecido também como Sheikh Beats). Suas músicas geralmente abordam temas do cotidiano, sejam confidências sobre o amor ou celebração à vida, sempre com influências sonoras dos maiores nomes da indústria musical.

O debut Roboganic (2021) revela uma estética sonora reconhecível aos ouvidos da grande massa, mas ainda assim, é fresco e empolgante. O álbum contém 10 faixas excelentemente bem produzidas, que diversificam e transitam entre gêneros distintos agradando facilmente já em sua primeira audição, misturando perfeitamente o digital e artificial da música eletrônica ao orgânico do funk, disco e soul, numa espécie de eletropop dançante e pegajoso que gruda nos tímpanos e embala até a mais enrijecida das criaturas vivas.

As raízes musicais estão escancaradas em cada uma das tracks. “Serial Jane”, “California” e “Say Hi” misturam os acordes jazzísticos de Prince (dos hits I Wanna Be Your Lover, 1979 e Kiss, 1986) ao balanço do soul característico por linhas de baixo matadoras e brilhantes que abusam dos slap a la Larry Graham (Sly & The Family Stone), acompanhadas por trompetes (muito utilizado no final dos anos 70 por bandas como Commodores e Kool & The Gang), vocal com talking box (na mesma atmosfera de Roger Troutman, do ZAPP) e das teclas que claramente trazem o synth-pop dos anos 80 de volta à vida.

O R&B também predomina em faixas groovadas como “Say Yes”, “I’m Out” e “Summer Flirt” que remetem aos hits de artistas contemporâneos como DNCE (Body Moves, Toothbrush, 2016), Justin Timberlake (Can’t Stop The Feeling!, 2016) e Olly Murs (Moves, 2018), enquanto “Headline” flerta mais com o pop-eletrônico de nomes como Nick Jonas em “Jealous” e EMIN em “Boomerang” (ambas de 2015). “Bucket List” se mantém no R&B, mas se difere das demais por utilizar beats do trap dando suporte à uma letra falada que se põe entre o hip-hop e o rap.

“Otherman” e “Hailey” flertam com o eletrônico e exploram a sonoridade robótica da voz de clássicos do Daft Punk (em Give Life Back To Music – que inclui participação de Nile Rodgers – 2013). E por falar no hitmaker (líder da banda Chic e dono de sucessos como “Freak Out”, “Let’s Dance”, “Like a Virgin” e “Get Lucky”), Bo Haan e Sheikh Beats se apropriam da forma de tocar do músico e do som inconfundível e característico de suas guitarras funkeadas, transportando o DNA do compositor de forma excepcional por toda a extensão do álbum.

Roboganic atesta o talento do duo e figura entre uma das mais emblemáticas estreias do novo milênio, em um projeto que percorre o underground enquanto facilmente poderia integrar a lista de vencedores do Grammy, ou até mesmo sustentar o título de um dos melhores álbuns da década!

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Vault 92, de Frantic Endeavor

Diretamente de Massachusetts, EUA, Frantic Endeavor é uma banda de rock progressivo. Seus seis integrantes possuem influências distintas que vão de Rush à Paramore, e unem suas preferências musicais na criação de um som e estilo único. Suas composições com foco no virtuosismo são balanceadas entre poesias e timbres cativantes, abordando temas existenciais e inspiradores.

O debut Vault 92, no entanto, explora a rebeldia e o caos de grandes nomes do início dos anos 2000, priorizando muito mais o rock alternativo e o pop punk, ainda que em alguns momentos demonstre os característicos elementos do metal e rock progressivo. Neste primeiro trabalho é possível identificar os timbres únicos e harmonias melodiosas do talentosíssimo grupo.

Made Up” dá o start no trabalho que soa em alguns momentos como uma mistura homogênea e mais complexa entre The Pretty Reckless e Paramore em seus primeiros discos. “Take a Risk” explora progressões rítmicas nas guitarras diretamente originadas do rock progressivo, mas os refrões são comercialmente palatáveis às gerações mais recentes.

Let’s Dance“, um dos destaques do trabalho, conta com violinos extraordinários no background, que formam a cama confortável para a banda brilhar em seus momentos de melhor performance técnica. “Broken Record” segue a mesma abordagem, mas agora com andamentos que parecem ter saído diretamente de trabalhos menos melancólicos de Evanescence e Killswitch Engage, assim como “Storm“.

My Healing” também é destaque por conta de seu instrumental e da grande performance vocal, mas o ponto mais alto do disco fica com “Wild Side“, uma faixa cheia de groove e balanço mas que não perde identidade. Essa é uma das maiores armas do grupo, inclusive: ser original. O final da track lembra momentos de Deep Purple em meados dos anos 70.

É claro que ao ouvir Vault 92 é possível identificar referências e inspirações, mas o maior trunfo do Frantic Endeavor é explorar com inteligência e maestria as diversas inspirações e referências de todos os seus membros. Isso tudo fica evidente no encerramento deste ótimo debut, “Empire“, que mostra todo o talento da banda como um coletivo. Não se surpreenda se ver em breve o grupo nos lineups dos maiores festivais de rock e metal do planeta.

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Songs from the Top Shelf of My Heart, de Chintzy Stetson (EP)
Chintzy Stetson Tickets | £8.80 | 21 Sep 2021 @ Sebright Arms, London | DICE

Karl Schussig, mais conhecido como Chintzy Stetson, não é um artista comum. Ainda que não se defina como romântico assíduo, é claro em seus trabalhos que o músico possui uma preferência por composições que expressem o sentimentalismo inerente presente em suas entranhas.

Conceitual, seu novo EP, Songs from the Top Shelf of My Heart, com quatro faixas, parece explorar a melancolia e o falso otimismo das relações interpessoais modernas em canções que exploram influências e referências folk pop e do rock alternativo.

A introdução do trabalho, “Falling In“, por exemplo, poderia facilmente ser assinada por Jake Bugg ou Wallows. A canção, que parece ser linear, possui variações interessantes em sua progressão rítmica, o que abre espaço para instrumentos metais terem destaque junto ao piano de background.

Fair Share” já parte para o groove da música indie e alternativa com lapsos da soul music dos anos 70. Excelente linha de baixo. “Do You Even Die Bro” soa quase como uma homenagem a Foster the People. Inclusive, não surpreenderia esta canção contar com a participação de Mark Foster, por exemplo. Mais uma grande canção.

O encerramento “Red Ferrari” é brilhante. Mais uma vez a linha de baixo possui destaque e dita o arranjo da canção. Refrão gigantesco a la Kevin Parker e Tame Impala com um timbre um pouco mais agudo. Os versos falados podem trazer a tona algum tipo de influência de Chintzy do britpop, como Blur ou até mesmo Gorillaz, ambas assinadas por Damon Albarn.

O produto entregue por Chintzy Stetson neste novo EP, além de muito bem produzido, é extremamente interessante. Aqui, o músico expressa seu sentimento com muita versatilidade e falso otimismo em sonoridades que por mais que pareçam melancólicas em algum momento parecem retomar a esperança. Por mais que Stetson pareça estar com o coração quebrado por algum motivo, este trabalho mostra que o músico possui muito potencial na indústria. E seu diferencial é justamente esse: conseguir se expressar de forma única sobre aquilo que acontece ao seu redor. Ouça!

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Juice and Gin, de Wrash Heed (EP)
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Rasheed Osanyinpeju é um cantor e compositor de afro-pop. O talentoso artista vem de Lagos, na Nigéria, e utiliza como nome artístico WRASH HEED, um trocadilho sutil a Rasheed.

O compositor acaba de lançar seu novo EP, Juice and Gin, que entrega com perfeição as maiores características da música africana em conjunto ao pop mainstream de países como Estados Unidos e Inglaterra.

A intro “All In” é leve, sensual e muito agradável como a brisa veraneia que antecede a tempestade. “Pepe“, um dos destaques do trabalho, é imersa no afropop e chega até lembrar alguns trabalhos de Akon, mas se transforma em um grande hit groovy que poderia estar sendo reproduzida nas maiores rádios do planeta. Ótima faixa.

Credibility” segue o mesmo approach, mas conta com versos um pouco mais rimados que remetem a nomes como Bas e Aminé. “Jenbe” parte para uma vertente mais chill e reggae, com grandes influências do jamaicano Shaggy.

Location” e “Problem” encerram o trabalho com um clima descontraído e descompromissado, feito para as multidões apaixonadas pela vida. Podem funcionar como a trilha sonora perfeita para viagens com amigos ou momentos com a pessoa amada.

No final das contas, Juice and Gin é extremamente produzido e entrega esperança no futuro com sonoridades animadoras e cheias de energia que fazem com que o ouvinte queira dançar instantaneamente. Ainda que Wrash Heed possua a maior parte de sua base de fãs em seu país de origem, não se surpreenda se em breve você encontrá-lo estampando as maiores capas de playlists de afropop no Spotify, independente da onde sejam criadas.

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Juniper, de Jackie Marchal (EP)
Jackie Marchal

Jackie Marchal é uma compositora, guitarrista e cantora de Nova Iorque. Estudante da Columbia University, a paixão da artista pelo violino ainda muito jovem a levou a produzir e gravar suas próprias canções ainda na adolescência, mesmo que de forma low budget dentro do próprio quarto.

A multifacetada artista é apaixonada por compositores e cantores da soul music dos anos 60 e do som indie e alternativo moderno. Seu trabalho aborda temas que vão desde família e raízes até o clima dos lugares onde o eu-lírico aparenta estar. O trabalho de Jackie é profundo e convida o ouvinte a embarcar nas viagens da mente da estadunidense, que reflete frequentemente sobre o amor, a esperança e a migração para lugares longe de sua zona de conforto. Agora, em 2021, a norte-americana lança o EP de estreia da carreira, Juniper, com três faixas muito interessantes.

Open Wide” abre os trabalhos com uma sonoridade imersa no soul e blues novaiorquino dos anos setenta, mas se transforma em uma bela canção neo soul e R&B moderna a la Alabama Shakes e Young the Giant. Um espetáculo de canção. Grande trabalho de voz e metais.

Mother” explora um pouco mais a atmosfera melancólica em uma canção confessional e íntima, mas explode após sua introdução com uma sonoridade cheia de balanço e pianos de background. Não se surpreenda se assim que der o play você lembrar diretamente de Florence Welch. Outra grande track.

O EP se encerra com a charmosa e bonita “Rhubarb Fields“, que soa como uma despedida, deixando aquele gostinho de “quero mais” no ouvinte. Faixa ainda conta com violões acústicos que enriquecem a canção como um todo.

Juniper é apenas o primeiro EP da carreira de Jackie Marchal, mas definitivamente entrega um resultado gigantesco. Produção impecável, canções muito palatáveis a diversos tipos de público e bem performadas. Se a estadunidense ainda tinha alguma dúvida que nasceu para se expressar através da arte, agora parece não ter mais. O trabalho é sólido, robusto e introduz Jackie à indústria como uma grande promessa da música alternativa moderna. Vale o play.

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Under the Circumstances, de The Routine (EP)
The Routine – “Under the circumstances” – Less Than 1,000 Followers

The Routine apareceu para a indústria no fim de 2019 com faixas imersas no punk rock e o post grunge. Um dos destaques do quarteto, inclusive, é justamente o conjunto harmônico de melodias e guitarras barulhentas que entregam o sentimento furioso de querer se expressar algo além de apenas canções.

A variedade nos estilos se tornou marca registrada da banda, formada por Liam Palmer (vocal e guitarra base), Ben Taylor (guitarra solo), Ben Nunn (baixo) e Mark Thomson (bateria). Com uma já vasta carreira, os membros também fizeram parte de grandes nomes do Reino Unido como The Royals U.K. e The Abstracts.

Original de Cambridge, na Inglaterra, o quarteto abre o primeiro EP da carreira, Under the Circunstamces, com o single estrondoso “Too Many Times“, uma faixa que lembra perfeitamente os maiores nomes do arena rock dos anos 2000. Em vários momentos você lembrará de Foo Fighters em One By One, de algumas canções de The Black Keys e até mesmo trabalhos mais softs de Three Days Grace e Five Finger Death Punch.

A sequência “Do It For You“, canção charmosa a la Lenny Kravitz mas com influências próximas ao folk, e “Come Knocking At My Bedroom Door“, track que quase soa como uma homenagem a grandes trabalhos de Goo Goo Dolls e Three Doors Down, mergulham de vez no rock mainstream do início do século.

Mostrando versatilidade, “Rest“, um dos singles do grupo, aposta no pop rock que popularizou nomes como Queens of the Stone Age, Black Label Society e The Winery Dogs. No entanto, The Routine parece criar canções que também sejam parte de suas maiores referências e inspirações. O quarteto, que tem como característica principal ser uma ótima banda ao vivo, se prepara para performar as canções de seu EP por todo o Reino Unido.

Eles foram finalistas do Cambridge Band Competition e agora parecem escolher o próprio rumo na indústria: entregar versatilidade para o público apaixonado pelo rock de arena da Europa. No entanto, não se surpreenda se você ouvir falar sobre a banda nos próximos meses fora da Inglattera, já que é fato que seu som é palatável para públicos de diversas partes do mundo. E eles estão preparados para buscarem por mais.

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Cucumber, de Sammy Haig (EP)

Diretamente de Cleveland, Ohio, Sammy Haig é um talentoso trompetista, produtor e compositor norte-americano. Formado na IU Jacobs School of Music, o músico atualmente residente em Nova York e já dividiu palcos com lendas e talentos como Bootsy Collins, James Morrison e Wayne Bergeron.

Cucumber (2021), seu EP de estreia, é um projeto que exala paixão e conta com seis canções com videoclipes originais além da participação de mais de 70 colaboradores virtuais (dentre eles músicos, produtores e mentes criativas) ao longo do período de reclusão forçado pela pandemia causada pela Covid-19.

Com referências sonoras enraizadas no jazz, no R&B e no soul estadunidense, “Dreaming Of” conta com performance vocal de Jared Griffin numa faixa com cara de futuro clássico neo-soul, na melhor pegada Stevie Wonder em “Signed, Sealed, Delivered, I’m Yours” (1970). Já em “Will I See You Tomorrow?”, o compositor aposta numa sonoridade mais tranquila, focando principalmente nos timbres mais amenos de violões, piano e dos metais, que elevam a voz suave e aguda de Sarah Katherine Lawless, numa track jazzística e romântica. “Cucumber”, aposta na sonoridade instrumental e no virtuosismo das guitarras e do trompete e conta com um clipe curioso, com um certo humor peculiar, onde o pepino (cucumber em inglês) toma o primeiro plano como protagonista ao lado de Sammy. “Doesn’t Feel Like Summer” mistura a realidade e o stop-motion no clipe de uma canção não tão agitada, mas que conta com melodias e arranjos peculiares das linhas de metais (que lembram algumas coisas de Kenny G), além da voz de Sammy mesclada à um efeito robótico similar ao vocoder e vocal-synths muito utilizados pelo duo francês Daft Punk em tracks como “Around The World” (Homework, 1997), “Something About Us” e “Harder, Better, Faster, Stronger” (ambas do Discovery, de 2001).

Dasher II” retoma o instrumental enérgico que mistura o suingue do funk e soul das guitarras de bandas como Earth, Wind & Fire e Chic à trabalhos de novos nomes influentes do jazz de New Orleans, como o talentosíssimo Trombone Shorty, num videoclipe futurista animado numa viagem espacial interplanetária. Assim como a track anterior, “Basement Famous” é um instrumental com foco no piano e no trompete e tem uma linha melódica que remete imediatamente ao clássico contemporâneo “We Are The World” (projeto USA For Africa que contou com mais de 40 nomes da música mundial, incluindo Michael Jackson, Ray Charles e Lionel Richie).

Sammy Haig é jovem e surpreende em seu debut pelo talento em um trabalho dedicado, o projeto que pode ser o primeiro de um dos futuros grandes nomes do jazz contemporâneo.

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SQ1, de Molly Green (EP)

Molly Green é uma artista que começou sua carreira ainda muito jovem, influenciada pelo jazz e pelo R&B. A cantora já participou de diversos eventos e festivais de música como Glastonbury Music Festival, Boomtown Festival, Liverpool Sound City, fazendo apresentações em locais de referência como Colston Hall de Bristol e o lendário Cavern Club, em Liverpool, local onde Green chegou a esgotar dois shows e casa dos icônicos Beatles.

Molly acredita que a música é uma força poderosa que traduz sentimentos, momentos e estados de espírito e que sua missão é transmitir a mensagem aos ouvidos do público. A artista lançou o mais recente trabalho, SQ1 (2021), um EP de cinco músicas que mescla bem os elementos do jazz, do R&B, do rock e até mesmo do samba.

Em “Sunrise Samba”, a cantora inicia num sambinha jazzístico perfeito para final de tarde de verão com direito a seção de instrumentos de sopro orquestrais que passeiam entre as raízes musicais da artista enquanto flerta com a música brasileira e com a bossa nova, considerada por muitos como o jazz brasileiro. “Hand Ony My Body” é uma balada de cadência mais lenta com uma atmosfera sexy e um solo de guitarra que lembra o timbre inconfundível de John Mayer em Continuum (2006).

Dusky Haze” é mais bluesy, e utiliza a sonoridade interessante das teclas, dos metais e de guitarra para criar uma faixa diferente e envolvente, assim como nas seguintes “Million Dollar Baby” que busca no rock, no soul e no blues da levada de baixo clássica junto ao piano o destaque entre as demais faixas, remetendo a certas tracks de Joss Stone e Caro Emerald, e “Square One” que é catchy e convidativa e facilmente poderia ter integrado o setlist de trabalhos como I Told You I Was Trouble: Live In London (2007) de Amy Winehouse. A voz é suave e tem um timbre metálico quando sobe aos tons mais agudos, mas não decepciona nas regiões médias e graves, encantando os ouvintes com o gingado que a música soul tem em seu DNA. Além de uma carreira promissora na música, Molly também desenha suas próprias roupas, garantindo que sua liberdade criativa ultrapasse limites sonoros, alcançando também o impacto visual da artista nos palcos.

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Stuck, de Tanner Carlson (EP)
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, sentada e violão

Tanner Carlson é um multitalentoso artista de apenas 20 anos. Estudante de Engenharia de Áudio na Belmont University, em Nashville, nos Estados Unidos, o jovem artista acaba de lançar Stuck, seu novo e primeiro EP.

Ainda que seja muito novo, Tanner sabe o que quer e até onde deseja chegar: sua música é uma mistura de nomes do pop rock do início dos anos 2000 com artistas modernos que hoje exploram o indiepop.

Stuck” e “Big Decisions“, as duas primeiras faixas do trabalho, parecem ter sido inspiradas em John Mayer e The 1975. Excelente uso de synths e keyboards de background, que dão sustentação pra Tanner soar despojado e confortável o bastante para dominar a canção com sua voz e violão/guitarra.

Thin Line” parte um pouco mais para o pop, explorando elementos eletrônicos como protagonistas em sua totalidade. Se a faixa fosse produzida por Charlie Puth ou Ed Sheeran não seria nenhuma surpresa. Ainda assim, a track ainda encontra espaço para explorar sonoridades indies que remetem a LANY e Troyé Sivan.

O encerramento vem com a melancólica e charmosa “Burberry Covers“, mais uma vez influenciada pelo indiepop mainstream em andamentos mais rápidos. “Something Around Me“, em contraponto, é um dos destaques do trabalho por possuir ótimo balanço e entregar sonoridades orgânicas e suaves, funcionando quase como um convite para se aproveitar o fim da tarde em cima da montanha com a pessoa amada. Ótima faixa.

O resultado final de Stuck, do talentosíssimo Tanner Carlson, é positivo e sólido. Ainda que seja muito novo, o estadunidense sabe o que quer e consegue aplicar seus estudos em sua arte. A produção do EP é impecável. Aumente o volume e solte o som.

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Choices, de Across (EP)

Across é um artista de Bogotá, Colômbia, que mistura em sua sonoridade sua influência latina à agressividade do rock and roll alternativo e dos riffs de guitarra, música eletrônica, o pop e o indie de bandas como White Stripes e Royal Blood. Tendo morado em várias cidades dos EUA como Atlanta, Boston e o estado de New Jersey, Across participou de vários projetos musicais como o grupo vocal SCAD e da banda Take Us Alive, além de consumir muito da música grunge de nomes como Soundgarden, Nirvana, Alice In Chains, o thrash do Metallica, e o metal alternativo do System Of A Down, o que acabou moldando sua forma de compor.

Em junho de 2021, o artista apresenta o EP Choices como uma viagem emotiva por diferentes momentos da sua vida. Com cinco canções diversificadas, o projeto mescla sons aborígenes com rock, pop e música eletrônica num relato sincero e transparente. “Burn The Ground” tem um riff de guitarra interessante que remete ao rock de garagem da década de 90 aos timbres eletrônicos de de Matt Bellamy, do Muse. O flerte com elementos eletrônicos continua em “The Truth”, que soa como a virada do milênio em meio ao gênero alternativo e industrial. Já em “Give And Get” o artista muda da água pro vinho e arrisca no pop eletrônico, lembrando muito faixas como “Dancin’ In Circles”, “John Wayne” ou “Heavy Metal Lover” de Lady Gaga, que abusam de timbres de sintetizadores juntos aos drives controlados das linhas de guitarra. “The Only One” já transita até o pop acústico do dedilhado de violões de artistas como Ed Sheeran enquanto “Pain” flutua entre o synth-pop dos anos 80, o psicodélico e o pop rock numa faixa dançante, melódica e acessível que encerra o trabalho de forma impecável.

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