MUST LISTEN: +10 trabalhos para ouvir este mês

O ROCKNBOLD listou mais treze discos que não podem ficar de fora da sua playlist em novembro

Tem mais indicação no ar! Nesta nova edição do MUST LISTEN, indicamos mais treze álbuns que merecem seu play neste quase fim de ano!!!

Weatherman, de James Night

Nascido e criado em uma pequena cidade europeia, James Night cresceu em um ambiente rodeado por música. Aos sete anos de idade já tocava piano, enquanto a trilha sonora do ambiente familiar se resumia em rock clássico. Ainda muito novo, Night começou a compor precocemente, ao mesmo tempo em que amadurecia seus gostos musicais ao lado de sua irmã, enquanto assistiam programas musicais como MTV Hits. Com fortes influências do pop, o artista busca inspiração em filmes, na história e em suas experiências e conversas do cotidiano com seus amigos ou familiares, transformando relatos em letras que expressam perspectivas distintas em cada situação.

Lançando singles originais desde 2017, Night deu vida ao debut Weatherman em 2021, um álbum que em sua totalidade possui 14 faixas de um compilado de mais de 300 canções escritas em um período de dois anos e meio. Traduzindo uma filosofia de amor próprio em música, o artista celebra a vida numa ode à paz interior, ao altruísmo e à coragem de tomar uma decisão de encontro ao futuro, sem se preocupar com o passado imutável.

A sonoridade pop de discoteca dos anos 90 serve de base para o projeto, com influências de nomes como Ace of Base (do hit “All That She Wants”, 1992) citadas pelo próprio artista, ficando evidente nos timbres de teclados e sintetizadores das faixas “Stay”, “I’m Not Gonna Lie”, a sexy “Rosé” e “Natalia”, que têm uma atmosfera bem underground europeia, esta última remetendo levemente a “The 7th Element” (do cantor russo Vitas), faixa que se tornou popular no Brasil por viralizar nas redes sociais.

A faixa título “Weatherman” também mantém a sonoridade do milênio passado. Abusando de efeitos como reverb, a composição aposta num refrão muito acessível e surpreende quando os versos são cantados de forma ligeira, sem que a melodia seja prejudicada pela fluência do idioma. Algumas partes ainda podem fazer com que o ouvinte se lembre da cantora e ícone pop Cher, e destaca a composição como uma das melhores do disco.

A música eletrônica dos anos 2000 também se faz presente e a influência vai de nomes como Lady Gaga à Daft Punk com voz robótica em “Unknown”, “No Way”, “Law Of Attraction”, “Bonnie & Clyde”, e as excelentes “Replay” e “Head In The Clouds” que agitam os ouvintes do começo ao fim. “Skeleton Nights” flerta com o hip hop e insere versos cantados como rap, enquanto “When I’m Gone” é uma balada lenta ao piano que se destaca das demais por sua cadência e pelas linhas de saxofone, que também se faz presente em “Moonlight”, composição que encerra o trabalho de forma dançante como os clássicos do Maroon 5 na era It Won’t Be Soon Before Long (2007).

Night surpreende pela sua habilidade autodidata, do piano ao storytelling dançante, suas histórias e composições pessoais são o palco principal e permitem que o talentoso artista aborde temas de significados profundos de forma teatral. Com um grande acervo de músicas que ainda não viram a luz do dia, nos resta aguardar novos lançamentos interessantes no futuro!

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Purpureal, de Fillipe

Fillipe tem em seu sangue o DNA brasileiro: o talentosíssimo artista não parece desistir fácil daquilo que quer. É no modus operandi de correr atrás do que almeja há alguns anos e enfatizando a ideia de ser um sonhador, o cantor acaba de lançar seu ótimo disco estreia, Purpureal.

Em dez faixas e mais de trinta minutos de duração, Fillipe constrói com romantismo e sentimento uma atmosfera densa e atrativa a públicos de diferentes estilos e gêneros do mainstream fonográfico mundial. Às vezes ele soa como uma estrela do R&B moderno com influências do urban e do trap, em alguns momentos parte para influências dreampop e até shoegaze, mas tudo com seu timbre característico muito agradável e beats orgânicos sustentados por synths e keyboards de background que criam a nuvem que paira os ares do projeto.

Suas canções já colecionam centenas de milhares de plays. A intro “Living To Let Die” já conquistou mais de 20 mil plays no Spotify e abre o disco com classe e balanço digno de trabalhos de Bryson Tiller em TRAPSOUL.

Weakening Faith” mostra todo o talento do cantor como vocalista; é, definitivamwnte, um show a parte e exclusivo do brasileiro para os apaixonados em sonoridades leves e suaves. “Roleplaying” muda o patamar do trabalho e se torna um dos maiores pontos de destaque com uma sonoridade groovy, dançante, cheia de balanço que fará dançar até os mais céticos e quadrados públicos. Aqui, Fillipe parece explorar os grandes hits pop da black music do início dos anos 2000 com suas influências indiepop da atualidade, algo entre Ne-Yo e LAUV.

December“, uma das tracks mais adoradas do disco até o momento, explora as tendências do trap a la os excelentes trabalhos de JADEN, Syre e Erys. A balada “Free My Soul” também merece ser destacada pela performance vocal do músico, que entrega muito sentimento na faixa.

Purpureal não é apenas o pontapé inicial perfeito para Fillipe, como também funciona como um prato cheio para os públicos apaixonados pela modernidade da mistura de estilos que vão desde o indie e dreampop até o trap e o urban contemporary. Se o cantor continuará traçando os mesmos caminhos daqui pra frente ninguém sabe, mas, por enquanto, que o maior número de público tenha o prazer de experimentar um disco coeso, suave, dançante e catchy como este debut do brasileiro. Vale o play.

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Row Me Away, de Leo Sawikin

Leo Sawikin foi o fundador e líder da banda indie novaiorquina The Chordaes. Agora, o estadunidense lança o excelente primeiro trabalho solo de estúdio, Row Me Away, regido por experiências de vida e o contexto pandêmico que assolou todo o globo nos últimos quase dois anos.

É possível afirmar que o debut de Sawikin é indie folk. No entanto, funciona com versatilidade quando explora sonoridades que passeiam entre o country, o indie, o synth e até o dreampop.

O maior destaque do debut do estadunidense é a composição linear e honesta presente no trabalho. Aqui, Leo discorre sobre seus conflitos internos e divaga sobre as relações interpessoais que nos cercam, tudo isso enquanto ainda questiona alguns ideais questionáveis em uma sociedade moderna. Há influências de Coldplay, U2, Chris Stapleton e até mesmo Justin Timberlake em seu disco mais recente. Entretanto, há canções que mergulham diretamente nas origens anos 2000 dos grandes sucessos de Keith Urban e John Mayer, por exemplo. Isso fica claro quando o ouvinte se atenta às transições entre as canções “Row Me Away“, “Golden Days (Far Out At Sea)” e “A Whole World Waiting“.

Tracks como “If I Stayed“, “Wasting My Whole Life” e o encerramento “Take What You Want” mostram um eu-lírico repleto de incertezas que teme pela perda equivocada de tempo e dedicação em situações e relações muito complexas e complicadas. Todas as canções de Row Me Away possuem momentos de destaque nas composições, algumas pela energia performada, outras por suas letras, mas sempre entregando algo que vai além da superfície: é intrínseco no álbum de estreia de Leo Sawikin que ele possui muito a dizer. E enquanto estiver usando a própria arte para assim fazê-lo, que o multifacetado músico permaneça usando como ferramenta a música, dividindo experiências e ideias perfeitamente bem executadas

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Fixed Memory, de Glenn Echo

Matt Gaydar é a mente conflituosa e acalorada por trás de Glenn Echo. O projeto de vida do estadunidense teve início em 2015, mas foi apenas em 2021 que o disco de estreia foi lançado oficialmente. Contando com 12 faixas curtas e menos de trinta minutos de direção, Fixed Memory é uma viagem contemporânea aveludada e gigantesca do folk pop moderno.

Aqui, Gaydar explora seu talento como multi-instrumentista embarcando em sonoridades folk, indie e até alt rock, tudo enquanto cria arranjos grandiosos com instrumentos de corda e metais de extrema qualidade. O debut do artista soa calmo, leve e até linear, mas ganha muita força no charme, na profundidade do sentimentalismo e na introspectividade de seu eu-lírico.

Fixed Memory funciona como uma paisagem que visita lugares já explorados por Big Thief, Keaton Henson, José González, Bob Dylan e até Lou Reed, mas traz uma abordagem moderna ao folk que já se conhece no mainstream. O trabalho vem conquistando muito espaço na indústria e foi produzido por Peter Brownlee.

O disco de estreia de Glenn Echo é coeso, robusto, equilibrado e tranquilo. Alguns arranjos deste trabalho remetem à composições clássicas e orquestrais, sustentadas por violinos e instrumentos de corda populares. O background de Matt Gaydar, inclusive, foge um pouco do convencional, já que o músico sempre se envolveu com música clássica desde o início da carreira. É desse passado tão brilhante quanto seu início de carreira solo que o público se depara com Fixed Memory, um conjunto de tracks que ainda que soem similares possuem características próprias e entregam em no resultado final uma obra contemporânea de folk pop muito agradável à diversos tipos de audiência.

Fixed Memory é denso e complexo, tal qual um disco cru de Bob Dylan. Há uma vasta lista de detalhes técnicos e de composição que tornam o disco um marco no gênero, surpreendendo a todos por se tratar de uma estreia – ainda que muito planejada e aguardada. Aqui, há melodias acústicas convencionais que se distanciam da modernidade caótica dos padrões estipulados pela indústria, tornando a experiência se não um pouco mais verdadeira, muito mais honesta. E é na honestidade que Glenn Echo ganha força. Seu debut é classudo, coeso, robusto e entrega uma falsa assimetria que conquista já na primeira experiência. Soa simples, mas é complexo.

Faixas como “Overwhelm“, “Hearth“, “Snowing.” e “Drink Up This Fire” exploram o que melhor há no estilo, com influências do que recentemente vem fazendo o ótimo Bon Iver em seus melhores trabalhos. É possível identificar algumas influências melancólicas dos grandes discos de Radiohead e até mesmo Lou Reed. Embarque nesta jornada duradoura como um passageiro de primeira viagem, aberto à novas experiências. É fato que o primeiro trabalho de estúdio de Glenn Echo, surpreendentemente brilhante, irá te conquistar.

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Boom Chicka, de Marty Zylstra

De Vancouver, Canadá, Marty Zylstra teve sua vida musical iniciada ainda muito jovem, com apenas quatro anos de idade, o músico filho de um pregador começou se apresentando e cantando em corais de igreja. De forma muito breve e rápida, Zylstra se interessou pelo pop e pelo rock, influenciado por bandas e artistas dos anos 60. Dessa forma, o músico busca satisfazer os desejos nostálgicos dos ouvintes enraizados numa era de ouro e de música atemporal.

Seu material costuma abordar temas relacionados à perda, saudade, amor e esperança, de forma autêntica e pessoal, isso se repete em Boom Chicka (2021), seu segundo álbum de estúdio. Com pouco mais de trinta e cinco minutos e nove faixas, Zylstra explora suas maiores influências sonoras num álbum que parece ter saído dos melhores estúdios de gravação diretamente de meados dos anos 60 e 70.

Numa atmosfera que transita entre grandes nomes da música como Beach Boys, adicionando algumas referências contemporâneas como Oasis e The Verve, o músico aposta numa sonoridade predominantemente do auge das décadas de 60 e 70, nas composições mais amenas como “Show Me How To Move”, “Shine So Bright”, “Say Goodbye” e “People I Love”.

O rock dita a cadência mais agitada e agressiva, onde a influência Lennon / McCartney domina. “Tofino” e “Change The World” remetem às faixas da fase psicodélica da dupla em Sgt. Pepper’s (1967), enquanto “The Music” relembra a fase solo de Paul McCartney junto a energia de artistas como Bruce Springsteen, com um solo de guitarra clássico e refrões acessíveis e pegajosos. Já “Sweet California” tem uma aura setentista como “Bell Bottom Blues” (1970), de Derek and the Dominos. “Rattle The Glass” se solidifica como a track mais emblemática do trabalho! Com um riff de guitarra mais lento, soa como um Stones vitaminado com pitadas de Led Zeppelin e a atualidade de gigantes como Rival Sons. As linhas de voz abusam dos drives, incluindo os backing vocals que são dignos de Tina Turner rasgando suas vestimentas!

Marty acerta em cheio e marca um golaço, pois o álbum agrada do começo ao fim e permite que o ouvinte desfrute de uma nostalgia emblemática, sem que soe de forma datada ou ultrapassada.

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Reconnect, de Sonia Aimy

Sonia Aimy é uma personalidade multifacetada. Diretamente de Benin, no sul da Nigéria, ela cresceu falando Edo (língua local de sua cidade natal), porém aprofundou seu conhecimento fluente em idiomas como o inglês, italiano, e tornou-se poliglota ao se aventurar em diversas línguas africanas como Yoruba e Hausa (ambas da Nigéria), Obamba (Gabão), Wolof (Senegal), Lingala (Congo), Kiswahili (África Ocidental) e Somali.

Suas raízes na cultura e herança africana vêm da tradição familiar passada de geração em geração e refletem diretamente na estruturação de sua arte. Sonia passou a cantar aos onze anos de idade, e quando mais madura mudou-se para a Itália, local onde estudou jazz, assim como interpretação e artes cênicas. Atuando na música como cantora e compositora, a atriz também é ativista social, e luta constantemente contra o tráfico humano. Por seus feitos, foi eleita a Melhor Figura Positiva para Jovens em Torino e Caserta (2005/2006), nomeada um Millennium Models Nominee (2003) e em 2005 foi nomeada pela revista AfroLife como uma das dez principais personalidades nigerianas na Itália.

Obteve reconhecimento musical internacional e conquistou fãs na Europa, África e Canadá por meio de suas aparições no palco com lendas da música africana como Hugh Masekela, Mahotella Queens, Miriam Makeba, IGNAWA e Williams Parker. Com performances virtuosas e fluídas, Aimy personifica a World Music e a música africana com uma voz aveludada e suave, porém marcante e profunda, de timbre que parece ter nascido no berço do blues. Seu mais recente trabalho, Reconnect (2021), é uma mistura agradável e alegre de sons tradicionais da música afro, do jazz e do reggae, e remete em certos momentos à música popular brasileira, que também tem uma fortíssima influência do continente africano na sonoridade de artistas como Carlinhos Brown.

“Life Nah Jeje”, “Do Your Best” e “Kolanout” se destacam no trabalho por conta das influências previamente citadas, onde o groove do baixo predomina e remete à certas obras de Sting e do Police, e também Bob Marley & The Wailers (em “I Shot The Sheriff”, 1975). Guitarras funkeadas e com efeito wah-wah também se fazem presente, assim como linhas melodiosas de saxofone e metais. A sessão rítmica comanda cada canção 100% do tempo, e abre espaço para que os metais e instrumentos de sopro brilhem mais uma vez em “No Color” (que lembra um pouco a banda carioca Cidade Negra).

A atuação de Sonia em âmbito social se traduz em canções que reverenciam diversas situações, por exemplo, “Mama” foca na relação maternal, “Woman” sonoramente se identifica com “Mandela Day” do Simple Minds (1989) e reverencia a mulher como personificação de sabedoria e porto seguro para familiares e amigos, enquanto “Manaka – Kamala” se coloca como hino ao empoderamento feminino, citando personalidades como Kamala Harris (vice-presidente EUA), Emma Bonino (vice-presidente do Senado Italiano), Ngozi Okonjo-Iweala (diretora-geral da Organização Mundial do Comércio), Rosemary Sadlier (autora canadense, ex-presidente do Ontario Black History Society) e Jean Augustine (ex-membro da Câmara dos Comuns canadense) em um som bem tropical. Enquanto essas faixas remetem à um sentimento positivo, “Sandra” traz à tona o peso do tráfico de mulheres, problema global que causa não só a destruição física, mas também a emocional, através do dano psicológico e demais abusos.

“Abbascà la marina”, “Felicitacion” e “Salaam Alaikum Baba” é uma trinca que homenageia às culturas da Itália, do Canadá, da África e do Oriente Médio, respectivamente, misturando dialetos africanos, italiano, francês, inglês e árabe. Já em “Reconnect”, faixa título do álbum, a cantora faz uma homenagem direta à África e exalta a cultura nigeriana num videoclipe oficial, que pode ser visto abaixo:

O álbum é um manifesto à civilização, à importância da mulher e à família, sustentado pelo pluralismo cultural de diversas etnias. Um prato cheio de aromas e sabores variados, que podem apimentar os ouvidos de múltiplos gostos e gêneros.

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Shadowdancer, de Desmond Myers

Desmond Myers é um cantor e compositor oriundo de uma fazenda em Statesville, Carolina do Norte, nos Estados Unidos. O artista aprendeu a apreciar gêneros musicais como rock, soul e blues ao lado do falecido pai enquanto crescia, descobrindo mais tarde o hip hop, o R&B e a música dance eletrônica quando alcançou a puberdade. Myers conheceu um produtor musical europeu durante o período escolar, o que levou o jovem e talentoso artista a iniciar sua carreira musical em Paris, local onde também se sente muito à vontade, colaborando com diversos artistas locais como a banda Her e Superjava, além de trabalhar como cantor no Le Lido Cabaret.

Desmond é autêntico, possui uma voz versátil e é dono de uma boa aparência e olhar sedutor, detalhes que afloram o apelo visual e sensualidade do artista, que hoje mistura sonoridades do soul, funk, pop e da música eletrônica francesa no seu mais recente trabalho, Shadowdancer (2021). Com aproximadamente 30 minutos de duração, as oito faixas do trabalho envolvem o ouvinte do começo ao fim e navegam por águas comuns do R&B e soul-pop contemporâneos.

Numa mistura intrigante de elementos conhecidos das superproduções da indústria musical, Shadowdancer é um prato cheio para os ouvintes que apreciam aquele “sexy mood” mais cadenciado. “Playing With Fire” é um R&B suave que explora os agudos do cantor de forma magistral, remetendo ao icônico Marvin Gaye enquanto confessa dores e desilusões de um relacionamento fadado ao fracasso. O músico brinca com as melodias e timbres eletrônicos de sintetizadores acompanhados pelo groove das linhas de baixo marcantes em “Fuck Fear”, “Chinatown” e “Shadows”, faixas excelentes que misturam sensualidade à uma aura misteriosa entre o pop, o dance, o funk e o R&B passando por influências como o francês Ben L’Oncle Soul, John Legend e Gnarls Barkley (projeto do famoso cantor CeeLo Green e do DJ e produtor Danger Mouse).

“Different Energy” faz jus ao nome e evoca timbres do synth-pop, assim como “Real Man”, que transforma o vocal suave das faixas anteriores em um timbre que se afasta dos agudos, e em certos momentos remete aos cantores Hozier e Rag N’ Bone Man, porém sem a mesma profundidade dos graves peculiares que ambos possuem. “Feels Like I’m Running” traz uma atmosfera que saúda o auge da música pop oitentista de artistas como Phil Collins, Peter Cetera, Benny Mardones, entre outros. A canção possui refrões masterizados com várias camadas de voz e sintetizadores que preenchem e dão profundidade e ambientação à track, adicionando um frescor que faz com que a composição proporcione um levíssimo sentimento nostálgico enquanto transita por sonoridades eletrônicas atuais. “Abercrombie” finaliza o álbum com sutileza e chave de ouro, com influências do blues e da soul music numa balada com linhas de guitarra melódicas de âmbito lunar.

Shadowdancer é uma obra que deve ser mantida à sete chaves ao mesmo tempo em que necessita ser apreciada em todos os níveis possíveis, entrando em qualquer playlist de bom gosto e senso crítico aguçado. Um trabalho à nível de nomes influentes do século XXI como Mark Ronson e Kevin Parker!

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Slow Thinker, de Noralyn

Noralyn é uma cantora e pianista de formação clássica, originária de Brisbane, na Austrália. Com uma voz aveludada, mas também potente em certos momentos, a artista alcança expressividade musical, sendo comparada à artistas que ultrapassam a sensibilidade pop como Kate Bush (do hit “Wuthering Heights”, de 1978, que foi regravado e lançado pelos brasileiros do Angra em seu disco de estreia em 1993, Angels Cry, numa versão mais melódica – e triunfante – com timbre agressivos do metal).

Em seu álbum debut, Slow Thinker (2021), a cantora aborda temas cotidianos que vão desde relacionamentos, fragilidade, aceitação e amor próprio até o controle das próprias ações, memórias e atitudes temporais e sua relação com o passado, presente e futuro, além de saúde mental. De forma lírica muito profunda, a compositora trata cada um dos temas abordados de maneira original e revela poemas musicados em forma de canções, este é o caso de “One Of The Few” (que em momentos remete à suavidade da neozelandesa LORDE), “Hot Blood” e as excelentes “Education” e “Terrestrial”.

Sua voz suave brilha e encanta quando alcança agudos dignos do canto lírico e pode ser associada à voz da brasileira Marina Elali na faixa “Fiction Borders”, e surpreende quando toma a interpretação como parte teatral em “Girls & Boys”, que remete em certos momentos o timbre da cantora latina Shakira, ou em “Full Human” que tem uma atmosfera meio Adele.

O par de faixas que encerram o disco se dá por “Glory”, que tem uma aura transcendental, lembrando suavemente até mesmo parte da música gospel e cânticos religiosos, seguida por “Postlude”, que nada mais é do que uma faixa instrumental onde a orquestração do piano é magistral, e que poderia servir como trilha sonora no cinema para sagas consolidadas como Crepúsculo (2008 – 20212). Um trabalho significativo e delicado que mostra a versatilidade de Noralyn como pianista, cantora, compositora e intérprete.

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ProBioTics, de NickyP

Nascido e criado em Oxnard (alô, Anderson .Paak!!!!), Nick Price é um jovem rapper que tem conquistado muito espaço no mercado e indústria fonográfica. Conhecido como NICKYP, o artista já possui centenas de milhares de plays apenas no Spotify e é visto como um dos nomes mais promissores do hip hop californiano.

Seu primeiro álbum de estúdio, Biologics, obteve excelente números: estima-se que apenas em reproduções na plataforma o estadunidense já tenha alcançado mais de 50 mil plays com o debut, lançado durante a quarentena por conta do vírus COVID-19. Agora, em 2021, Nicky está mais do que preparado para o estrelato em ProBioTics.

Beep, Beep“, um dos maiores sucessos da carreira, corre a plenos pulmões para bater a marca de 100 mil plays, um feito e tanto para um artista independente. A chave do início de sucesso do californiano se dá, definitivamente, por sua facilidade em explorar diferentes flows e métricas em seus versos. É exatamente essa versatilidade como rapper que torna NickyP uma grande promessa do hip hop.

Explorando beats que seguem as tendências do trap mas com fúria e energia em seus versos rimados, os trabalho de Nick soam como se Nelly, BROCKHAMPTON e Andre 3000 estivessem colaborando em uma faixa produzida por PoohBeatz. Há aqui uma vontade inerente de trazer de volta sonoridades que foram sucessos da black music no início dos anos 2000, mas com lampejos modernos de canções comerciais da cultura.

A maioria das faixas são dançantes e envolvem o ouvinte, que ainda que preste atenção nos versos rimados do artista também consegue se divertir sem compromisso com as sonoridades, que, em fato, são perfeitas para festas e viagens com amigos. ProBioTics funciona muito bem quando quer ser descompromissado, mas tem muito valor se for analisado por suas composições.

A obra, que contém nove faixas e quase trinta minutos, também conta com as ótimas “Coming Home“, “Uh, Yeah“, “Keep It Live” e “Hoppin’ In The Bubble“, faixas que exploram muito bem os graves dos beats característicos da Costa Oeste estadunidense. Se você tiver um low-rider, essa é a hora de aumentar o som e sair pela rua. Joias, luxo, fama e o sonho californiano entre as ondas do mar e as pistas de skate: tudo isso também faz parte do novo álbum de NickyP, que é um prato cheio para os fãs de hip hop.

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Strangelove, de Marcus Kech

O primeiro disco completo de estúdio do australiano Marcus Kech leva o nome de um dos maiores singles da lendária banda Depeche Mode, mas ainda que também explore synths e keyboards com o intuito de criar approach e sonoridade cheia de balanço, o trabalho está bem longe de ser definido apenas como synthpop ou new wave igual o dos britânicos.

O produtor e compositor, nascido e criado em Melbourne, é um amante do funk, do house e do rock: é daí que você entende e aprecia o som criado em Strangelove. Neste segundo trabalho de estúdio, Marcus explora influências de Daft Punk, Tame Impala, Depeche Mode, George Michael e até o Rei do Pop, Michael Jackson.

Kech aprendeu a tocar guitarra, teclado e bateria com o passar dos últimos dez anos se mostrando um verdadeiro músico autodidata, já que a paixão pela arte foi o combustível principal para o start na sua carreira artística. O australiano criou dentro do próprio quarto seu estúdio íntimo e particular, que o rendeu meses de trabalhos gravados entre demos e composições descartadas. Tudo isso levou o músico a lançar o seu primeiro EP, You Will Be OK, de 2019, que foi bem recebido pelo público e crítica, conquistando mais de 100 mil plays no Spotify.

Agora, com seu debut completo de estreia, Marcus está imerso nas misturas ajustadas de suas influências e referências. O disco, de dez faixas e quase quarenta minutos de duração, é moderno, dançante, groovy, catchy e, principalmente, sincero. Aqui, Kech discorre sobre seus problemas pessoais – ainda que não se aprofunde muito na própria intimidade – e discursa sobre a sociedade e os problemas vividos nas relações interpessoais.

Faixas extremamente dançantes e agradáveis como “Disco’d” e “The Place” exploram elementos do synthpop e da new wave, mas se perdem em sonoridades funk e dance dos anos 80 com toques modernos da música eletrônica, como se Depeche Mode, Daft Punk, CHIC e The 1975 fizessem uma colaboração em pleno 2021. As influências de Tame Impala estão presente por todos os lados. Este, definitivamente, seria um trabalho que Kevin Parker adoraria ouvir; isso fica claro quando o ouvinte dá o play na excelente “Pinot Noir“.

Strangelove é um disco feito para as noites em metrópoles regadas a novas experiências e o inesperado: quando o ouvinte acha que sabe o que está prestes a vir pela frente, é surpreendido. Cheio de balanço, o primeiro disco de estúdio de MARCUS KECH é um prato cheio para as gerações atuais que ainda estão descobrindo e formando os próprios gostos artísticos. Arraste o sofá e se prepare para uma viagem excêntrica e muito maleável.

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Slow Jail, de Max Swan

Coeso, excelente, instigante e libertador: estes são os adjetivos que podem resumir e sintetizar o que é Slow Jail, segundo disco de estúdio de Max Swan, natural da Filadélfia.

O estadunidense, que possui formação clássica e foi aluno do líder da banda do SNL, Lenny Pickett, é um saxofonista extraordinário que emergiu na cena independente norte-americano como um talentosíssimo vocalista e produtor de urban contemporary, hip hop e R&B. Seu background acadêmico em conjunto às suas habilidades práticas de produção e gostos pessoais foram os responsáveis por trilharem os caminhos de Max até este segundo trabalho, com dez faixas e trinta e seis minutos de duração.

A característica principal desta obra magnífica é a harmonização das melodias do jazz com os elementos eletrônicos do hip hop e R&B moderno. Aqui, o ouvinte encontrará influências de grandes nomes da black music dos início do século, assim como não ficará parado com o groove das harmonias hip hop a la os trabalhos boombap de J. Cole, Mac Miller e até The Internet.

Shackles“, “Runaway” e “Filler” mergulham na soul music e soam como grandes trabalhos de nomes como Childish Gambino, Pharrell Williams, John Legend ou até mesmo Black Pumas. Os synths são inseridos de forma sutil em uma faixa majoritariamente sustentada pelo grave do baixo e dos metais.

Legend” utiliza o sample de “Assassin”, de John Mayer, mas segue o fluxo do rio do soul e R&B anos 2000. A faixa de encerramento “Slow Jail“, que dá nome ao álbum, eleva a qualidade do trabalho como um todo. Não se espante se a track servir de exemplo num futuro de como terminar um disco de estúdio com maestria. O sentimento aqui é de dever cumprido.

Max Swan surpreende e performa em alto nível técnico o que parece ser seu ápice criativo: um álbum de estúdio magnífico que mistura estilos e elementos de gêneros distintos para, no final das contas, entregar a trilha sonora perfeita para momentos e experiências esperançosos e otimistas. Aprecie sem moderação.

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Confessions, de Anaté

Anaté é um duo colaborativo entre a artista de Berlin, Ana, e seu parceiro produtor Andrea, que vive em Milão. Enquanto Andrea cuida da parte de produção da carreira de Ana, a performer e artista usa das influências reconhecíveis de harmonias e estilos explorados por Sade, Dido, Amy Lee e até t.A.t.U para criar um som similar ao alt-rock e downtempo dos vocais poderosos femininos do início dos anos 2000.

Imagem do duo, Ana, que mora em Berlin, aprendeu piano clássico na infância. Depois que terminou o colégio, se envolveu em diferentes projetos musicais como cantora e compositora, além, é claro, de pianista/tecladista. Ana se formou compondo músicas de forma independente e se apresentando em Paris até conhecer Andrea e começar o projeto Anaté juntos.

Andrea, que mora na Itália, cuida da produção. Ele foi guitarrista em várias bandas locais no início dos anos 2000 até decidir se concentrar na produção de artistas e escrever suas próprias músicas. A dupla se reuniu em Bruxelas no início de 2019 e percebeu rapidamente que compartilhavam a mesma visão musical. Foi assim que eles começaram a compor.

Eles gravaram mais de 20 tracks em um ano, tudo de forma remota por conta da pandemia do vírus COVID-19. Metade dessas canções foram selecionadas para compor o álbum de estreia do duo, Confessions, que nada mais é do que uma boa obra confessional que enxerga a sociedade e a existência humana de forma curiosa.

One Last Time“, “Rio“, “Confusion“, “Flow” e “The Entertainer” são destaques do disco muito por convidarem o ouvinte a se indagar sobre tudo que o cerca enquanto a sonoridade é palatável tanto aos fãs assíduos de rock alternativo quanto os de pop rock. É nessa dualidade dos horizontes almejados pela dupla que eles ganham força.

First Time” e “Too Far” também merecem menção por já obterem milhares de plays só no Spotify. Ambas as faixas experimentam beats eletrônicos e um background sustentado por synths e keyboards. Os instrumentos de corda também ganham espaço. A voz e o timbre de Ana se tornam gigantescos nessas canções.

No geral, Confessions, o debut do duo formado por Ana e Andrea, resgata sonoridades de quase quinze anos atrás mas ainda soa moderno, principalmente quando o público toma ciência da forma que o trabalho foi composto e produzido. Se a tecnologia permanecer permitindo obras dessa qualidade serem feitas mesmo de forma remota, que os artistas possam exercer suas funções cada vez mais com acessibilidade e qualidade de produção, afinal, não há quem dite o rumo da indústria melhor do que aqueles que consomem arte em todos os cantos do globo.

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Long Ways Till Winter, de Sean Keel

Sean Keel é professor de matemática, mas decidiu também mostrar seu talento no meio artístico, distante das ciências exatas. O estadunidense, que viveu a maior parte de sua vida em Austin, no Texas, leciona a matéria na zona rural de Minnesota, nos EUA. Sua família possui carreira na música, já que alguns de seus parentes e amigos próximos fazem parte do Bill, The Pony.

Para quem escuta a voz de Sean pela primeira vez pode até se assustar: o timbre grave e raspy soa exatamente como a mistura perfeita entre as vozes de Lou Reed, Willie Nelson e Johnny Cash. O disco de estreia do norte-americano, Long Ways Till Winter, possui 14 faixas e quase 1h de duração, mas convida o ouvinte a uma viagem para os territórios interioranos dos Estados Unidos.

Aqui, Sean discursa sobre os lugares onde passou e se envolve como eu-lírico da obra, remetendo o trabalho aos grandes clássicos de nomes como Alan Jackson e até mesmo Kenny Rogers.

A produção do trabalho é gigante. Mixagem e masterização foram feitas na medida certa, com o intuito de soarem o mais próximas à sonoridade crua e estridente dos graves originados no country estadunidense. “Soup Line“, “Corn Palace” e “I Just Know I Am” são receitas perfeitas para o sucesso entre o público apaixonado por country e folk.

Grande parte do cerne que rege a atmosfera acerca de Long Ways Till Winter é o sentimento de conforto que a cidade natal de um ser humano pode trazer durante sua existência. É difícil enxergar-se como um nômade em terras desconhecidas, ainda que por circunstâncias da vida estes sejam os caminhos a serem trilhados.

Algumas das canções contam, definitivamente, histórias. É nesta lacuna de ser um profissional vivido e experiente que Sean Keel ganha espaço. O storytelling de suas canções é bem executado e performado de forma ótima enquanto entrega uma ode aos maiores artistas e discos do gênero original de seu país.

Abilene“, “Bird“, “Dirt“, “Coming For Christmas” e “Cornflower” valem muito o play e discursam sobre a existência humana em seus mais diversos aspectos. Assim como Sean ensina matemática a seus alunos nas zonas rurais de Minnesota, em seu disco de estreia o artista também tem o poder de ensinar: é contando histórias e discorrendo sobre suas experiências que torna Long Ways Till Winter um clássico moderno e instantâneo do country estadunidense. Espetacular. Aproveite a serena e emocionante viagem.

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