Uma vez me disseram: “não se apoie tanto nos fandoms, isso não lhe trará vantagem alguma”. Pois, naquele momento e ainda hoje eu discordo veementemente desse conselho. Afinal, estamos todos entrelaçados e compartilhamos o mesmo amor por artistas que nos tocam de uma maneira que vai muito além do que o que está na superfície.
Com o cenário político atual, vejo fandoms se unindo por um bem muito maior do que apenas apoio aos seus artistas. Eles lutam para que continuemos a exercer o nosso direito de escolha. Não há união mais poderosa do que pessoas que se despem de qualquer receio para pensar no coletivo. Na cena alternativa, isso é a espinha dorsal do movimento, algo que muitas vezes se perdeu em discussões do que, de fato, seria um som pesado e digno de ser categorizado como tal. A verdade é: de que adianta o peso do som se o peso das nossas ações não faz uma diferença real para os outros e para os nossos?
Vejo, diariamente, perfis como @bmth_bra, @iampoppybrasil, @poppylandr, @halseybrsl, @tudomiley, @mileycyrusbrasilmcbr entre outros, que estão se unindo para além de gênero musical e passando informações cruciais sobre a situação política no Brasil.Esses perfis incentivam eleitores indecisos a considerarem votar no candidato Lula da Silva, levantando dados confiáveis e colocando-se na linha de frente de um movimento digital que está também ocupando as ruas. Um trabalho admirável e verdadeiramente rock’n’roll e que mostra que a música vai muito além do entretenimento e sim um objeto de mudança e posicionamento concreto para além dos artistas em si.
Como mulher e criadora de conteúdo sobre a cena, me entristece um cenário tão hostil sendo cultivado de dentro para fora nas cadeiras no nosso Congresso. Há dias, me vejo assim como muitos de vocês, em puro desespero. Qual é o sentido de lutar em um momento em que tudo parece perdido?
Eu respondo que é nesse momento que a nossa união como comunidade pode de fato fazer a diferença e tocar aqueles que ainda estão em cima do muro em dúvida sobre em quem votar influenciados por uma narrativa construída sobre a esquerda por anos. Falando do rock em si, sempre reforçamos a postura de questionar o sistema e os valores retrógrados e opressores. E agora não deveríamos reforçar ainda mais essa postura.
“Se a dor do outro não doer em mim, eu desconheço o amor.” Essa frase deveria ser a estrela-guia da nossa decisão de voto dia 25 de outubro. Precisamos lutar pela educação, saúde, ciência (área em que somos pioneiros em inúmeros setores), liberdade e, acima de tudo, pelo direito de ESCOLHA. Escolha hoje, amanhã e depois. Nossas ferramentas mais valiosas são a informação e conscientização. Na era das fake news e inteligência artificial, compartilhar conhecimento em prol do bem coletivo se mostra algo possível de mudar o mundo para aqueles dispostos a escutar.