Jake Bugg desperta sua criatividade em ‘Saturday Night, Summer Morning’

Jake Bugg encontra o equilíbrio entre nostalgia e modernidade em novo disco, lançado na última sexta-feira, (20)
Saturday Night Sunday Morning Review Jake Bugg

Jake Bugg apareceu como um menino prodígio no cenário do indie rock, conseguiu notoriedade desde seu primeiro trabalho e embalou a adolescência de muitos que se identificavam com sua sonoridade na década passada. Desde o álbum On My One de 2016, o cantor vem recebendo algumas críticas por conta do rumo que sua música tomou. Em seu novo projeto ele demonstra as possibilidades infinitas de seu horizonte musical e que consegue inovar ao incorporar modernidade e originalidade em sua nova fase.

Primeiros singles

Em 12 de novembro de 2019, “Kiss Like The Sun” foi selecionado pela Annie Mac da BBC Radio 1 como “Hottest Record” e conseguimos entender o por quê. Jake retornou com um single que agrada os fãs antigos cativados pelo indie folk dos dois primeiros álbuns do cantor. Retrata uma composição divertida entre casos de apenas uma noite e de prevenir o sofrimento do outro ao não se envolver romanticamente. Abriu portas para uma nova fase da carreira com toque de nostalgia em seu próprio trabalho. Além disso, apresenta momentos de calmaria no refrão, mas que logo é substituído por um arranjo moderno de country com riffs potente de guitarra que Jake é mestre em fazer e um clipe que reflete a sonoridade eufórica com imagens de um caos aparentemente controlado novamente lembrando trabalhos antigos.

O ano de 2020 e novas promessas

O cantor lançou o primeiro single de 2020 em abril. “Saviours Of The City” é uma canção violão e voz que remete ao primeiro álbum, com instrumental mais simplista e letra tocante, mas que infelizmente não entrou no novo álbum. A segunda música do ano já era tocada nos shows antes da pandemia e se tornou uma das queridinhas do público, principalmente por flertar com o rock mais diretamente. Atendendo a pedidos, o cantor disponibilizou “Rabbit Hole” nas plataformas. Inicia a melodia em um riff bem construído e batida sutil, dando destaque para sua voz nasalada, mas que logo explode em um refrão sensual e inebriante, brincando com a composição vocal, sobre esvaziar sua mente a qualquer custo.

Ainda em 2020, “All I Need” foi lançado em 26 de outubro como single, acompanhado por um clipe cinematográfico. O som energético fala sobre escolher as batalhas e seguir confiante na escolha que fez. A inspiração pessoal de autoconfiança e libertação pode ir desde a busca de um novo som em uma nova gravadora até se relacionar melhor com seus fãs através das redes sociais. Jake entendeu que se encaixar em um mundo digital é complicado, mas é necessário para prosseguir relevante nos tempos atuais.

O ano de 2021 e os últimos singles antes da estreia

2021 começou através de uma faixa surpreendente. Logo após “Be Someone” em parceria com CamelPhat, não imaginávamos que Jake se aventuraria em uma música com traços mais eletrônicos por conta própria. Quebrando expectativas, “Lost” é um resumo da mente mais aberta do cantor para explorar novos horizontes. Em entrevista, disse que se inspirou naqueles que se sentiram perdidos durante a pandemia. O clipe, diferente do que imaginávamos, retrata uma festa cósmica no deserto, com cenas de balada, um rumo diferente para Jake. O instrumental trabalha com contrastes entre algo mais calmo, sons psicodélicos e de folk emaranhados em batidas eletrônicas marcantes.

“Downtown” foi a última prévia antes do álbum completo sair. Nesse sentido, trouxe algo interessante e diferente dos singles anteriores. O sopro melancólico da balada pacífica em piano é uma canção de ninar para os aflitos. Reflete um pouco sobre o passado que não volta todavia, conforta os ouvintes em “You’ll never be alone / If you’re out there /Just hear me call”. Verdadeiramente a música foi o escape e salvação de muitos não somente nesse, mas também em muitos outros tempos difíceis. Em seguida, convida-nos para seguí-lo ao centro da cidade nas noites de verão, um movimento de esperança que dias melhores virão e viveremos essa nova experiência juntos.

‘Saturday Night, Sunday Morning’ além dos singles

No seu quinto álbum de estúdio, Jake demonstra que finalmente aprendeu a colocar todas as percepções e influências, mas agora alinha seu estilo a modernidade da nova década. Em uma era onde não conseguimos mais desatrelar o artista de suas redes sociais, ele fez sua transição para o digital através de seu som também.

“About Last Night” se encaixa nesse conceito de músicas mais comerciais, sem necessariamente seguir tendências. O toque do pop deixa o tema sobre ciúmes e finais de relacionamento mais leves, o que torna a música ainda mais viciante. A guitarra e bateria são bem marcadas na composição, mas o destaque é a potência vocal que traz à tona o talento e versatilidade de Jake não somente na guitarra.

Jake Bugg Saturday Night Sunday Morning

Scene” soa como uma balada romântica, mas é apenas mais uma canção para os corações partidos. Remete a sonoridade do britpop dos anos 90 e possui momentos para deixar o público cantar nos shows. O timbre clássico que a música apresenta é o punch com a guitarra chorosa, inspirada no blues.

Logo após, “Lonely Hours” volta a acelerar o ritmo do álbum. Um indie rock que brinca com a dualidade em nuances diferentes. Quando o instrumental possui menos texturas, seu vocal é mais potente. Pouco depois, quando o refrão explode, sua voz torna-se aguda e doce, suavizando no trecho mais duro da letra, sobre as horas que passa sozinho.

Últimas canções

“Maybe It’s Today” tem um toque de retro pop muito particular ao usar os tempos da bateria de “Be My Baby” de The Ronettes. Diferente da versão leve e divertida, o instrumental explorado é mais denso como Jesus And The Mary Chains fez com “Just Like Honey” nos primórdios do alternativo. Apesar de ser uma balada simples, trouxe outra dimensão para o álbum. Ao mesclar novamente o clássico com seu toque pessoal, transforma a diversão e leveza pop da versão original em algo triste.

“Screaming” é um embate entre o indie pop e o indie rock. Frequentemente, o cantor uniu os dois gêneros ao longo do álbum, mas o combate entre as influências veio com força na penúltima música. A mistura entre a bateria densa com elementos dançantes permite criar expectativas grandes para seu momento nos futuros shows. A letra e a melodia criam simultaneamente um looping, reforçando o ciclo vicioso que ele não consegue impedir de acontecer.

“Hold Tight” e o retorno as origens

Por fim, “Hold Tight” é uma balada folk que nos transporta para 2012 em seu primeiro álbum. O vocal levemente reverberado retoma “Slide” e o arranjo simples “Not To Self”. Questiona como será lembrado e fala sobre o tempo que passa rápido e nos consome. A sinceridade e simplicidade tocante definitivamente se encontra com o jovem Jake, ainda com sua trajetória musical incerta.

O álbum consolida o que faz com excelência, mas em uma sonoridade repaginada e atual. Jake Bugg finalmente atravessou o caminho e encontrou paz entre os dois mundos da composição e seu caos pessoal. O nome sintetiza a ideia ao ter picos de euforia antes de um sábado a noite, para a calmaria, incertezas e reflexões de um domingo de manhã. O caminho de volta ao mainstream flutua, já que o pop triste que apresentou está em evidência no cenário musical, principalmente representado por vozes femininas. Saturday Night, Sunday Morning revela que ainda tem uma gama de opções e sonoridades a serem exploradas pelo cantor que abandonou a arrogância descontraída para dar voz a criatividade e seguir com coragem se reinventando.

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