O oitavo álbum de Interpol gera expectativa construída em torno da mudança de gravadora (Partizan Records), membros novos oficiais (Brandon Curtis e Brad Truax), diferentes decisões e novos ares. Apesar disso, a banda seguiu mais fiel as referências e estilos sonoros que os colocaram no radar dos fãs de rock e também como parte do post punk revival.
As três primeiras músicas já haviam sido lançadas, transitando muito na reflexão sobre indivíduo e tecnologia num sentido mais amplo e a conexão nova entre pensamentos humanos e inteligências interconectadas. O início do projeto é a reflexão que vai do indivíduo ao coletivo, se estendendo em significado num caminho de consciência e conforto. Assim que segue, o instrumental reflete essa consciência desperta numa atmosfera ambiente com elementos mais etéreos bem distribuídos ao longo das músicas.
A faixa que carrega o nome do álbum, “This Mirror Weighs a Ton” abre com um som tenso e sombrio, a incerteza num fluxo de consciência mais veloz. Enquanto isso, o ritmo da melodia é mais apaziguador com elementos que refletem o shoegaze e uma crescente cíclica dominadora que envolve o ouvinte.
“See It Out Loud” retoma o som energético já conhecido da banda, principalmente nos anos 2000, com vocais mais expressivos e numa pegada mais post punk revival. A transição de algo energético para algo mais suave fica por conta de “Iron City”, faixa que traz a paisagem de Nova Iorque, onde o álbum foi gravado e cidade que tem grande significado para a banda: um recado sobre aquilo que já foi e o que pode ganhar novos significados, nostálgica na medida certa.
As surpresas positivas ao longo da narrativa do álbum
O piano mais melancólico entrega uma transição para “Wounded Soldier”, uma sonoridade mais potente num ritmo que desacelera com elegância e respiros que deixam o groovado intercalado da faixa de destacar.
Enquanto isso, “Wings On Fire” retoma o lado mais energético, riffs potentes e expressivos que explodem no meio da narrativa do álbum. Acrescenta mais distorções num looping crescente e interrupção mais abrupta. “Ever The Actor” soa como uma versão mais slow das anteriores. Cria mais uma vez momentos mais contemplativos ao longo da narrativa e pequenos twists equilibrando a metade do álbum.
“So Rides the Reindeer” entrega algo mais distópico, que vem mais suave no flow mais inspirado no folk diferenciando das outras músicas de forma mais peculiar e, consequentemente, criaria um belo momento no ao vivo.
“Darling Thoughts” aposta no lado um pouco mais industrial do alternativo, mas novamente numa boa crescente. A música retoma o som já identitário da banda: letra repetitiva que cria um som viciante. Logo em seguida, “Wake Up” apresenta o lado mais dance punk. É uma pausa leve e um indie rock mais ‘farofa’ na sonoridade, mas sem deixar o tom reflexivo de lado, apenas atenuando um pouco a mensagem da poesia.
Encerramento de ‘This Mirror Weights a Ton’
O piano denso na intro de “Enemy”, vocal contemplativo e sobreposição que enaltece versos estratégicos reaproxima do lado dreamy que Interpol aposta nas primeiras músicas. O lado mais anos 90 floresce e cria um final arrebatador: emocionante e sensível. A batida impactante final da anterior entrega a narrativa para “Bird and The Serpent”, um retorno para algo mais introspectivo e guitarras em destaque. De certa forma é como fosse palpável ver a banda em nossa frente, principalmente por traduzir de forma mais atual o cenário anos 2000: uma bela homenagem a trajetória do Interpol para a quase despedida do álbum.
O encerramento fica para “Sudden”: o tom mais pesado, melancólico e quase pessimista do álbum. Experimental e ambiente, soa minimalista em ecos que reforçam a sonoridade e letra repetitiva. O instrumental cíclico levemente progressivo que vai abrindo espaço tornando-se quase esperançoso, deixando aberto o futuro distópico que seguiremos vivenciando.