Quem cresceu assistindo YouTube ou sendo cronicamente online certamente conhece Lucas Inutilismo, mas talvez não conheça LVCAS, nome artístico pelo qual Lucas lança seus trabalhos autorais desde 2024. Desde o início de seu canal, o rock sempre foi muito presente nos cortes, nas camisetas e nas trilhas sonoras, sendo uma parte marcante da personalidade do mais novo estreante do Palco Supernova.
O projeto começou quando Lucas rodava o Brasil com a turnê “Minha Playlist de Funk”, que apresentava funks reimaginados como rock e lotou inúmeras casas de show. O rock sempre esteve presente em seus vídeos, o que eventualmente foi refletido nos palcos e depois em seus lançamentos.
“A gente que tem afinidade com rock, com metal, sempre quer expressar isso de alguma forma, né? Eu sou só mais um e acho que dei a sorte de ter pessoas ao meu lado que confiaram muito no que eu tava fazendo”, conta Lucas em entrevista exclusiva à EEQEE x ROCKNBOLD.
Os shows da turnê “Minha Playlist de Funk”, que contaram com DJ sets de abertura da E eu que era Emo? em diversas cidades, foi crucial pra levar o rock de volta a uma geração que cresceu ouvindo que o gênero estava morto.
“Essa narrativa de que ‘o rock morreu, o rock não tem força’ é alimentada por quem interessa, e quem interessa é sempre quem quer estar no controle, né? O rock é um movimento que explora a rebeldia, o questionamento, e isso incomoda. Acho que pra quem manda nas coisas, talvez seja mais confortável enaltecer gêneros que são mais comportados”, refletiu o vocalista e guitarrista.
Antes mesmo das turnês que combinavam funk e rock, Lucas, ainda com o nome Inutilismo, foi um dos pilares da repopularização do Punk Goes Pop no Brasil, mesmo que de forma acidental. Com o lançamento do primeiro “ano em uma música”, em 2020, Lucas se mostrou não ser apenas um fã de rock, mas também um excelente guitarrista, baixista, baterista e tecladista.
Os finais de ano seguintes foram tomados por uma grande expectativa acerca de covers de hits interpretados pela releitura hardcore e pesada de Lucas, cujos vídeos se tornaram uma tradição de fim de ano para o povo alternativo, tal como Roberto Carlos era para nossas mães e avós. Hoje, mesmo não fazendo mais as retrospectivas musicais, o legado e a influência ficaram marcados no audiovisual e na sua própria identidade sonora.
“Eu nunca me contentei com a resposta das pessoas, tipo ‘Ah, não gosto de rock não, mano, você é louco, não gosto’. E a retrospectiva, o sucesso dela é um ‘mano, você gosta sim’”.
“Eu fico feliz por ter contribuído de alguma maneira pra esse cenário. Eu faço o que eu faço já vai fazer 13 anos, e já ouvi gente me falar que me assiste desde os seis, sete, oito, nove, dez anos, que é uma fase muito importante na formação do que a pessoa vai gostar de ouvir, e eu sempre falando ‘ouve Gojira, ouve essa p*rra aqui, olha isso aqui’ e explicando, né? Porque não é só peso por peso, não é só gritaria, né?”
A influência vai muito além dos fones de ouvido. Lucas conta que já recebeu comentários de pessoas que começaram a tocar instrumentos por sua causa. “Mano, essa é a melhor recompensa que eu posso ter. Eu sou muito adepto da filosofia do instrumento como terapia, né? O instrumento já me salvou inúmeras vezes.”
Por muito tempo, Lucas se contentou com a música apenas como um hobby, sem noção alguma de que, eventualmente, esse talento seria responsável por levá-lo aos palcos do maior festival de música do Brasil.
“Eu sempre falei ‘pô, isso aqui é muito legal, mas não é para mim’, mas a retrospectiva me mostrou que era possível conseguir transformar ideias que eu tinha de arranjos ou coisas em algo maior, e a playlist de funk me ensinou que era possível pegar e subir num palco, fazer um show”
“Por muito tempo da minha vida eu pensei: ‘Isso daqui não é para mim, isso é para as pessoas grandes’. E hoje, me olhando nesse lugar, eu me vejo como um representante, de olhar no olho de cada um que eu vejo num palco ou em qualquer lugar e falar: ‘Você pode tanto quanto eu, tá ligado? Até eu, que pensava um monte de m*rda, tô aqui, então vamos também’.”
O que já seria um dia incrível acompanhando suas bandas favoritas como fã se tornou então a realização de um sonho com um convite para tocar no Palco Supernova e dividir o line-up do festival com nomes como Bring Me The Horizon, Bad Omens e Avenged Sevenfold.
“Se olhar para a premissa do dia, ele já é o melhor dia da minha vida. Eu vou tocar no Rock in Rio, vou ver as bandas que eu gosto para caralho, todos os meus amigos vão, minha família, vai estar todo mundo lá. Então, nossa, eu preciso controlar a expectativa aqui, porque senão eu vou desmaiar, mano.
“A gente tem uma base de show, mas com algumas surpresas que vão ser particulares do Rock in Rio”, conta o artista. A base já estabelecida, apresentada em shows solo e festivais como Porão do Rock e Capital Moto Week, conta com uma forte sinergia entre os músicos e o público, além de uma setlist pensada tanto para quem já viu a banda ao vivo como para quem vai pela primeira vez.
“O meu show tem essa filosofia de ‘estamos juntos, eu preciso de vocês. Sem vocês, o meu show não vai rolar’”. Apesar da conquista enorme, a presença em um palco do Rock in Rio é só o começo para uma banda com apenas 2 anos de carreira.
“Depois do Rock in Rio, eu vou precisar realmente entender o que foi aquilo. O meu sonho é poder continuar sonhando. É uma resposta um pouco vaga, mas eu sei que vai aparecer alguma coisa depois, sabe? Eu não quero que pareça que o fato da gente tocar no Rock in Rio é como um credenciamento para alguma coisa. A gente tá super aberto a abraçar o que vier, o trabalho continua e a gente quer estar onde for para estar, mas é um sonho realizado“.
LVCAS se apresenta no dia 5 de setembro, no Palco Sunset, às 16h, e você pode conferir a cobertura do show em primeira mão nos perfis da @eeuqueeraemo e @rocknbold.