Não é uma época animadora para os fãs de festivais. O Lollapalooza Brasil, por exemplo, parece estar tentando consertar a recepção negativa do line up de sua próxima edição, que ao contrário das expectativas dos fãs, conta com poucos nomes de peso e um grupo de MPB entre os headliners — não que seja um problema, mas definitivamente não era o que os fãs de divas pop esperavam.

Além do line up fraco, o preços não ajudaram. Os ingressos para um dia de festival variam entre R$ 360,00 e R$ 800,00, enquanto o preço para os três dias variam entre R$ 810 e R$ 1.800, sem mencionar a opção Lolla Lounge, que dá direito à benefícios, áreas e experiências exclusivas para quem não vê problemas em desembolsar entre R$ 980,00 e R$ 3.450,00.

O line up oficial foi divulgado em novembro de 2018 e entre os nomes renomados estavam a aguardada banda Arctic Monkeys, Twenty-One Pilots, o rapper Kendrick Lamar, além do já citado Tribalistas. Os demais nomes, como Lenny KravitzThe 1975 e Sam Smith, apesar de conhecidos, não pareciam fazer tanto barulho, assim como o resto do line up, cuja grande parte das últimas linhas eram tomadas por artistas nada mainstreams. Para remediar a impressão negativa, o festival anunciou em dezembro — um mês após o anúncio oficial — a escalação da banda Kings Of Leon entre os nomes de peso, o que deu uma melhorada na aparência pouco comprável do line up.

Contudo, o Lollapalooza continuou sendo uma opção pouco vantajosa no quesito financeiro, principalmente para aqueles que teriam que viajar de outros estados e, inevitavelmente, ter custos com passagem e hospedagem além dos gastos do festival. O próprio Rock in Rio, festival conhecido mundialmente e que costuma ser tão atrativo quanto, se mostrava mais vantajoso na equação atrações x investimento, tendo ingressos entre R$ 247,50 e R$ 495,00, com a opção para o cliente escolher entre sete dias de festival. Até o presente momento, o festival conta com atrações como Iron MaidenPinkBlack Eyed PeasMuseImagine Dragons e Nickelback. Durante a pré-venda, em novembro de 2018, mais de 198 mil Rock in Rio Cards foram vendidos e esgotados em menos de duas horas, o que segundo a organização do festival, foi um recorde histórico. A venda oficial está prevista para Abril de 2019.

Ainda sim, existem aqueles que optaram por ver os shows na gringa, seja por proximidade geográfica ou pela falta do seu artista favorito nos festivais nacionais. Um exemplo disso é o Luciano (@lucianocpi), que está com ingressos comprados para ver o Arctic Monkeys no Festival Asuncíonico, no Paraguai. Para o estudante de jornalismo de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a distância até o Paraguai não é empecilho. Na conversão direta, o ingresso para o festival que acontece em Asunción sai por volta de R$ 235 reais, preço menor até que o show solo da banda no Rio de Janeiro.

Luciano conta também que, pelo festival acontecer em uma quinta e uma terça-feira, pretende passar uma semana em Asuncíon com a namorada, com quem também dividirá as despesas do Airbnb. Ele acredita que além da economia, a experiência de conhecer outro país é algo para se colocar na balança antes de fazer uma escolha.

“Sobre o preço do Lollapalooza, eu não acho que esteja muito caro. O preço do festival subiu como várias outras coisas. O problema é que eu não vejo o line agradando o público da mesma maneira que já agradou anteriormente”.

Já Victor (@boanoitevictor) acredita que o valor do Lollapalooza Brasil 2019 está longe de ser condizente com as atrações. Ele ainda argumenta que pela maioria do público ser estudante, o valor real é colocado como meia-entrada e o valor da entrada inteira passa a ser surreal. “Esse foi o ano mais caro e o menos interessante com Tribalistas de headliner. Se fosse o Bruno Mars, eu entenderia”.

Entretanto, a história de Victor com um festival no exterior aconteceu por acaso. O rapaz que mora em Santa Catarina decidiu viajar para Buenos Aires com uma amiga devido a uma promoção de passagens, e descobriu que a semana da viagem coincidiria com as datas do Lollapaloza Argentina e então optou por unir o útil ao agradável. No primeiro momento, analisando os preços no Brasil, acreditava que os valores seriam altos, mas se surpreendeu quando fez os cálculos.

“Eu não sou estudante, não pago meia. As pessoas dizem que eles não cobram o comprovante de meia no Lollapalooza Brasil mas eu não iria correr este risco. Na Argentina não existe meia entrada. O ingresso para um dia, com conversão direta de dólares e taxas, o que cairia na fatura do meu cartão seriam R$ 320,00 comprando no último lote. Se fosse o primeiro, seria ainda mais barato! No Brasil seria mais de R$ 800,00”.

Os gastos com deslocamento não seriam tão diferentes. Victor conta que gastou cerca de R$ 700,00 com passagens para Buenos Aires, o que seria praticamente o mesmo se optasse por viajar para São Paulo. Ele sabe que parte disso se deve ao fraco momento econômico que a Argentina enfrenta, mas reconhece a maior acessibilidade no entretenimento do país e cogita ver outros festivais em países da América Latina no futuro.