Artista chega para quebrar estereótipos sobre estética e idade entre as mulheres com novo single, “Meu Bem”

Foi na transição do chamado Setembro Amarelo e Outubro Rosa que Meu Bem chegou ao mundo, misturando em uma só música as duas pautas que os meses são dedicados a discutir: saúde mental e feminina. Os versos compostos por Tais Alvarenga que agora renasce sob o pseudônimo de ALVA formam um verdadeiro manifesto feminista acompanhado de um clipe disposto a colocar o espectador a refletir sobre a pressão estética causada pela mídia e pela sociedade patriarcal em cima das mulheres.

O ROCKNBOLD teve a oportunidade de conferir o clipe na pré-estreia durante uma coletiva de imprensa virtual da cantora. Na ocasião, ALVA revelou que o conceito e o EP que está por vir ainda este ano estão prontos desde 2019, apenas esperando a oportunidade de lançar. Enquanto ainda usava seu nome de batismo no ramo artístico, a cantora foi jogada para o gênero alternativo pela própria gravadora, agora, ALVA vem com uma proposta totalmente diferente: a de entrar no mainstream com a música pop brasileira.

Por mais que a composição já tenha feito aniversário, a música possui um timing interessante. Desde o início do período de isolamento social por conta da pandemia de COVID-19, houve uma alta de 4.800% em relação à cirurgia plástica do nariz nos mecanismos de busca do Google entre março e junho. “Acho que a ALVA existe em momentos audaciosos, e é um trabalho muito inusitado. Então foi legal ter lançado agora porque as pessoas estavam em casa e acabaram se relacionando com isso de outra forma”, declarou a cantora durante o bate papo com os jornalistas.

Meu Bem é um trabalho autobiográfico em sua totalidade. Nos versos, ALVA cita não só a estereotipagem estética, mas também a que interfere na idade das mulheres. Sendo uma mulher que está se lançando num novo gênero musical aos 34 anos, a cantora enfrenta não só julgamentos sobre sua aparência. “As mulheres ainda são vistas para terem filhos porque a velhice está muito pautada na maternidade”, comenta.

Capa do single Meu Bem, já disponível em todas as plataformas digitais
(Imagem: Divulgação)

“Se a minha carreira andar ou não dependendo da minha beleza, foda-se. Eu pretendo ser uma mulher que chega antes do meu corpo”, declara. A artista comenta que inclusive seu trabalho é feito “para quem vem”, mirando principalmente a população mais jovem que está exposta à pressão estética das redes sociais. Para isso, ALVA utiliza uma atriz mirim no clipe de Meu Bem, elemento que faz muita referência a diversos clipes da SIA. A presença da garotinha tem o objetivo de retratar uma versão mais jovem da cantora sob toda o julgamento e imposição da mídia e da sociedade no corpo das mulheres.

“Interessa muito ao capitalismo que você inconscientemente tenha essa ansiedade e essa insatisfação com você mesma. A gente vive numa internet que não serve à saúde mental e física”, analisa ALVA.

A cantora iniciou uma ação com o lançamento de Meu Bem no Instagram, reunindo depoimentos anônimos de mulheres que já vivenciaram qualquer tipo de comentário indesejado sobre seu corpo ou idade.

O EP de estreia de Tais sob o pseudônimo de ALVA está para ser lançado em breve, mas já conta com quatro singles que o antecedem, incluindo Meu Bem: Como Vai Ser, Amor Que Chora e Honestamente, lançado bem no início do ano. Sem dar muitos detalhes, a cantora já adianta que seu EP abordará muito a saudade e o amor em todas as suas formas, inclusive o amor próprio, com a disponibilização da última música.