É um sábado de manhã de agosto. Estou em um teatro no Butantã, na zona oeste de São Paulo, acompanhando a banda de metalcore Axty na gravação de seu novo clipe da faixa “all i love”, último single antes do lançamento de seu quarto álbum de estúdio “The Pain Made Me Who I Am”, que será lançado três dias após a publicação desta matéria. Entre gravações e pausas, converso com o guitarrista Jonathas Peschiera, sentado em uma das cadeiras da plateia.
GF: Como você se sente hoje, agora que o lançamento do álbum está tão próximo?
JP: Estou ansioso. A galera tem reagido muito bem aos singles até agora. Ficamos ansiosos para ver como vai ser o lançamento do álbum completo. É uma ansiedade no melhor dos sentidos. Estou confiante porque, até agora, é o nosso álbum mais sólido.
Ele me olha e pensa por alguns segundos, talvez percebendo pela minha expressão que eu esperava uma explicação. O último álbum de estúdio da banda foi o Hannya, lançado em 2024. Desde então, a banda saiu em turnê com Lacuna Coil e Escape the Fate e tocou no festival We Missed Ourselves, na Cidade do México. Dois anos depois, a banda retorna com um novo projeto que mostra a sua maturidade.
JP: Esse álbum é mais uma unidade. Os outros pareciam mais dispersos.
GF: E qual foi a linha de raciocínio para a escolha dos singles? Foi algo mais no feeling?
JP: Ah, foi no feeling. Mas sinto que foi meio democrático, cada um de nós foi escolhendo as músicas de que gostava mais, vimos os pontos em comum e batemos o martelo.
Questionei qual seria a música favorita dele e ele afirmou ser “all i love”.
JP: Eu gosto do refrão, da experimentação de levada nessa linha de reggaeton nos versos. Acho os breakdowns especiais também.
GF: Você mencionou reggaeton. Você escuta gêneros variados ou escuta rock exclusivamente?
JP: Assim, é muito difícil eu ouvir música…Geralmente eu quero silêncio.
Vamos contextualizar: além de guitarrista, Jonathas também produz, então seu contato com a música é de praticamente 24 horas por dia.
JP: E, quando eu não estou trabalhando, eu quero um descanso pro meu ouvido, então é muito difícil eu parar para ouvir música. E, quando eu escuto, raramente é metal. Eu gosto muito e sempre me atualizo, mas pode saturar.
Talvez isso seja uma revelação polêmica se analisada superficialmente. Porém, é muito natural encontrar esses respiros do som quando se trata de músicos. O mesmo vale para o monstro de sete cabeças conhecido como “artistas do metal que consomem outros gêneros musicais”, algo que parece ser um dos piores pecados da cena. Na realidade, músicos precisam se atualizar e beber de inúmeras referências para a sua evolução. A inspiração pode vir de um jingle na televisão, de uma placa na rua ou de um hit de reggaeton. Essa é a beleza da arte e da produção musical: inspirações que surgem do silêncio ou de lugares inesperados e não convencionais.
O single e o clipe de “all i love” estão disponíveis para streaming neste exato momento, e o álbum “the pain made me who i am” será lançado dia 21 de agosto, nesta sexta-feira.