Os cariocas do Circus Rock lançaram seu segundo disco, Transmissão, repleto de críticas, apontamentos e descontentamento social. Recheado de participações especiais, o álbum traz 8 faixas constantemente enérgicas.

Explorar o cotidiano. Alegorizar a vivência por meio de discursos, riffs e compassos. Esse é o novo trabalho dos cariocas da Circus Rock, banda com pouco mais de 5 anos, aponta o dedo na cara do erro sem medo de repressão. Oriundos do Meier, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, os caras já pisaram em diversos palcos de renome da cena brasileira, como o Circo Voador, por exemplo. Nessas idas e vindas da estrada, a Circus hoje conta com Bernardo Tavares (vocal), Alex Heink (guitarra), Eduardo Lopez (guitarra), Thales Ramos (baixo) e Hugo Rezende (bateria), descarregando a fúria de uma sociedade que cega os sonhos e a liberdade das pessoas.

2020 é ano de transmissão de ideias para a Circus. Amanhã sai o mais novo trabalho de estúdio dos caras, intitulado Transmissão (pegaram a referência ali em cima?), com 8 faixas, espalhadas entre baladas e linhas tortas de ‘tupatupa’ que dão aquela vontade de dançar. Com algumas participações, o disco chega para concretizar ainda mais o trabalho que os cariocas vêm fazendo ao longo dos anos. Tivemos acesso ao cd antes do seu lançamento, e trocamos uma ideia com o vocalista Bernardo sobre ele, carreira e futuro. Desce aí!

Circus Rock: Transmissão
Foto: Circus Rock / Daniel Marques

ROCKNBOLD – Pra gente dar início ao papo, Bernardo, fala um pouco sobre a Circus pra galera que não conhece o som de vocês.

Bernardo – A Circus começou como uma brincadeira de moleques de bairro e colégio, sem saber muito o que fazer, o importante era se divertir e tocar os sons que a gente curtia na época. Passou quase 6 anos e muita coisa mudou. Entendemos que tínhamos que criar nossos sons e que precisamos passar uma mensagem e nos posicionar. Todos os membros vêm da geração dos anos 2000, influenciados pelo hardcore, new metal e pelo rock alternativo que começava a surgir. Atualmente somos uma banda de post-hardcore, mas, acho que dá pra sentir a influência de outras coisas. Falamos sobre os problemas do nosso país, cidade, bairro. Falamos sobre os nossos problemas e relações. Não tem regra, o importante é ser verdadeiro e passar uma mensagem construtiva.

ROCKNBOLD – O álbum Transmissão é o segundo álbum cheio da banda. Como foi o processo de criação e gravação dele?

Bernardo – Depois de criar um cd bem improvisado em casa e de soltar vários singles, a gente cismou que tinha que criar um álbum que os sons fizessem sentido junto e que a produção fosse o mais profissional possível, juntando toda a experiência dos últimos anos tocando e gravando por aí. A criação em si foi até rápida, os temas dos sons vieram rápido, é como se a gente tivesse a necessidade real de falar sobre essas coisas, então acho que vai acontecendo naturalmente. Aos poucos entre os shows e ensaios a gente foi criando música por música, e quando percebeu, já tínhamos faixas suficientes e elas basicamente já se interligavam sem ter que ter pensando muito. A gravação foi meio turbulenta, foi um momento de troca de membros da banda e também marcada por conseguirmos a grana pra gravar devidos aos shows e festivais que organizamos com ajuda de muitos amigos e bandas. Na semana da gravação, depois de ter conseguido tudo, chamado um produtor que a gente admirava, tendo todo o equipamento possível, a gente começou a perceber que talvez nem tivesse pronto pra aquilo. Aprendemos muito na gravação, passamos alguns sufocos pra conseguir mandar bem em tudo, mas no final foi missão cumprida e o resultado, pelo menos pra gente, foi impecável.

ROCKNBOLD – Dentro do álbum é possível encontrar algumas participações especiais, como a do Caio Weber (Cefa); Milton Aguiar (Bayside Kings); o rapper Marcão Baixada, Rodrigo Lima (Dead Fish), entre outras. Como foi fazer essa seleção de feats?

Bernardo – As ideias de participações foram surgindo naturalmente com as nossas conversas e ensaios, as vezes gente parava e pensava “Pô, essa parte aqui combina muito com fulano ou ciclano, bora tentar convidar?” e quando geral concordava a gente ia atrás e fazia o convite. Os nomes escolhidos são de fato caras que a gente é muito fã ou amigo, pessoas que a gente acompanhava ou acabou se esbarrando em shows e nessa vida do rock Independente e underground. Acho que somou muito sabe? Os caras realmente deixaram ali uma contribuição foda.

ROCKNBOLD – Ao ouvir o Transmissão, é possível observar letras de cunho político/social e que trazem muito do cotidiano. Pra vocês, qual a importância de se abordar esses tipos de tema nas músicas?

Bernardo – Acho que esse ponto é realmente o mais importante da banda. Desde o nosso primeiro som, a gente tem como objetivo passar uma mensagem que faça alguma diferença, mesmo que mínima.  Seja de cunho social ou algo mais pessoal, é muito importante passar algo construtivo. Nossos temas são sempre sérios e a gente não pode fingir que tá tudo bem e se omitir, temos que estimular as pessoas a pensarem sobre, a se informarem e entenderem como as coisas estão acontecendo. Artistas que tem poder de influência e não usam isso pra algo construtivo, pra mim, não tem moral nenhuma.

Circus Rock
Foto: Circus / Fernando Valle

ROCKNBOLD – Pra gente fechar, o que a galera pode esperar da Circus Rock pra esse restinho de 2020? Como vocês pretendem espalhar o cd, já que o presencial está fora de cogitação?

Bernardo – Podem esperar mais clipes, mais materiais ao vivo, vídeo aulas, depoimentos explicando cada letra, versões de quarentena e até mesmo mais alguma live. Vamos fazer de tudo um pouco pra espalhar o álbum e nossa mensagem!

Ansioso pra ouvir o novo trampo dos caras? Corre pras plataformas digitais deles, que meia noite chega por lá! E claro, sigam o trampo deles nas redes sociais também, o underground depende dessa força/união. Vamo pra cima!