Antes de mais nada, se você adora a cena musical indie ou alternativa, e ainda não conhece a Marrakesh, deveria e muito separar um tempo para ouvir as músicas da banda. E principalmente, fazer isso logo após terminar de ler esta entrevista que fizemos com eles. Marrakesh é uma banda curitibana, que foi fundada em 2014, e atualmente em sua nova formação é composta por 5 integrantes: Bruno Tubino (vocal e guitarra), Lucas Cavallin (vocal e guitarra), Daniel Tupy (vocal e baixo), Thomas Berti (vocal, sintetizadores e guitarra) e Matheus Castella (vocal e bateria).

Sem dúvida, poucas palavras definem tão bem o som da Marrakesh quanto AUTENTICIDADE, MODERNISMO E INOVAÇÃO. A banda, que já possui um álbum e um EP autoral gravado, lançou recentemente seu segundo EP da carreira, o “Knots”. Entrevistamos a Marrakesh para conversar um pouco sobre este novo trabalho, carreira, e a cena indie brasileira.

Confira abaixo a entrevista que fizemos com eles

marrakesh

ROCKNBOLD: Hoje a Marrakesh é formada por 5 integrantes, alguns deles morando em São Paulo, e outros em Curitiba. Como se desenvolveu o processo de produção desse EP com todo esse caos da pandemia rolando, e mais a distância com os parceiros de banda?

Thomas (Vocal e Synths): Começamos a compor o EP lá em 2018. Conseguimos fechar as 3 primeiras músicas lançadas antes da pandemia estourar. Já ‘Euthanasia’ e ‘Evil Eye’ foram feitas à distância. O processo foi completamente novo pra gente, mas acredito que criou uma forma de todos aplicarem suas ideias de um jeito mais conciso. Aprendemos a ser mais objetivos na hora de produzir e, mais do que tudo, confiar um no outro.

ROCKNBOLD: Mesmo ainda tendo pouco reconhecimento no Brasil, vocês são uma banda que já tocaram em um dos maiores festivais da Europa (Primavera Sounds), e para este EP, trabalharam em conjunto da “tmwrk records”, selo musical da Califórnia. Quais as principais diferenças que vocês enxergam no modo geral, da cena indie internacional, para aqui no Brasil?

Lucas (Vocal e Guitarra): É difícil dizer. A gente não conseguiu ainda viver uma experiência lá fora ainda da mesma forma como a gente conseguiu aqui no Brasil, por conta de como tudo aconteceu nesse último ano, mas acredito que no fundo tudo seja bem parecido. Algumas proporções mudam obviamente mas acho que nesse próximo ano vamos conseguir responder melhor definitivamente.

ROCKNBOLD: Vocês chegaram a falar nos stories do Instagram da banda que o “Knots” era para ser um álbum, e não um EP. Por quais motivos ele acabou sendo finalizado como um EP?

Thomas(Vocal e Synths): Pois é! A ideia inicial era sim compor um álbum. Estávamos num ritmo ótimo quando começamos a produzir essas músicas novas. Tínhamos muitas demos e conseguimos finalizar quase uma por mês. Com todo esse foco a expectativa era alta para 2020. Mas aí veio a pandemia e os planos foram se desfazendo. Ficou cada vez mais difícil da gente se encontrar e com isso tivemos que aprender um novo jeito de compor. Nisso o tempo foi passando e começamos a sentir a necessidade de começar algo novo e, com isso, fechar esse ciclo com um EP ao invés de um álbum.

Confira a série de clipes feitas para o EP “Knots”

ROCKNBOLD: Sabemos que principalmente para estas bandas fazem parte mais do underground do que no mainstream, a importância dos shows é imensa para que se consiga propagar melhor o reconhecimento do álbum e da banda. Nessa situação que estamos hoje, qual o maior objetivo de vocês com o lançamento deste EP?

Lucas (Vocal e Guitarra): Cada lançamento retrata uma fase e um momento da nossa vida, e apesar de tudo que aconteceu nesse último ano, foi muito importante pra gente colocar pra fora esse trabalho. O maior objetivo é que as pessoas escutem em casa e que a gente consiga entregar com sinceridade quem a gente é no momento.

ROCKNBOLD: Ao ouvir o “Knots”, e principalmente a faixa “Trippin”, senti uma mistura bem contemporânea do pop com o hip hop, algo que se assemelha a faixa Life Goes On do BTS. Vocês consomem K-POP ou se inspiraram minimamente na sonoridade para produzir essa ou outra faixa do EP?

Dani (Vocal e Baixo): K-POP se tornou algo mais presente na minha vida no meio do ano passado, fiquei viciado no grupo BLACKPINK e consumi mais alguns grupos do gênero. Não me adentrei tão afundo no BTS mas sei que o Castella está amando. E também foi uma decisão consciente explorar um lado mais “boyband” na Marrakesh e o plano é cada vez mais ir por esse caminho. 

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ROCKNBOLD: São quase 5 anos desde o lançamento do Vassiliki”, primeiro EP de vocês. Daquele trabalho para este de 2021, quais são os maiores pontos de evolução da banda que vocês enxergam?

Lucas (Vocal e Guitarra): O que a gente mais sente é que colocamos outra parte da nossa personalidade nesse EP, foi de forma espontânea mas a gente tem esse lado muito mais leve e divertido e essas músicas retratam isso assim como o “Vassiliki” retrata outra fase e outro momento de quem a gente realmente é.

ROCKNBOLD: Mesmo com tudo ainda muito incerto por conta da pandemia rolando (mas a vacina está logo aí) quais são os maiores planos e objetivos de vocês como banda para 2021?

Thomas(Vocal e Synths): A vacina nos deixou muito otimistas sobre muitas questões mas, sendo realista, é muito cedo para pensar em algo que não seja digital ou interno. Vamos lançar em breve um clipe e também uma live nossa tocando as músicas do EP. Mas nosso maior objetivo é começar a produzir um segundo álbum, com material completamente novo. Estamos estudando a melhor forma de fazer isso acontecer, mas com certeza não ficaremos parados.

ROCKNBOLD: Para quem estiver conhecendo vocês agora ter uma referência do trabalho de vocês, cite 3 artistas ou bandas nacionais, e 3 internacionais que o som de vocês se assemelham?

Bruno (Vocal e Guitarra): Acho difícil citar artistas nacionais até porque cantamos em inglês. Mas teriam alguns amigos que sempre estão junto conosco e cantam músicas em inglês: Banda Raça, Gab Ferreira e Rosabege. Agora de artistas gringos, a gente sente uma semelhança por mais que distante com: Bladee, The Neighbourhood e Brockhampton.

ROCKNBOLD: Quero agradecer demais a atenção de todos vocês, e desejo também todo sucesso do mundo pra banda. Foi uma prazer entrevistar vocês mesmo que virtualmente. Quem sabe em breve rola um presencial com a banda toda, não é mesmo?

Marrakesh: Prazer é todo nosso! Muito obrigado pela atenção. E com certeza essa possibilidade não irá faltar, em breve quem sabe já esteja acontecendo.