De problemas de saúde e relacionamentos conturbados à distância das redes sociais, Selena Gomez hoje é uma das principais vozes do mundo pop na luta contra depressão e ansiedade, apoiando abertamente o debate e conscientização sobre saúde mental

Para muitos Selena Gomez começou a ser vista como ídola enquanto estrela teen do Disney Chanel, mas hoje a atriz e cantora é vista e reconhecida como muito mais do que isso. Em 2015, Selena anunciou ter lúpus eritematoso sistêmico (LES), também conhecido apenas por lúpus, e desde então vem se mostrando muito mais atenta e cautelosa com sua saúde física e mental e, além de tudo, uma grande ativista dessa última.

Ela iniciou sua carreira de atriz ainda criança, atuando no programa infantil Barney e Seus Amigos, mas apenas em 2008 formou a banda Selena Gomez & The Scene ao assinar com a Hollywood Records. Um dos principais hits do grupo foi o single “Who Says” no qual abordam a autoaceitação e inseguranças, assuntos que ela viria abordar futuramente por meio de suas canções, influência e outros trabalhos. A parceria resultou em três álbuns até que se separaram em 2012 e ela seguiu em carreira rolo.  

Com apenas 17 anos, Selena já era embaixadora da UNICEF, mostrando dar grande importância para causas sociais e participando ativamente de eventos, campanhas e iniciativas para arrecadar fundos para promover os direitos das crianças.

Seguindo sua carreira musical, após um certo tempo se dedicando a filmes, lançou o primeiro álbum solo Stars Dance e realizou uma turnê mundial, que, infelizmente, veio a ser suspensa por motivos pessoais com a justificativa de que precisava de um tempo consigo mesma. Anos depois, Selena confirmou que essa pausa foi dada ao receber o diagnóstico de lúpus e a necessidade de realizar o devido tratamento.

Após reabilitação, términos e amadurecimentos, Selena retornou para as playlists de lançamento em 2015com Revival e músicas bem mais voltadas para si e não para pistas de dança, afirmando entre elas “renasço a cada momento, ninguém sabe no que vou me transformar”. Para anunciar seu “retorno” a cantora lançou uma coletânea intitulada For You e realizou a sua marcante apresentação no AMAs do single “The Heart Wants What it Wants”, com uma letra extremamente pessoal e emocionante.

A era Revival contou com diversas apresentações em premiações e eventos, participações em programas de tv e a grande turnê de mesmo nome. Infelizmente, em agosto de 2016 ela anunciou que não terminaria a agenda de shows por questões de saúde, visando tratar suas crises de depressão e ataques de pânico resultantes do lúpus. “Eu quero ser proativa e focar em manter minha saúde e felicidade e decidi que o melhor caminho a seguir é dar um tempo… Eu preciso enfrentar isto de cabeça erguida para garantir que estou fazendo todo o possível para o meu bem”, disse.

Desde então a artista se mostrou cada vez mais ligada, atenta e preocupada com a saúde mental (dela e de quem a acompanha). Inclusive, Selena foi produtora executiva da série de drama 13 Reasons Why, lançada em 2017. A produção, apesar de ter atingindo um grande público, foi muito criticada pela forma que abordou o suicídio, bullying e demais aspectos, mas resultou em grandes debates sobre os temas ao redor do mundo. E era exatamente o que a cantora desejava. Ao comentar críticas, ela reconheceu os erros que a série possui, mas também fica feliz e orgulhosa pelo alcance que teve e os diálogos que ela possivelmente gerou.

Além dos ataques por conta da produção, Gomez vinha sendo criticada por suas mudanças de peso em decorrência das medicações e passou por um transplante de rim. Nesse meio tempo atriz se afastou das redes sociais passou a viver mais seus momentos entre amigos e família. Após toda a dificuldade enfrentada durante o ano, ela foi premiada como “Mulher do ano” pela Billboard, recebendo o prêmio das mãos de Elle Fanning e Francia Rasia (sua amiga e doadora do rim).

Em nenhum momento Selena deixou seu discurso acerca dos tratamentos psicológicos, o que ela sofria e a importância disso de lado. Muito pelo contrário. Em janeiro de 2019, em parceria com Julia Michaels, lançou o single “Anxiety”, falando sobre ansiedade, depressão, overthinking e a dificuldade para escapar dos pensamentos ruins. Isso se tornou tão presente e importante em sua vida (principalmente por sofrer com isso e sentir na pele os medos, receios e as crises) que ela foi homenageada pelo hospital McLean por ser uma personalidade que incentiva e colabora para o conhecimento da população a respeito de tratamentos psiquiátricos, sua importância e saúde mental. Ao receber o premio, a cantora falou sobre ansiedade e depressão e afirmou “senti como se toda a minha dor, ansiedade e o medo tomassem conta de mim, foi um dos momentos mais assustadores de minha vida”.

No final desse mesmo ano ela começou a divulgar os singles de seu próximo álbum Rare, que veio a ser lançado em janeiro de 2020, falando sobre relacionamentos, saúde mental e suas crises de ansiedade. As faixas que merecem maior destaque nesses aspectos são “Lose You to Love Me”, composta ao lado de Julia Michaels falando sobre um inimigo que tenta a derrubar, aceitação e amor próprio. Há quem diga que a música fala sobre seu antigo relacionamento com Justin Bieber, mas também existem teorias sobre seu inimigo ser a própria saúde dela. Já “Dance Again” é sobre a superação das dificuldades que ela enfrentou ao longo dos últimos anos e a possibilidade de ela estar dançando novamente e bem. Por último, vale destacar “Sweeter Place” e o tempo que ela passou afastada da mídia para se cuidar.

Letras como essas são de extrema importância pois podem dar voz aos pensamentos dos que as consomem, principalmente no caso de Selena que tem seu maior público passando pela adolescência ou início da vida adulta, e podem ajudar a identificar seus sintomas. A representatividade que elas trazem também merece destaque, pois mostram que ninguém está sozinho nessa e até mesmo grandes ídolos (muitas vezes vistos como inalcançáveis) enfrentam momentos de fragilidade e sofrem com tais doenças.

Hoje a cantora vem se dedicando muito à sua marca de maquiagem, Rare Beauty, trazendo produtos mais leves e com o objetivo de ajudar as pessoas a se aceitarem como elas são, realçando sua beleza natural e não se encaixando em padrões estéticos. Junto da marca também foi criado o Rare Impact Fund, que busca arrecadar 100 milhões de dólares nos próximos 10 anos para organizações locais, nacionais e globais voltadas para tratamentos e incentivos para a saúde mental. Isso será feito direcionando parte do valor arrecadado com as vendas e ao lado de unidades filantrópicas.

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