Duo estadunidense representa grande parte da juventude moderna: com sonoridade cheia de energia e abordando de forma consciente temas como ansiedade e depressão, Tyler e Josh vêm conquistando multidões por onde passam, ecoando a voz de uma geração

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Inegável que o Twenty One Pilots é, indiscutivelmente, uma das maiores bandas da nova ‘década de 10’ e, talvez, do século XXI. A dupla formada por Tyler Joseph e Josh Dun conquistou o mundo pela mistura de vários elementos populares na música mainstream, como o pop, rock, hip hop e electropop. Mas muito além disso, o carisma e a forma como eles transmitem sua mensagem, de uma maneira “jovial” e acessível para todos os ouvintes é o ponto forte, principalmente por eles tratarem um tema tão importante e necessário nos debates de jeito maduro e “fácil” para quem recebe o que eles querem transmitir.

Desde o seu disco homônimo lá em 2009, a dupla de Ohio deixa bem claro o que gostaria de passar para quem escuta suas músicas. Muito além do instrumental diferenciado e exemplar, além da belíssima estrutura das canções, o grande foco vem das letras extremamente dramáticas de Tyler, que deixou claro que elas são coisas que ele gostaria de dizer, mas que, em uma conversa normal, ele não consegue. O vocalista enxerga a música como uma forma de tirar muita coisa do peito relacionada a problemas do cotidiano, de maneira que sirva para ajudar os outros.

Em um mês tão importante como o número 9 do ano, onde “celebramos” o Setembro Amarelo, uma luta silenciosa em busca da saúde mental, contra desastres internos, que, muitas vezes, levam a consequências sem volta, é de suma importância destacar que o Twenty One Pilots é uma daquelas bandas/artistas que são primordiais nesta luta, por transmitirem isso de maneira recorrente e como uma facilidade grandíssima de chegar nos ouvidos de quem escuta.

(Foto: Divulgação/Twenty One Pilots)

Tudo que a dupla produziu até hoje, tem um significado. No Twenty One Pilots (2009), quando a banda era formada por três integrantes, eles embarcaram fundo nos problemas de um adolescente e como isso mexe com a cabeça dele. As faixas “Addict with a Pen” e “Oh Ms Believer” exemplificam isso com todo seu drama, típico de Tyler Joseph. Mas o álbum homônimo foi apenas uma “migalha” do que viria ainda mais a frente, onde nós vamos pular o Regional at Best, já que é um disco “descontinuado”.

Chegamos, então, no Vessel (2013), trabalho que alavancou o TOP a patamares gigantescos, e não era para menos. A mensagem já fica clara no título do disco, como bem fala Joseph: “Vessel (nosso corpo) é um objeto que carrega algo muito mais importante do que a casca externa, e quando morremos, é libertado e vive”. A emoção e até energia transmitida por tudo que engloba o álbum é poderosa por uma grande questão: Tyler Joseph é muito mais que apenas um cantor ou compositor. Ele é, acima de tudo, um “artista” e intérprete na forma como performa as músicas, seja ao vivo ou nas canções gravadas em estúdio. O vocalista não tem o mínimo medo de gritar, libertar os “demônios” que estão dentro de si numa luta cansativa e diária para ficar bem consigo mesmo. São diversas as faixas que conseguem transmitir a mensagem, como “Holding Onto You“, “The Run and Go“, “Car Radio“, “Migraine” e, principalmente “Guns for Hands“, canção que foca na luta contra o suicídio, buscando tirar toda a energia negativa e mirar em alguma coisa, mas não em você mesmo.

Estou tentando, estou tentando dormir. Mas eu não posso, mas eu não posso, quando todos vocês têm armas para as mãos – “Guns for Hands”

Passando de um disco mais emocional e “sincero”, o Twenty One Pilots mostrou uma evolução no seu som, mantendo a estrutural, mas inserindo outras vertentes de maneira ainda mais assídua no seu álbum de maior sucesso até hoje: o Blurryface (2015). De cara, a dupla nos apresenta um “personagem” que tem o próprio nome do disco. Mas quem ele? Bom, o “Blurryface” nada mais é que a depressão, ansiedade, as inseguranças de Tyler Joseph no projeto, mas com o foco em todos nós que temos um “Blurryface” para lutar contra. É contra ele que você precisa lutar para viver. Durante todo o disco, nas músicas em si e, principalmente, nos clipes, ele está presente, e sempre com Joseph lutando contra ele.

(Foto: Divulgação/Twenty One Pilots)

Esse personagem quer te derrubar, mas você é mais forte que isso, resumindo de maneira mais simples. Porém, você é mais forte que isso e está firme nesta luta. Grande sucesso da dupla até hoje, “Stressed Out” pode parecer uma música “para cima”, mas ela destaca a dura realidade de crescer e encarar tudo, o que pode acabar te cansando de tudo, mas você acaba precisando “relaxar”. Além dela, “Ride” destaca que se comprometer com sua saúde mental pode ser difícil, ainda mais quando você está pensando demais. Então é bom, para não aumentar os problemas, diminuir a velocidade, curtir e relembrar os bons momentos. Quem também merece destaque é a ótima “The Judge“, que foca nas inseguranças e como elas podem piorar muito quando se está com problemas de saúde mental. Basicamente, Joseph consegue transformar tudo isso em palavras.

Mas eu não sou bom com direções, e me escondo atrás da minha boca. Eu sou um profissional em imperfeições, e eu sou o melhor amigo da minha dúvida. E agora que minha mente saiu, e agora eu ouço isso claramente e alto, eu estou pensando: “Uau, eu provavelmente deveria ter ficado dentro de casa” – “The Judge”

Chegando no último lançamento da dupla, o Trench (2018), os norte-americanos não mudaram seu foco lírico: suicídio, inseguranças e saúde mental, mas com um conceito baseado numa vila chamada “Trench”. Ele segue a mesma linha dos seus antecessores, falando bastante de como essas “vozes” podem te destruir por dentro, com foco nas inseguranças e o que deve ser feito para limpar tudo isso dentro de você. Um exemplo muito bom disso é a faixa “Chlorine“, que bate na tecla dessa “limpeza” de pensamentos obscuros na sua cabeça.

Cut My Lip“, por exemplo, tenta transmitir uma mensagem positiva de perseverança, mesmo nos momentos mais difíceis que nosso corpo e alma esteja passando. Mas, talvez, a música que mais se encaixa no nosso contexto atual, do que este texto quer passar, é “Neon Gravestones“, faixa com um instrumental até melancólico, onde Joseph ataca a mídia pela “glorificação” do suicídio, principalmente tratando de artistas musicais, dizendo que os meios de comunicação, e até as pessoas, não levam a sério como deveriam essa crise em relação ao suicídios, o grande fim e derrota na luta contra a depressão.

Nossa cultura pode tratar uma perda como se fosse uma vitória e logo antes de enfrentá-los, nós lhe damos o maior elogio e penduramos sua bandeira no teto. Comunicando, mais gravando, uma sepultura anterior é uma forma opcional – “Neon Gravestones”

Indiscutível o quão significativo é tudo que o Twenty One Pilots tem transmitido desde que apareceu no cenário musical. Suas mensagens são claras desde o início, abordando temas seríssimos, de uma luta que muitos são incapazes de vencer, mas que, também, outros são fortes o suficiente para derrotá-lo. Sim, estamos falando das inseguranças, problemas mentais, dúvida que paira pela cabeça e sobre o que fazer quando tudo parece estar acabado. Tyler Joseph é um cara que, com certeza, já lutou várias vezes contra seus demônios internos, e ele não é o único, mas um exemplo a ser seguido, por conseguir ajudar as pessoas através da música.

Muito mais que uma dupla fantástica em termos técnicos, da música em si, da magia dos instrumentos, o Twenty One Pilots é, acima de tudo, a voz de uma geração na luta pela saúde mental. Os norte-americanos amadureceram bastante desde os primeiros trabalhos e cresceram juntos do seu público, que acompanhou essa evolução de como tratar uma temática tão difícil e, muitas vezes, subestimadas pela sociedade. A dupla não tem medo de entrar numa luta que não é só deles, mas sim de muitas e muitas pessoas pelo mundo. Aqui, a música é um gás gigantesco na batalha para a preservação e bem-estar de todos.

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