A banda Chase Atlantic salta para seu terceiro álbum – o mais temido para os artistas- de forma consolidada em seu nicho. Em Beauty In Death, saem da zona de conforto e apostam em algo autêntico de forma confiante, principalmente por conta do amadurecimento do som com letras ainda mais pessoais.

Obviamente, o mais impactante no texto é a palavra “death” (morte), não encarando-a da forma mais densa que seu significado possui, mas sim na beleza do final de ciclos e na união que esse sentimento representa, trazendo algo doloroso de forma artística. O trio conviveu junto ao longo da pandemia, cada um em seu estúdio, localizado dentro dos quartos. Normalmente, desenvolviam as ideias separadamente e se uniam para criar algo único.

O escapismo sempre norteou as letras da banda. Beauty In Death trouxe isso em um caleidoscópio de possibilidades, desde alcançar a fama sem se aprofundar em problemas antigos, até abuso de drogas e bebidas como entorpecentes.
Sonoramente, continuam explorando o híbrido entre R&B, rock alternativo e hip hop, adicionaram outros gêneros para dar a melodia a mesma complexidade das letras. Mesmo assim, a mistura inusitada emerge de forma contida, muito apoiado principalmente no R&B alternativo e no hip hop. Apesar disso, brincam com a textura nas melodias, principalmente na ausência delas, recurso para reforçar frases que exprimem os sentimentos principais das letras.

Sobre o álbum

“PARANOID” abre o álbum sintetizando toda a sonoridade que irá predominar no álbum. O R&B com o hip hop traz uma atmosfera densa, explorando os vocais distorcidos. A quebra da canção para o rock alternativo quebra as batidas apresentadas anteriormente e traz algo que o Post Malone explorou em “Hollywood’s Bleeding”. Em “PLEASEXANNY” o pop e o trap prevalecem, criando uma batida hipnótica, comparando-a com o remédio para a ansiedade, Xanny (apelido do Xanax), que também pode ser a analogia para alguém que o acalma tanto quanto o remédio. “OUT THE ROOF” foi a primeira música divulgada (em agosto de 2020) e une texturas orientais com trap, possivelmente a combinação mais fora do comum do álbum.

“SLIDE” foi o single que anunciou o Beauty In Death em janeiro de 2021. O trap predomina, porém o mais notável é o refrão, com uma construção que ficará na sua cabeça por dias. O clipe menos ambicioso foi gravado em estúdio, com visual impactante e predomínio da cor vermelha, anunciando o tom predominante da nova era. O saxofone ao final aflora o charme e a sensualidade frenética da canção.

“BEAUTY IN DEATH” carrega o nome do álbum e apresenta o lado mais pop presente nele também. O escapismo retratado nessa música está mais votado no materialismo e a tentativa de preencher as lacunas de nossa existência com algo superficial. Flerta muito na sonoridade do segundo álbum do The 1975, “i like it when you sleep for you are so beautiful yet so unaware of it”.

Segunda metade

“PLEASE STAND BY” é a única com colaboração do álbum, com DE’WAYNE e Xavier Mayne. Imediatamente o trap e hip hop voltam a dominar a sonoridade de maneira inebriante. Logo depois, “ALEYUH” carrega o R&B alternativo com uma base mais simples, desacelerando levemente o ritmo apresentado anteriormente. “MOLLY” prossegue explorando a sonoridade do R&B alternativo com o trap. Não somente isso, a letra explora a relação turbulenta entre medicamentos e drogas. A droga é como um relacionamento amoroso, em seus altos e baixos. Ou seria Molly uma droga específica?

“CALL ME BACK” soa muito como trabalhos anteriores do The 1975. O pop pessimista reflete o sentimento de solidão e começa o processo de devolver o ritmo mais acelerado. “I THINK I’M OKAY”, assim como a anterior, mantém o pop pessimista e diminui o ritmo novamente, explorando mais uma vez o uso do saxofone, mas por um período maior de tempo. “EMPTY” apresenta pensamentos sombrios, como nada os deixa 100% satisfeitos e plenos, porém em um ritmo mais leve e apesar disso, com batidas entorpecentes. “WASTED” encerra o projeto com uma melodia mais ensolarada, em dualidade com a letra, que reflete um ciclo que não morreu ainda, mesmo com todas as reflexões realizadas ao longo do álbum. Por fim, “WASTED” devolve o rock alternativo, encerrando com o gênero que o abriu.

NOTA: 8/10

Shows no Brasil

Chase Atlantic - Beauty in Death shows no Brasil

O trio anunciou os shows de sua primeira turnê aqui no Brasil em agosto de 2020, com datas previstas para março de 2021. Infelizmente, por conta da pandemia, os shows foram remarcados para agosto, o que não diminuiu a ansiedade dos fãs da banda.

Por mais que São Paulo seja a cidade que está em disparada no número de ouvintes mensais no Spotify, a data verdadeiramente esgotada é para o show que acontecerá no Rio de Janeiro. Caso você ainda não tenha adquirido o ingresso, vocês podem comprar aqui para Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo.