O legado de Mick Jagger: o frontman do icônico Rolling Stones completa 77 anos

No último dia 26, o frontman Mick Jagger comemorou seus 77 anos. Conheça a trajetória de um dos principais nomes do rock e da banda lendária Rolling Stones!
Mick Jagger em 1965

No último domingo, 26 de julho, o vocalista da icônica Rolling Stones, Mick Jagger, completou 77 anos. Conheça um pouco da trajetória de um dos principais nomes do rock e sua banda lendária.

Dois amigos de infância se reencontrando em uma estação de trem em Dartford, Inglaterra em outubro de 61. Algo casual em que nem Mick Jagger (vocal), nem Keith Richards (guitarra) poderiam imaginar que o amor de ambos pelo rock n’ roll acabaria transformando-os em um dos nomes mais icônicos, bem-sucedidos e ainda na ativa da história do gênero. 

No cenário do rock na década de 1960, os Beatles foram os responsáveis por apresentar as bandas britânicas para o resto do mundo. Enquanto eles representavam a cena de Liverpool, um outro grupo chamava a atenção em Londres: os Rolling Stones. Um dos maiores nomes da Invasão Britânica segue na ativa até hoje, excursionando pelo mundo todo e apresentando todos os seus hits para diversas gerações.

Por Bruna Antenore e Júlia Baruki

A década de 60:

A banda foi formada em 1962, quando os dois foram convidados por Brian Jones (guitarra) a formar a banda definitivamente. Bill Wyman era o baixista e Charlie Watts tornou-se baterista em janeiro de 1963. Assinaram seu primeiro contrato com a Decca Records, que tinha recusado os Beatles. A fama de não serem bons moços surgiu através dos empresários, que desenvolveram a frase de propaganda mais famosa da banda: “Você deixaria sua filha casar-se com um Rolling Stone?”. A partir daí, além do público masculino que sempre marcou presença nos shows, as “Stones Girls” surgiram nos shows para ficar. 

Nenhuma outra banda conseguiu se manter tão consistente e relevante ao longo de todos os seus anos em atividade. Unidos pelo Chicago blues em 1962, após cinquenta anos de sua formação, os Rolling Stones mostram que parcerias no rock, como entre Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts, podem ser duradouras.

Conhecidos na cena local por incorporarem ao rock toda a base deles no blues e no R&B, os Stones tocavam em diversos pubs ao redor de Londres. As influências deles eram tão presentes em seu repertório, que os dois primeiros trabalhos do grupo consistem praticamente em covers de seus ídolos. “The Rolling Stones” (1964) exibe o que a banda apresentava em seus shows, como o cover de “Carol” do Chuck Berry.

Da mesma forma que a parceria entre Lennon e McCartney marcou o cenário da música mundial, o grupo londrino tinha como melhores letristas a dupla Jagger e Richards. “Tell Me”, nona faixa do primeiro álbum deles, é a primeira balada assinada pelos os dois. Em “The Rolling Stones No. 2”, mais duas parcerias entre os dois são gravadas, mas o destaque ainda são as regravações. 

O lado criativo deles começou a receber o reconhecimento do público a partir de 1965. Nesse ano, “Out Of Our Heads” foi lançado e contou com o hit “I’m Free”. O disco, mesmo não sendo um dos melhores da carreira do grupo, representou a primeira virada em suas trajetórias, pois representa o momento em que eles começavam a construir sua sonoridade própria e confiar em suas músicas. 

Em junho do mesmo ano, o compacto “ (I Can’t Get No) Satisfaction” passou a conquistar não só os fãs da banda, chegando a alcançar o primeiro lugar nas paradas americanas. No Reino Unido, ela estreou em agosto e foi o quarto single número 1 do grupo. Hoje, a música é conhecida como uma das melhores do rock, com o riff da guitarra de Richards sendo instantaneamente reconhecido. No entanto, na época, muitas pessoas torceram o nariz para ela, a considerando ofensiva ao ser uma crítica ao comercialismo e falar sobre relações sexuais em partes da letra. 

https://www.youtube.com/watch?v=OZ8GZ3PFVGM

Com “Aftermath” (1966), os Stones apresentam seu primeiro trabalho totalmente autoral. As quatorze faixas assinadas por Jagger e Richards ainda conta com as experimentações sonoras de Brian Jones. O multi-instrumentista da banda aproveitou a adesão dos integrantes ao movimento psicodélico e inseriu instrumentos como a cítara, gaita, órgão e até sinos ao som do grupo. O resultado foi o primeiro álbum clássico da discografia deles, contando com “Mother’s Little Helper”, “Under My Thumb” e “Out Of Time” em sua tracklist. Nesse ponto, Jones era um dos integrantes triviais do grupo, tanto que ele foi o responsável pela guitarra de “Paint It, Black”, hit lançando também em 1966. 

Da mesma forma que a carreira dos Beatles decolava e eles ficavam cada dia mais famosos, os integrantes dos Stones também passavam pelo mesmo processo. No entanto, enquanto os Beatles eram reconhecidos pelas roupas combinando, atitude de mocinhos e composições que serviam para derreter o coração das fãs adolescentes, os Rolling Stones eram retratados como rebeldes e intimidadores. A “rivalidade” entre os dois conjuntos é uma das mais icônicas da música, sendo assunto para debate até hoje. Contudo, acaba que a opinião de qual grupo foi melhor vai de cada ouvinte. Enquanto os Beatles marcaram toda a cena do rock na década de 1960, os Stones permaneceram no cenário, explorando diversas sonoridades a cada década.

Rolling Stones, Mick Jagger

Um dos momentos mais marcantes da “disputa” entre eles veio em 1967. Em maio daquele ano, os Beatles lançaram talvez o álbum mais influente da história, o “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” marcou a música ao misturar elementos do rock, psicodelia e música erudita, transformando todas as faixas do disco em verdadeiras obras de arte. Como os Stones também estavam saindo de sua zona de conforto, tentaram surfar na onda dos garotos de Liverpool. O resultado foi o frustrante “Their Satanic Majesties Request”, que não chegou nem perto de superar seu concorrente. Mesmo assim, o disco possui sua relevância, ao expandir a criatividade de Brian Jones com seus inúmeros instrumentos e até a música “She’s A Rainbow” que possui o arranjo de cordas de John Paul Jones, baixista do Led Zeppelin. No mesmo ano, em um compacto, saiu “We Love You”, faixa que conta com a participação nos vocais de John Lennon e Paul McCartney, mostrando que as intrigas entre os grupos estavam mais para render assunto na mídia do que qualquer outra coisa. 

Em 1967 também, a banda se envolveu em uma grande polêmica, onde além de Keith, Mick, Marianne Faithfull a namorada de Jagger na época, foram presos com mais alguns convidados em uma operação policial na casa de campo de Keith, onde encontraram drogas e substâncias ilícitas. Keith e Mick foram julgados e condenados, mas suas sentenças foram retiradas em apelação. O maior temor dos fãs era a prisão deles e, consequentemente, o fim da banda.

Se despedindo do rock psicodélico, uma nova mudança na sonoridade do grupo ocorre em 1968. Primeiro, veio o lançamento de “Jumpin’ Jack Flash” e o retorno às origens no blues ocorre em “Beggars Banquet”, com composições excelentes de Jagger e Richards, que são acompanhadas pelo trabalho magistral de Nick Hopkins no piano, a afinação marcante da guitarra de Richards e até uma tentativa de Jagger de puxar um sotaque em sua voz para soar mais “folk”. Por exemplo, a faixa “Prodigal Son”, uma regravação da música de Robert Wilkins.

Abrindo o álbum, temos “Sympathy for the Devil”, uma das faixas mais emblemáticas do grupo. Na canção escrita por Mick Jagger, o diabo faz uma apresentação ao ouvinte, contando sobre suavida e esperando ser reconhecido. A inspiração para a letra veio do livro “O Mestre e Margarida” de Mikhail Bulgakov, onde o diabo visita Moscou. A parte instrumental surpreende pelas percussões, um novo elemento para o grupo. A transição rítmica é inspirada nas tradições da umbanda, que Jagger e Richards admiravam. 

Na faixa “No Expectation” podemos ouvir o belo trabalho de guitarra de Brian Jones, que após dois anos, voltava ao seu instrumento original. O disco foi o último trabalho que Jones participou integralmente, visto que nesse período ele já estava imerso nas drogas, o que o levou a ser afastado da banda no mesmo ano. 

O final da década de 60 pode ser considerado um período quase desastroso para o Rolling Stones por conta de diversos eventos consecutivos que não foram tão bem sucedidos. Começando em 1968, quando gravaram um especial que seria exibido na televisão, o The Rolling Stones Rock N’ Roll Circus. O clima de contracultura e artistas vanguardistas rodeavam o final desse período. Artistas como Jimmy Hendrix revolucionavam o rock, trazendo novos elementos para o gênero, outros mergulhavam na psicodelia e os Stones queriam criar algo marcante, indo sempre na onda das tendências e, por vezes, morrendo na praia. O Rock N’ Roll Circus foi uma maneira de torná-los referência em algo, misturando vários músicos como um line up de festival, psicodelia e vanguardismo, todas as tendências dos anos 60. A ideia inicial era um turnê com a temática de circo, mas por conta da logística complicada, principalmente da malha ferroviária americana, abandonaram a ideia de turnê. Entretanto, Jagger não quis abrir mão totalmente, então contratou nomes como The Who e John Lennon. O diretor do filme já apontou que um dos nomes cogitados foi o Led Zeppelin, mas foram excluídos pela banda.

A harmonia entre os convidados não se estendia aos próprios Stones. O desconforto dos outros membros para com Brian ficava evidente em alguns momentos, o que só foi confirmado pela sua demissão da banda três meses depois da gravação. Apesar da presença de grandes nomes como Eric Clapton (CREAM), Taj Mahal, Mitch Mitchell (baterista do Jimmy Hendrix Experience), Tony Iommi (guitarrista do Black Sabbath), entre outros, o resultado final não agradou a banda. Comercialmente falando, não parecia mais tão interessante, optaram por arquivar o especial que foi lançado somente em 1996 em VHS e, posteriormente em DVD (2004).

O ano de 1969 foi um dos mais conturbados para a banda. Após a saída de Brian Jones em junho, também por algumas prisões por porte de drogas que o impediriam de realizar a turnê nos Estados Unidos. O mesmo foi substituído por Mick Taylor, um guitarrista de 20 anos. Em 3 de julho, pouco após sua saída definitiva, Jones foi encontrado morto em sua piscina. No dia 5 do mesmo mês, os Stones fizeram um show gratuito no Hyde Park que, inicialmente, era para apresentarem Mick Taylor ao público, mas dedicaram o evento ao Jones, onde tocaram sua música favorita, “I’m Yours and I’m Hers”, de Johnny Winter, além de abrirem com um trecho de “Adonais”, poema de Percy Shelley.

Ainda em 1969, lançaram “Let It Bleed” que foi um marco na história da banda não somente pelas músicas, mas também por ser o último em que todos os membros originais participaram. O álbum possui grandes clássicos do Rolling Stones, que acompanham a setlist dos shows até hoje. Com “You Got Me Silver”, em que Richards compôs sozinho e interpretou-a também. Reforça a sonoridade e identidade que eles já trouxeram no álbum anterior, mas com mais força, mostrando a verdadeira musicalidade que consagrou o grupo e permeia seus projetos de forma clara e nítida. Assim como o bolo na capa, o “recheio” continua sendo o rock-blues, como em “Live With Me” e “Let It Bleed”. “You Can’t Always Get What You Want” finaliza o álbum perfeitamente, uma música longa e mais um clássico da banda que está nesse álbum.

Entretanto, uma das músicas também transformou-se no título de um documentário sobre os últimos shows da banda nos Estados Unidos, “Gimme Shelter”. O doc. apresentou a passagem da banda pelo Altamont Festival, um festival gratuito que aconteceu no dia 6 de dezembro, realizado no norte da Califórnia e apelidado de Woodstock do Oeste. Inseparavelmente, o evento deu errado, conhecido também como o pior dia da história do rock, com uma frase atribuída a John Lennon “The dream is over”. O Hell Angels estava ajudando na segurança, mas diversas testemunhas o clima de confusão já estava instaurado, com diversas brigas na plateia e os ânimos acalorados. Meredith Hunter que já havia tentado subir no palco um vez, ao ser devolvido para a plateia novamente, segurou uma arma, os Angels tentando contornar a situação, foram para cima do homem, um dos Angels, conhecido como Passaro acertou Meredith nas costas, o rapaz faleceu. O evento é visto como o fim da era hippie e o filme que está entre os “1000 melhores filmes de todos os tempos” pelo The New York Times.

Ainda sobre filmes, o talento de Mick Jagger não ficou limitado somente a ser cantor. Nos anos 70, Mick tentou tua e trabalhou em filmes como Ned Kelly (1970) e Performance (1970). Em Ned Kelly, ele foi protagonista, mas o longa foi marcado por diversos contratempos, um deles sendo Jagger ferido levemente por um tiro que saiu pela culatra. Já em Performance, Jagger interpretou uma estrela do rock reclusa, tornou-se um clássico cult do diretor Nicolas Roeg. A obra que esperavam seria um “A Hard Days Night”, mas modificou-se e misturou diversas expressões sexuais e experimentações.

A década de 70: Some Girls e Trilogia do Retorno.

Logo após uma sucessão de eventos conturbados, em abril de 1971 lançaram o álbum “Sticky Fingers”. Mesmo que possua baladas mais lentas, trouxe números expressivamente positivos, como a venda de três milhões de cópias. Por outro lado, é o primeiro em que o símbolo icônico da língua apareceu, já que o álbum foi gravado pelo selo Rolling Stones Records. A capa criativa foi desenvolvida por Andy Warhol. Além dos clássicos “Brown Sugar” e “Wild Horses”, também possui “Sister Morphine” e “Can’t You Hear Me Knocking”, a última com um trabalho de saxofone e guitarra primorosos.

No porão de uma mansão alugada por Keith localizada no sul da França, os Stones se exilaram da Inglaterra. Além de criarem seu selo e demitirem seu empresário, a banda tinha uma dívida fiscal que era maior do que os lucros. Essa saída repentina gerou desconfiança nos fãs, que acreditavam no fim da banda e a mídia desmoralizava sua imagem taxando-os como fugitivos. O porão da casa transformou-se em um estúdio e ali nasceu o álbum que consagraria a banda como a maior banda de rock do mundo, o “Exile On Main St.” (1972). O projeto não é organizado como um trabalho comercial, mas sim de acordo com a atmosfera criada pelos sentimentos de tudo que os membros estavam vivendo. A sonoridade é marcada por ser algo descuidado e despretensioso. Abrange diversos estilos explorados anteriormente no gênero do rock. Naquele período, a crítica não o considerou o clássico que se tornou inegavelmente ao passar nos anos. A capa novamente foi um ponto alto, feita pelo fotógrafo Robert Frank, que captou a aura sonora e a trouxe para o universo visual que inspirou vários artistas posteriormente.

Novamente, podemos nos deleitar com um documentário, intitulado “Rolling Stones: Exílio em Main Street”, que contém imagens da gravação do álbum e depoimentos de outros artistas.

Em 1978, os Rolling Stones se viam dentro de uma década com vários discos medianos desde “Exile On Main Street” (1972) e decidiram embarcar em mais uma mudança de sonoridade em “Some Girls”. Na época, os Estados Unidos eram dominados pela disco music e o Reino Unido pelo movimento punk, fazendo com que os ingleses perdessem sua popularidade, não eram considerados mais tão relevantes.  

Como fonte criativa principal desse trabalho, Mick Jagger se inspirou na cena musical das novas boates americanas, principalmente, as nova-iorquinas. O salto de qualidade de Keith Richards era notável, visto que ele passou o ano anterior se recuperando de seu problema com as drogas. E, para completar, “Some Girls” é o primeiro trabalho de Ron Wood como membro efetivo do grupo, fazendo com que seu estilo de guitarra complementasse Richards. Assim, o trabalho foi um enorme sucesso nos Estados Unidos, fazendo com que “Miss You” se tornasse um dos maiores hits da banda. A partir disso, a banda inaugurou uma nova trilogia de discos bons, que seria acompanhada por “Emotional Rescue” (1980) e “Tattoo You” (1981).

No “Emotional Rescue”, os Stones alcançaram seu primeiro disco número 1 nas paradas dos EUA e da Inglaterra desde 1973. Além disso, o álbum conta com “Dance (pt 1)” como primeira faixa, sendo a primeira parceria entre Jagger, Richards e Wood. Já “Tattoo You”, foi o segundo disco deles mais vendido nos Estados Unidos, principalmente, pelo sucesso de “Start Me Up”, um dos maiores hits de toda a carreira da banda. Um ponto interessante desse disco, é que ele é composto de muitas sobras de antigas gravações do grupo, que foram regravadas para o lançamento do álbum. A intenção da banda não era parar de lançar material novo, mas ter um motivo para sair em turnê em 1981, usando “Tattoo You” como motivação para isso acontecer. 

Anos 80: Nova Onda e Carreira Solo de Mick

Os anos 80 foram turbulentos para a banda, mas dessa vez por outros motivos. A cada ano que passava, aumentava a sensação separação iminente. Apesar dos álbuns lançados no início da década, como “Still Life” (1982) e “Undercover” (1983), a surfada na onda do New Wave e o clipe bem sucedido de “Undercover” na MTV, o álbum não decolou. Além das divergências criativas, esse foi um fator decisivo para que Mick se arriscasse em um projeto solo que, para Keith, foi uma grande traição. “She’s The Boss” (1985) foi o primeiro voo solo de Jagger, conseguiu platina, mas obteve críticas mistas. Entretanto, “Primitive Cool” (1987) não interessou ao público e nem chamou atenção da crítica. Enquanto Mick experimentava a contemporaneidade, Keith continuou fiel ao blues e obteve melhores críticas em sua carreira solo.
Surpreendentemente, para a alegria dos fãs, a reinvenção dos Stones veio a partir deste momento, em que os membros como indivíduos perceberam que, artisticamente, precisavam uns dos outros.

Relação de Mick com o Brasil:

Antes mesmo de pensarem em alguma excursão pelo Brasil, os Rolling Stones, ou pelo menos, parte da banda, pisou em terras brasileiras em 1968. Com a intenção de passarem as férias, curtirem a praia e relaxarem do conturbado ano de 1967, Mick Jagger e Keith Richards desembarcaram no Rio de Janeiro. No ano anterior, os dois haviam sido presos por porte de drogas, mas ficaram em liberdade condicional. Para fugir da cinzenta Inglaterra, eles passaram uns dias no Rio e depois foram para uma fazenda em Matão, no interior de São Paulo, onde os dois escreveram o hit “Honky Tonk Women”. Depois, foram para a Bahia, que serviu de inspiração para “Sympathy For The Devil”

Contudo, para um show da influente banda inglesa, os brasileiros precisaram esperar mais 27 anos. A década de 1990 estava animada para megashows no país, Paul McCartney, Madonna e Michael Jackson vieram conhecer seus fãs brasileiros e as pessoas ansiavam pela vinda dos Stones. Com a saída do baixista Bill Wyman em 1993, o grupo entrou em um momento de reclusão, sem lançamentos, mas voltaram com tudo com o aclamado “Voodoo Lounge” de 1994. 

O disco possui a sonoridade clássica dos Stones e é considerado o melhor trabalho do grupo desde “Tattoo You”. O sucesso fez com que uma turnê gigantesca fosse elaborada, a maior e mais lucrativa do grupo até então. E, dessa forma, a banda marcou três shows em São Paulo e dois no Rio de Janeiro.  Nos estádios do Pacaembu e Maracanã, eles fizeram um megashow de mais de duas horas de duração, passando por todos os seus clássicos. 

Não demorou muito para eles voltarem para São Paulo e Rio, visto que três anos depois eles desembarcaram com a “Bridges To Babylon Tour”. A visita não contou com a estrutura enorme de palco como na primeira vez, mas tinha uma passarela que levava a banda para um palco menor no meio da galera. Com um line-up emblemático, os Stones foram acompanhados por dois shows de abertura. O primeiro foi de Cássia Eller e o segundo da lenda Bob Dylan. Em um momento histórico, Dylan voltou ao palco para tocar “Like a Rolling Stone” com a banda. 

Em 2006, ocorreu a passagem mais marcante deles no país. Um show único no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana e de graça. O concerto juntou um milhão e 200 mil pessoas no palco montado em frente ao Copacabana Palace. Na época ainda houve uma polêmica em relação a área VIP do show, destinada a pessoas “importantes”, mas isso não fez com que a animação das pessoas presentes diminuísse. 

No dia, o bairro de Copacabana foi fechado e só havia a circulação de moradores e pessoas que iriam para o show. Com certeza, foi um dos shows mais emblemáticos do grupo, pois a banda foi aclamada pelos espectadores, que curtiram a festa como se fosse uma segunda celebração de Réveillon na areia da praia.

Depois de dez anos sem marcar uma turnê na América Latina, eles voltaram e tocaram em mais de cinco países. A passagem contou com quatro turnês do grupo e uma novidade, eles incluíram Porto Alegre na rota pela primeira vez. Lotando os estádios, foi a primeira vez que os fãs mais jovens puderam comparecer ao show de uma das maiores bandas da história. 

Outro show memorável na América Latina foi o show gratuito em Cuba, no dia 25 de março de 2016. O público presente chegou à meio milhão de pessoas em Havana, onde a música da banda foi banida por ser subversiva de acordo com o regime comunista. O show além de fazer parte da “Olé”, foi também um esforço para normalizar a relação de Cuba com os Estados Unidos.
Sobre essa turnê, lançaram o documentário “Olé Olé Olé: A Trip Across Latin America”, além disso, lançaram o DVD com o show de Cuba, o “The Rolling Stones: Havana Moon”.

A turnê norte-americana que aconteceria em 2019 foi adiada para que Mick Jagger se recuperasse de uma cirurgia cardíaca.

Todos os diversos registros feitos sobre o Rolling Stones e sua trajetória musical nos ajudam a compreender sua relevância não somente para o rock, mas para a música mundial até os dias atuais.
Captando o movimento de contracultura no início de sua carreira, permaneceram coerentes em sua jornada musical. A natural evolução também veio da mente aberta dos membros, que se arriscavam e experimentavam as novas sonoridades que o gênero oferecia, sem perderem sua verdadeira identidade.

As polêmicas pessoais que poderiam arruinar a banda, contribuíram para desenvolver a história de mitos do rock, com vivências surreais em alguns pontos e sempre sendo noticiados, seja de forma positiva ou negativa. Não somente transformaram-se em ícones como banda, mas também expuseram-se de forma tão pessoal ao ponto de se tornarem personalidades separadas e desvinculadas da banda em alguns eventos específicos.

Certamente, o símbolo da língua desenvolvido nos anos 70 ajudaram a carimbar a marca da banda no mundo. O logotipo tornou-se um marco em que facilmente identificamos a banda, e mesmo quem não é fã, reconhece-a.

Contudo, a importância no cenário e diversas histórias que alimentaram os mitos ao longo das décadas, também compreenderam o momento de buscarem sua voz individualmente e explorarem outras faces de cada um. Felizmente, superaram o ego, brigas e intrigas voltando com a banda.

Ademais, a banda é uma das mais antigas ainda na ativa, conforme os anos passaram, focaram mais nas turnês, vendendo nostalgia ao público de todas as idades, desde os que acompanharam-nos desde o início, até os que cativaram recentemente. A irreverência que carregam até hoje arrasta multidões ao redor do mundo. Quem não gostaria de ter a possibilidade que assistiu um show do Rolling Stones que atire a primeira pedra!

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