Uma década. 3650 dias. Tempo suficiente para inúmeros acontecimentos, reviravoltas, erros, acertos, alegrias e tristezas. Qual artista não sonha percorrer seu caminho por todo esse tempo? Viver da arte as vezes é impossível, mas o sonho, ah, o sonho… esse sim mantém tudo vivo. É nessa vibe que o Dinamite Club, banda de pop punk paulistana, completou seus 10 anos nesse último mês de junho. A banda que começou com a junção de alguns amigos lá em 2010, hoje leva na formação Bruno Peras (vocais e baixo), Márcio Rodrigues (guitarra), Eric Merten (guitarra) e Jaime Ferreira (bateria), com a frase que os define: “Muito pop pro punk, muito punk pro pop”.

O Dinamite, desde seu início, se manteve como banda independente, carcaça vestida por praticamente todos os grupos do cenário underground brasileiro, mas tenham conhecimento: isso nunca foi um fator desanimador para os caras. E pra comemorar e claro, exaltar esses 10 anos de caminhada, trocamos uma ideia com Bruno Pera sobre os caminhos percorridos, momentos da banda, e ainda de quebra rolou um conselho pra galera que tá começando no rolê. Confere aí!

Foto: Dinamite Club / Bruno Massao

Rocknbold – Vamos do início então. Conta pra gente como o Dinamite Club começou.

Bruno Peras – A banda começou de uma conversa entre o Leon e o Dan (Running Like Lions). A ideia era montar uma banda de pop punk. O Leon trouxe com ele o Eric e o Dan me chamou por conta de um projeto pop punk que tentamos montar um ano antes, mas não foi pra frente. Aí foi rápido o processo. Marcamos o primeiro ensaio pro dia 09 de junho de 2010 (data que comemoramos o aniversário da banda). O resto é história.

Rocknbold – Nesses 10 anos foram dois álbuns, 1 split, 4 EP’s e alguns singles, essa estrada toda como banda independente. Qual a sensação e a importância disso?

Bruno Peras – Desde o início, a gente manteve a mentalidade de construir o legado. Na época, a cena estava muito capitalizada, muitas bandas já com produtor, agencia e tudo mais. A gente sabia que isso seria pular algumas etapas. Por mais que já fossemos experientes por conta das outras bandas que tivemos antes, sabíamos que a banda por si só teria uma evolução própria. Se fosse pra gente contar com apoio de terceiros, com certeza a banda teria acabado. A gente sempre protegeu o nosso processo, sabendo que todos temos profissão fora da música autoral, então fomos pra esse caminho de fazer as nossas paradas por conta. Olhando pra trás, foi a melhor escolha pra gente chegar nesses 10 anos com boas músicas, fãs incríveis e parceiros consistentes.

Rocknbold – Falando sobre shows, quais foram os que mais marcaram nesses 10 anos de banda?

Bruno Peras – Não dá pra negar que as tours com The Story So Far e com o Neck Deep foram momentos de virada na nossa carreira. Muita exposição e shows incríveis. Fora esses, o lançamento do “Nós Somos Tudo O Que Temos” na Jai em São Paulo é um dos mais memoráveis. O de 5 anos do “Tiro & Queda” no porão do Scar, um bar aqui de São Paulo, foi mágico também. Todos esses momentos contamos com pessoas que amamos muito e foram bem especiais. A parte desses, cada um dos integrantes tem algum guardado com carinho.

Foto: Dinamite Club na Clash, tour com a banda estadunidense The Story So Far

Rocknbold – O Dinamite expressa muito o que o cotidiano do jovem contemporâneo carrega. Como foi chegar nesse sentido pra passar a mensagem da banda?

Bruno Peras – Sempre pensamos em passar uma mensagem positiva. Já tive bandas com letras com um aproach mais triste da realidade, e isso acabou me carregando negativamente. Existem bandas que dominam essa linguagem, então focamos na positividade. Trazer um outro ponto de vista pra essa realidade. A gente aceita as dificuldades, as tristezas, as cobranças, mas sempre tentamos ver o lado positivo dessas experiencias. “Positive Mental Atitude”! Todas as músicas são embasadas em experiencias pessoais nossas. Então nada mais legitimo que compartilhar com pessoas que estão passando ou vão passar por isso. É engraçado pq as pessoas se identificam bastante. A gente tem uma comunidade pequena, mas que acompanha a gente muito por conta dessa identificação.

Rocknbold – Quais foram os principais desafios enfrentados na cena nacional?

Bruno Peras – A gente sempre foi muito autônomo, sabe? Então nunca acabamos fazendo muito o lobby da cena. Não diria que é um bloqueio, mas com certeza não facilitou. A gente tem as pessoas que apoiam a gente, sempre lembram, mas não é unanime. E tudo bem, também. Existem círculos de amizade, tem pessoas que não se identificam, então ta tudo certo. A gente não se sente obrigado a nada e não obrigamos ninguém a nada. Então é isso. Seguimos produzindo nossos shows, alguns parceiros sempre envolvem a gente e seguimos assim. Construindo as pontes ligando com pessoas que a gente se identifica. Fora isso, toda a realidade de ter uma banda independente a gente sempre tirou de letra. Nunca tem tempo ruim.

Rocknbold – Não dá pra falar da banda sem passar no capítulo Leon Martinez. Acompanhar de perto e sentir tudo o que foi sentido, deu ânimo para a banda honrar o nome do Leon no futuro?

Bruno Peras – Ele deixou muitos ensinamentos depois de passar o que passou. Seria muito injusto abandonarmos esse projeto que construímos com muito amor juntos. Ele sempre pedia pra seguirmos com os shows e tudo mais. Foi difícil? Com certeza. Mas as pessoas próximas a ele agradecem a gente ter levado pra frente esse nosso sonho. Seria muito ingrato deixar de lado a maior lembrança do que vivemos juntos. Nossas histórias mais intensas e memoráveis envolvem a banda. Não dava pra deixar pra lá. Hoje, as únicas tristezas são a saudade e ele não poder compartilhar esses momentos que temos vivido ultimamente.

Rocknbold – Em 10 anos, existe algum arrependimento na caminhada do Dinamite Club?

Bruno Peras – Arrependimento acho que nenhum. Talvez ter feito algumas coisas diferente. Mas no fim, é isso que constrói nossa história. É muito claro que os “Se’s” não mudam o trajeto das coisas. Na real, a gente nem lista isso tudo. A gente se embasa muito no que aconteceu pra decidir os próximos passos. E bola pra frente.

Rocknbold – Em “Scott Pilgrim”, segunda faixa do álbum “Tiro e Queda”, vocês falam sobre aquela chama que arde no peito, fez vocês chegarem aqui. Depois de 10 anos, essa chama ainda arde?

Bruno Peras – Rapaz… o mundo testa, assopra, joga água, tira o gás e tudo, mas a chama segue acesa! hahahaha. A chama arde diferente. As surras do dia a dia nesse cotidiano complicado que a gente vive hoje, dão uma outra perspectiva das coisas e de como lidar com elas, mas a chama tá lá, acesa e queimando! A música ainda é nosso porto seguro, embora o futuro seja incerto. Mas quando não foi, não é mesmo?

Rocknbold – Pra gente fechar, vamos de um clichê básico. Ter uma banda ativa e produtiva por 10 anos, não é pra qualquer um. Descola pra gente um conselho praquele cara que tá lendo, tem uma banda, e anda meio desanimado com essa vida e monta equipamento/guarda equipamento.

Bruno Peras – Cara, acredite no que você faz. Embora não sejamos uma banda “consagrada”, toda essa jornada até aqui são uma história de aprendizado que não poderia ter sido de outra forma. Faça seu corre por paixão. Sua música é seu respiro. Faça o que você quer. Não pelo que tá na moda, até por que se você faz o que tá na moda agora, até você lançar, já é passado. A história mostra que quem foi por esse caminho, só se frustrou. Então faça sua arte, sua música, seu corre com paixão. Que aí não dói, dá até um calor no coração quando você sai pra fazer a “Roubadas Tour” Hhaahaha.           

10 anos no corre não são pra qualquer um não, podem ter certeza! Que esse papo com os caras da Dinamite Club sirva de inspiração pra você, que encostou sua guitarra/baixo/baquetas, e pensa que não vale a pena correr atrás dos seus sonhos. A música é a maior cura de almas machucadas, não deixe nada tirar essa chama de vocês, certo, Peras!? Enfim, pra quem não conhece os caras, vou deixar o último trampo deles aqui pra vocês se ligarem no som. Até!