Da insegurança à esperança de novos e melhores tempos, artista vem conquistando seu merecido espaço na indústria com influências rap e pop, falando também sobre saúde mental, depressão e ansiedade

Matthew Tyler Musto começou sua carreira na música ainda adolescente. Ainda jovem, quando utilizava seu nome verdadeiro como artístico, já abordava insegurança e dependência emocional em seus versos e composições, mas foi em 2011 que ele resolveu adotar Blackbear como seu pseudônimo para fazer músicas, logo após utiliza-lo no nome do EP Years of the Blackbear.

Sob o novo nome, Matthew colaborou com Mike Posner, MGK e até co-escreveu Boyfriend, com Justin Bieber. Lançou um EP e uma mixtape em 2012, além de dois singles avulsos e o EP the afterglow nos anos seguintes, porém, foi somente em 2015 que seu nome atingiu um público maior com a música “IDFC“.

O Tumblr foi muito importante para a fama de Blackbear, principalmente no Brasil. Em 2015, o cantor e seu primeiro hit entraram na roda de bandas que ganharam popularidade na rede social, como The 1975 com o disco homônimo, The Neighbourhood com I Love You e principalmente Arctic Monkeys com AM. De repente, os versos iniciais da canção que abordavam dependência emocional e amor não correspondido estampavam diversas postagens e trilhas sonoras dos mais diversos vídeos e montagens.

A faixa veio ao mundo através do disco de estreia do cantor, deadroses, e rendeu milhões de reproduções tanto no Spotify quanto no SoundClound, sendo até hoje uma das canções mais escutadas de Blackbear nas plataformas digitais.

Não demorou muito para ele lançar Help, seu segundo trabalho de estúdio. O disco atingiu a posição 14 na Billboard em dezembro de 2015, mas permaneceu apenas uma semana nos charts. Em entrevistas, Matthew conta que viveu a fama de forma muito imatura na época, abusando de álcool e substâncias ilícitas, que o levaram a um grave caso de pancreatite. “Uma em cada três pessoas teria morrido com a gravidade do meu ataque”, declarou em uma entrevista à Billboard em que conta que precisou passar por um procedimento cirúrgico.

Foi no hospital que Blackbear compôs seu terceiro disco, o favorito de muitos fãs. digital druglord chegou em 2017, antecipado pelo EP Self, no SoundCloud. A capa é curiosa, e mostra uma garota improvisando a parte de cima de um biquíni com frascos de remédio. À Vice, Matthew contou que o objetivo da arte é justamente fazer uma crítica ao abuso de medicamentos, e não glorifica-los. “É sobre ter que tomar comprimidos para permanecer vivo, porque eu estava no hospital enquanto escrevia aquele álbum”, disse.

Foi aí que no mesmo ano Blackbear resolveu lançar sua segunda mixtape comercial, cybersex. À imprensa, o cantor declarou que compôs o álbum no momento de sua vida em que já se sentia bem melhor, tanto que é em cybersex que o cantor traz parcerias com pessoas muito especiais para ele, como Ne-Yo, que considera sua “figura paterna musical”, na faixa top priority e MGK em e.z. Embora as músicas mostrem um Matthew Musto bem mais vulnerável do que os discos anteriores, é um trabalho que ele guarda com muito carinho, a ponto de lançar no mesmo dia de seu aniversário de 27 anos.

Há diversos motivos que tornam cybersex o melhor trabalho de Blackbear até então, mas acima de tudo, é nítido ver o quão mais seguro de si mesmo o cantor se sentia nas composições. A mixtape possui mais faixas do que qualquer outro disco anterior, além de explorar diversos gêneros musicais, melodias e desafiar sua própria voz. Matthew aborda ansiedade, rancor e orgulho e muitas outras fases que o subconsciente humano pode trazer. Essa autoconfiança afetou também a campanha promocional de lançamento da mixtape, em que ele se sentiu livre para brincar com os fãs e até incluir o site pornográfico PornHub em seu cronograma de divulgação, responsável por ser o primeiro contato do público com a faixa playboy shit, parceria com lil aaron.

Mesmo já seguro de si e sabendo seu lugar e identidade musical e criativa, foi no disco ANONYMOUS que o rapper encontrou sua terapia particular, como revelado em entrevistas no ano de lançamento. Em 2019, Matthew já sentia livre o suficiente para lançar as faixas como quisesse, fazendo sua própria campanha promocional. “Música é um hobby para mim. Tenho ações e bitcoins, dou consultoria para coisas e tudo o mais […] eu só quero lançar mais alguns álbuns”, declarou à Vice, na mesma entrevista que antecipou o lançamento de cybersex. “Meu objetivo é fazer o mundo sentir alguma coisa“.

Ao jornal Destak, Blackbear declarou que ANONYMOUS é uma “boa reflexão de onde ele estava na vida”, e que também esperava o disco fosse terapêutico para os fãs tanto quanto foi pra ele. “Acho que ele vai dar voz para muita gente”, contou alguns dias antes de pousar pela primeira vez no Brasil.

ANONYMOUS realmente foi um marco na carreira de Matthew e soa diferente de tudo o que ele já fez, não se limitando somente a escrever as surpreendentes 18 faixas em letras maiúsculas, ao contrário de todos os seus trabalhos anteriores. Embora o disco não tivesse a recepção esperada, com alguns usuários do site Album of the Year definindo-o por um simples “genérico”, o disco foi uma carta aberta do cantor sobre seus sentimentos, angústias e principalmente superações em relação a tudo que ele já passou em sua vida.

Matthew Musto está em um momento diferente e quer mostrar isso ao mundo, tanto é que a última faixa de ANONYMOUS dá uma repaginada em n y l a, uma de suas primeiras músicas lançadas sob seu pseudônimo.

Então, chegamos ao final de 2019 e 2020, em que quase toda semana os fãs contam com uma novidade do cantor: seja em parcerias ou em singles novos que ele mesmo resolve “vazar”, como foi o caso da faixa if i were u, parceria com Lauv em seu último álbum everything means nothing, que inclusive não foi um trabalho feito com pressa. O primeiro single do disco foi hot girl bummer, cujo aniversário de um ano foi celebrado há poucos dias. As demais músicas foram sendo disponibilizadas aos poucos em seguida, no final, apenas cinco faixas do álbum eram inéditas para os fãs. Mas isso jamais foi visto como um problema para Matthew, e por mais que everything means nothing também não teve uma boa recepção da crítica como ANONYMOUS, não é um obstáculo para ele. Bear, como gosta de ser chamado por seus amigos, continua escrevendo e dando liberdade à sua criatividade.

Uma coisa é fato: seus dois últimos lançamentos soam diferentes de tudo o que ele já produziu por conta de sua saúde mental estar bem melhor do que os anos anteriores à 2017. A qualidade vista em cybersex também é difícil de ser superada justamente porque o público acostumou-se com um parâmetro muito alto instaurado por ninguém menos que o próprio Matthew, o que não significa que isso seja algo ruim. Muito pelo contrário, Blackbear se supera todo dia e não tem medo de explorar novas melodias, composições e estilos. Atualmente, ele é um dos poucos artistas que transparece no produto final o quão divertido e proveitoso foi o processo de composição, fazendo os fãs tornarem-se parte do trabalho. Alé disso, ele não tem medo de arriscar, e isso é perceptível pelo modo como suas parcerias desenrolam-se facilmente, como foi a de Hard On Yourself, com Charlie Puth, surgindo de um simples comentário no Instagram.

A presença de Blackbear na indústria musical atualmente é essencial, principalmente para a geração atual cuja saúde mental é um tema em pauta frequente. 2020 marca o ano da vida do cantor por dois motivos além do lançamento de everything means nothing: em janeiro, seu primeiro filho com Michele Maturo nasceu; em novembro, Matthew completa 30 anos de idade. É totalmente esperado que as próximas composições adotem uma temática diferente de tudo o que vimos até agora, como dificuldades da vida adulta, paternidade, entre outras questões. Mesmo assim, é claro dizer que ainda há muito por vir e esperar de Blackbear.

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