Com a proposta de lançar singles daqui em diante, os paranaenses da banda Médicos de Cuba liberaram recentemente o primeiro single da nova etapa da banda, ‘Balão’

O underground musical brasileiro é vasto de estilos, gêneros, crenças e estereótipos. Todos os dias surgem novas caras posicionando ideias, mantras e até pitadas de sarcasmo. É dessa forma que, desde 2013, os araucarienses da Médicos de Cuba vêm fazendo um som diferenciado, ácido e cheio do que chamamos de politicamente incorreto e contando histórias, acima de tudo. Com dois álbuns cheios, o Autointitulado de 2016, e o mais recente, Sertralina de 2019, ainda contam com um EP e alguns singles espalhados entre os anos.

A MDC é composta por Wagner Prochno (vocal), Vinicius Windmoller (guitarra), Saulo Panek (baixo) e Vinícius Hasselmann (bateria), colocam a cara no underground com o som irreverente que faz a Médicos de Cuba ser amada por muitos, e odiada por alguns. Recentemente a banda lançou seu mais novo trabalho de estúdio, o single Balão, e foi sobre ele, carreira e alguns assuntos polêmicos que conversamos com Wagner e Hasselmann. Confere aí!

Foto: Médicos de Cuba / Stephany Lorena

Rocknbold – Vamos começar com vocês se apresentando pra galera que não conhece o som da Médicos de Cuba. Como a banda começou?

Hasselmann – eu e o Wind (guitarrista) tínhamos uma bandinha de colégio em 2013, e por acidente acabamos assistindo a um show de uma antiga banda do Wagner (vocal), e um tempo depois, acabei convidando ele pra fazer um ensaio com a gente, onde chegamos pra tocar covers e sem querer acabamos compondo músicas, e desde então estamos ai! 

Rocknbold – No ano passado vocês lançaram o segundo trabalho de estúdio da banda, o ‘Sertralina’. Como foi o processo de produção e o recebimento do público?

Wagner – Eu estava passando por período difícil na minha vida e o Sertralina foi como se fosse um desabafo. Como sempre, tudo foi gravado e produzido pela própria banda. Eu acho que naquela época eu precisava falar sobre depressão de alguma forma, ou de várias formas; depressão é um guarda-chuva de sensações ruins, e tem uma música pra cada uma delas no Sertralina.  Acho que no geral não é o trabalho favorito dos fãs, talvez pelo conteúdo muito carregado nas letras. E pelo teor “pessoal de desabafo” daquela época, mas é nele que estão as músicas favoritas da banda.

Foto: Médicos de Cuba / Carol Munhoz

Rocknbold – Ainda em ritmo de lançamentos, há poucas semanas vocês liberaram o single ‘Balão’. Qual a mudança que vocês enxergam nele em comparação com o último full?

Hasselmann – Por fazermos tudo por conta em casa, é bastante trabalho, então agora queremos fazer apenas singles. Assim teremos mais lançamentos de mais qualidade, num espaço menor de tempo e sem se prender numa temática, todos ganham! Como o Wagner disse ali em cima, o Sertralina foi meio que uma necessidade dele de tocar nessa “ferida interna” e desabafar, no começo a banda tinha mais humor nas letras e com a Balão a gente voltou pra essa linha, vamos esquecer a depressão e voltar com os ritmos engraçados. Vamos contar histórias divertidas de novo.

Rocknbold – Recentemente vocês passaram por algumas situações referentes a censura/cancelamento de shows por conta do teor das letras que vocês trazem para o público, e em alguns casos, o posicionamento de cada um. Como vocês lidam/lidaram com isso?

Wagner – Tudo ficou contaminado com política. Não dá mais pra abrir uma padaria sem dizer que seus pães são antifascistas, que o forno é vegano, etc., ainda mais quando se é artista, a cobrança da “patrulha” que diz como você deve se portar/sobre o que você deve falar é redobrada. Isso é terrível por muitos motivos, mas não vamos nos sujeitar a isso. Somos apenas pessoas que gostam de fazer barulho, se divertir, pular e gritar. Fazemos letras sem esses filtros políticos primitivos e muitas vezes clichês pra caralho que vemos em muitas bandas por aí, contamos todo tipo de história e quem fica procurando coisas pra se ofender, acha ou interpreta do jeito que os convém, mas assim, não temos interesse nenhum em nos aliar a classe artística dominante, que é de esquerda, então, não vamos pagar pedágio ideológico pra ninguém, até porque produzimos com sucesso nossos próprios eventos e festivais. Um recado pros militantes de Twitter: se quiserem ir encher o saco de dono de bar pra cancelar nossos shows por causa de ideologia política, podem fazê-lo. Última vez que aconteceu isso ganhamos 700 seguidores num dia só hahahaha.

Rocknbold – Em período de isolamento é dificil traçar um olhar para o horizonte, mas quais os próximos passos da Médicos de Cuba após o single ‘Balão’?. Vêm mais coisa para 2020?

Hasselmann – Pra 2020 não! Mas já estamos fazendo músicas novas e em janeiro de 2021 já sai uma. De agora em diante a meta é lançar pelo menos quatro músicas por ano. Elas sempre vão ser pesadas e sempre vão ter letras divertidas e ácidas.

E pra você que não conhece o som da Médicos de Cuba, e ficou interessado em como os caras posicionam suas ideias, é só colar nas redes sociais e nas plataformas de streaming dos caras. Vou deixar o último lançamento deles aqui também.

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