10 anos de “I’m With You”, primeiro álbum do RHCP com Josh Klinghoffer

Álbum define o fim da longa parceria com Rick Rubin na produção, apresenta novos caminhos musicais após a saída de Frusciante e marca a estreia de Josh Klinghoffer na guitarra
Texto enviado pelo colaborador Luis, do Entre e Ouça; clique para conferir seu trabalho

Em 2011, o Red Hot Chili Peppers estava há 5 anos sem lançar material novo, um período considerável, porém justificável, já que o último trabalho tinha sido um álbum duplo (Stadium Arcadium, de 2006) e o guitarrista John Frusciante deixava a banda pela segunda vez. O grupo vinha de uma sequência matadora de lançamentos, com 3 discos carregados de hits e de imenso sucesso comercial. A formação Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e John Frusciante era perfeita e adorada pelos fãs, mas grandes mudanças aconteceram ao decorrer do lançamento de I’m With You, décimo trabalho da discografia.

O quarteto estava em pausa desde 2008, devido ao desgaste gerado pelo trabalho contínuo iniciado nas gravações do Californication (1999). Durante a pausa, cada integrante focou em seus projetos e em suas vidas pessoais e em 2009, Frusciante confirmou sua saída da banda, alegando que seus interesses musicais o colocaram em outro caminho, o que deixou os fãs inseguros em relação ao futuro dos Chili Peppers.

A expectativa em torno do novo integrante do Red Hot era grande, já que John é um músico excepcional e considerado por muitos um gênio da guitarra. A responsabilidade de assumir as guitarras do grupo ficou com o talentoso multi-instrumentista Josh Klinghoffer. O músico já tinha um bom relacionamento com o RHCP, já que havia tocado com a banda como músico de apoio em 2007, na turnê do álbum Stadium Arcadium, sendo o guitarrista adicional, backing vocal e tecladista.

Josh Klinghoffer revela qual seria sua reação se John Frusciante quisesse  voltar para o Red Hot Chili Peppers
(Josh e John em meados dos anos 2000)

O músico é amigo de longa data de John, que o conheceu na gravação do álbum You Come and Go Like a Pop Song, de sua primeira banda, a The Bicycle Thief, onde John gravou um solo de guitarra. Josh e Frusciante começaram a compor juntos em 2002, e essas composições deram origem ao álbum solo do lendário guitarrista lançado em 2004, o excelente Shadows Collide With People.

Josh também tocou bateria, baixo, teclado, guitarra e cantou nos discos solos de John lançados no mesmo ano: The Will To Death, Inside of Emptiness e A Sphere in the Heart of Silence (onde os dois músicos são creditados). Klinghoffer também tocou no álbum The Empyrean, de 2009.

Além da parceria musical com o membro emblemático dos Chili Peppers, Josh também tocou com inúmeros músicos consagrados como Perry Farrell, PJ Harvey, Gnarls Barkley, Warpaint, entre outros. O músico também fez parte da banda Ataxia, junto com Frusciante e Joe Lally (Fugazi) e montou o grupo Dot Hacker em 2008.

Josh Klinghoffer revela única reclamação sobre os 10 anos de Red Hot Chili  Peppers · Rolling Stone
(Foto: Divulgação/Reprodução)

Com um background sólido e consistente, Klinghoffer parecia uma escolha segura para substituir Frusciante, principalmente por sua forte ligação com o ex Chili Pepper e seu bom relacionamento com os demais integrantes. É chegada então a hora de compor um novo álbum, o sucessor do ambicioso Stadium Arcadium e a aguardada estreia de Josh nas guitarras.

Lançado em agosto de 2011, I’m With You quebrava o hiato de 5 anos sem um álbum de inéditas e finalmente apresentava as novas composições da nova formação do Red Hot. O disco seria o último trabalho com a produção do grande Rick Rubin, que vinha produzindo os álbuns da banda desde o icônico Blood Sugar Sex Magik (1991).

I’m With You mostrava mudanças consideráveis na sonoridade do Red Hot, sendo um reflexo natural da saída de um membro tão importante como John Frusciante. O baixo de Flea se torna ainda mais presente em todas as faixas e assume o protagonismo da obra. Chad Smith continua preciso na bateria e não decepciona em nenhum momento, deixando a cozinha da banda afiadíssima.

Josh coloca sua personalidade nas novas composições, porém, o músico é discreto e não aparenta estar totalmente confortável e solto em sua nova empreitada. Mesmo sendo amigo dos integrantes há um bom tempo e conhecendo bem a carreira dos Chili Peppers, a pressão em substituir um guitarrista do patamar de John Frusciante não é algo simples de lidar. Ainda que sutil e contido, ele consegue entregar ótimos riffs e provar que merece ocupar o posto de guitarrista do grupo, já que é um músico muito talentoso.

Anthony Kiedis continua apresentando um ótimo desempenho vocal, o vocalista está completamente confortável com sua maneira de cantar e sua performance característica é um dos pontos altos das músicas, principalmente em faixas mais melódicas e intimistas como “Brendan’s Death Song” e “Police Station”.

A nova era musical do Red Hot Chili Peppers | AlmA Londrina Rádio Web
(Foto: Reprodução/Divulgação)

Aqui, o Red Hot apresenta sua nova dinâmica e isso resulta em ótimas faixas como “Monarchy of Roses”, “Look Around” e “The Adventures of Rain Dance Maggie”, que evidenciam a energia contagiante da banda e contém doses pontuais do funk que sempre acompanhou a banda, sendo predominante em seu começo de carreira.

O álbum ainda guarda algumas pérolas preciosas que fogem da estrutura casual que a banda costuma apresentar, entregando composições maravilhosas como “Did I Let You Know”, “Happiness Loves Company” (que conta com pianos em sua estrutura), “Meet Me At The Corner” além da excelente e diferente “Even You Brutus?”, facilmente uma das faixas mais interessantes do álbum.

O disco recebeu críticas positivas de um modo geral, apesar de muitos veículos apontarem o impacto criativo que a saída de John Frusciante teve. É inegável que o décimo álbum de estúdio, é um ótimo trabalho, consistente e coeso, além de reafirmar que o Red Hot Chili Peppers consegue lidar perfeitamente com mudanças em sua formação sem deixar isso afetar a qualidade de seus álbuns. I’m With You é pouco lembrado na extensa e rica discografia da banda estadunidense, uma injustiça já que a obra guarda canções interessantes e diferenciadas, que tiraram a banda de sua zona de conforto. O álbum marca a estreia de Klinghoffer nas guitarras, músico que iria permanecer na banda por 10 anos, gravar discos e fazer contribuições relevantes para o Red Hot.

Um trabalho importante na carreira dos Chili Peppers e que merece ser revisitado frequentemente.

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