Atalhos inaugura nova era mergulhando no Dream Pop

Reinventar-se pode ser uma palavra assustadora para um artista, seja no cinema, na pintura ou até mesmo na música. A partir do momento em que uma banda ou cantor cria um público, acaba se tornando arriscado transicionar por outros gêneros musicais e manter os fãs fiéis. Em época de pandemia, em que tudo parece mais incerto e qualquer simples escolha soa ousada demais, é compreensível alguns artistas recuarem da ideia.

Para a Atalhos, essa não era uma escolha. Formado por Gabriel Soares e Conrado Passarelli, o duo paulistano aproveitou os meses de distanciamento social para entregar, sem soar precipitado demais, o melhor trabalho da banda até agora. Numa era cuja proposta é trazer impacto desde as músicas até a identidade visual, a banda propõe uma nova experiência tanto para o público quanto para eles mesmos, viajando pelo dream pop.

Atalhos lançou nesta quinta-feira (4) o vídeo de A Tentação do Fracasso, faixa que dá nome ao próximo álbum em um formato intimista, performada ao vivo em estúdio. A mídia faz parte do projeto de sessions da banda, que tem como objetivo mostrar para os fãs a experiência de ver e ouvir as novas músicas num show. Em entrevista exclusiva ao ROCKNBOLD, o vocalista Gabriel Soares revelou que cada detalhe da série de versões ao vivo é uma maneira de oferecer um conteúdo inédito ao público, sem perder o ritmo de se apresentar num palco. “Foi uma decisão difícil por conta da quarentena, mas tivemos que correr o risco”, começa. “Precisávamos fazer pra seguir essa agenda de lançamentos e termos esse fôlego, tocamos pela primeira vez [as novas músicas] como banda.”

A estética da produção das sessions traz ligação direta com o visual dos trabalhos já lançados. Tata Leon, junto à Thata Jacoponi, assina as capas dos singles e as artes do clipe de Mesmo Coração e A Tentação do Fracasso, junto a José Menezes, que dirigiu os videoclipes. Essa transição na direção de arte e efeitos visuais foram pensadas minimamente para acompanhar o gênero em que a banda parte agora, o dream pop.

“Tem tudo a ver com esse universo que a gente está criando, tentamos dialogar a música e a estética”, revelou Soares, relembrando como a banda inicialmente apostava no preto e branco para a arte de capa dos singles mais voltados à música alternativa, até transcender para o sépia, mas permanecendo no monocromático e finalmente arriscar-se nas cores na nova Era. “Por um momento [a ausência das cores] funcionou, agora quisemos ir pra outro lado, e vimos uma oportunidade”, comenta. “É um desafio, sair da zona de conforto, daquele sistema que a gente tava meio cômodo.”

Atalhos
Gabriel Soares e Conrado Passarelli (Imagem: Divulgação)

A era A Tentação do Fracasso chega após três anos sem trabalhos lançados da banda. Ainda falando da mudança de gênero musical, Soares lembra que essa transição tem muito a ver com a saída de Marcelinho do Atalhos, que acabou deixando o grupo em 2017. “Nos últimos discos a gente tava muito mais ligado ao folk, e queríamos partir pra cima das guitarras”, revela, detalhando que os primeiros trabalhos eram compostos diretamente no violão. “A Tentação do Fracasso eu compus tudo já na guitarra, então todas as músicas tem uma identidade do dedilhado, viajando mais pelo dream pop”, explica Soares, revelando que o público pode esperar muitos riffs que dão a impressão de ondas, mar, nuvens e “uma coisa mais fantasmagórica”, como ele mesmo descreve.

A transição de gênero vem também de muitas influências musicais, além de ser uma vontade antiga da banda. Gabriel Soares revela que ele e Conrado Passarelli buscaram nomes sul-americanos para inspiração nas novas faixas. Os fãs podem esperar uma configuração marcante da região no novo disco dada à presença de Ives Sepúlveda Minho durante a produção; amigo próximo de Gabriel Soares, o músico é integrante da banda chilena The Holydrug Couple, uma das fortes influências no processo de composição do novo disco da Atalhos. Além disso, o trabalho foi fechado pelo selo argentino Scatter Records, em Buenos Aires, além de possivelmente incluir uma cantora local em uma das faixas, cujo nome não foi revelado por questões contratuais.

“Por conta da quarentena a gente conheceu novos artistas. Tivemos tempo pra fazer isso, sair desse nicho paulistano. Foi um desejo nosso de escapar”, revelou o vocalista. “Queremos levar nosso som pra América Latina, dialogar com outros países e explorar esse contato.”

E falando em quarentena, o período pode ter impactado no processo de produção de todo o disco novo da Atalhos, mas ao mesmo tempo, os meses de distanciamento social foram cruciais para o duo pensar e repensar em toda a proposta que pretendem entregar no trabalho. “Estamos conseguindo o espaço que não tínhamos antes, na mídia, nas redes sociais… mesmo com pouco material”, conta Soares. “Mesmo tendo esse espaçamento, conseguimos trabalhar e comunicar melhor.”

“Antes do mundo parar, teve a masterização [do disco]”, revelou o músico sobre a etapa pós-produção do trabalho, realizada em Nova York num estúdio chamado Sterling Sound. Quem cuidou dessa parte foi Greg Calbi, nome por trás de faixas de ninguém menos que Bruce Springsteen e Paul Simon.

“A nossa ideia era sair com os singles e o disco inteiro em 2020, mas foi bom ter mais tempo pra decidir quais seriam as melhores faixas, data de lançamento, trazer mais gente pra equipe”, relembra Gabriel Soares durante a entrevista. “Nesse sentido foi muito bom, a previsão é que lancemos esse ano, mas ainda não é certo porque não queremos lançar o disco sem fazer show.”

Segundo Gabriel, mais dois singles que estarão presentes no álbum serão lançados em breve, antecipando seu o lançamento. “O material está praticamente, só tem algumas músicas que estamos dando os últimos retoques”, adianta.

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