Sorocabanos do Make It Stop lançam seu terceiro trabalho de estúdio recheado de críticas, apontamentos e reflexões

O hardcore/punk oldschool continua dando suas caras em terras brazukas! É nesse barco que desde o final de 2015, os paulistas do Make It Stop pregam a palavra da sensatez e da luta cotidiana em suas letras e atitudes. Formada por Murillo Fogaça (vocais), Felipe Fogaça (guitarra e voz), Diogo Camargo (guitarra), Welington Conservani (baixo) e Vinicius Knup (bateria), buscam o caminho do DIY com gana e vontade de trazer dias melhores por meio de suas músicas.

Debutando em 2016 com o EP Respirando Esperança, o quarteto botou a cara a tapa mostrando o descontentamento com tudo que havia de errado, dando vazão para o segundo EP da banda, que saiu um ano após o primeiro, de nome Amparo, ainda mais maduro e consciente do papel fundamental o qual ocupam. Após longos 3 anos tocando sem parar em diversos lugares do estado de São Paulo e Brasil, o agora quinteto chega com os dois pés no peito da sociedade opressora com o mais novo trampo de estúdio, o EP intitulado Sobrevivência, onde a primeira frase citada dá logo uma margem pro que está por vir no resto do trabalho: “Trata-se de defender a vida, sobrevivência”.

A equipe do Rocknbold recebeu com exclusividade o material um mês antes de seu lançamento, e após assimilar todo o conteúdo e a força presente nele, trocou uma ideia com o guitarrista Felipe sobre a banda e o novo trampo. Saca só!

Make It Stop em apresentação
Foto: Make it Stop / Xinxilah.photos

Rocknbold – Como o Make It Stop começou?

Felipe Fogaça: O Make It Stop começou no final de 2015, onde a ideia inicial era quatro amigos fazerem um som com influências de bandas old school, youth crew como: Youth Of Today, Minor Threat, Good Intentions, Positive Youth, entre outras. Aos poucos a banda foi acrescentando novas referências que giram em torno de nós e do momento que estávamos vivendo, com a entrada de uma segunda guitarra deu mais força e os shows ensinaram a nós a como ser uma banda.

Rocknbold – Nas letras da banda, é possível notar que o descontentamento com o atual cenário é evidente. Como funciona o processo criativo do quinteto?

Felipe Fogaça: Sempre acreditamos que as coisas poderiam ser melhores de alguma maneira, mas se tratando do momento atual é bizarro essa realidade política do Brasil e do mundo que estamos vivendo, não tem como isso não refletir nos sons e nas nossas atitudes. Normalmente, as letras ficam por minha conta, e do meu irmão, o Murillo Fogaça (vocal), como moramos juntos conversamos sobre diversos assuntos o tempo todo, diante desses diálogos sempre pensamos em temas que seria legal abordar nas letras, as vezes acontece de cada um escrever algo sozinho, já escrevemos algumas coisas juntos também, depois de definir bem a letra, apresentamos para os outros integrantes que dão suas sugestões e fechamos algo em conjunto. Na parte de instrumental, eu também tenho as vezes alguma ideia de riff, levo pro ensaio onde experimentamos um pouco com bateria e baixo e vamos criando algo partir disso, quase sempre a música final fica bem diferente da ideia inicial, o que eu acho bom, pois acaba sendo um trabalho em conjunto de todos.

Rocknbold – Recentemente vocês lançaram o mais novo EP intitulado “Sobrevivência”, com 7 faixas, e diversas críticas e participações discursivas dentro das músicas. Como foi produzir o material?

Felipe Fogaça: Foi bem legal e significativo para nós, foi um material onde tivemos muito cuidado para escrever cada frase das letras, onde gravamos e regravamos muitas vezes, experimentamos elementos novos, reouvimos tantas vezes, pensamos na identidade visual bem antes do material ser finalizado e o principal de tudo, tivemos mais pessoas de fora da banda ajudando em estratégias para isso ser lançado da melhor maneira possível.  O “Sobrevivência” é uma das primeiras coisas que eu gravei na vida que não enjoo de ouvir, é claro que ele chegou a esse resultado porque tivemos o apoio mútuo de muitas pessoas trabalhando para isso acontecer da melhor forma possível. Só temos a agradecer imensamente ao Rodolfo Della Violla (gravação, produção, mix, master), Fabio Pereira (Artico Music), Erick Tedesco (Tedesco Comunicação), Deaf Haus (Estúdio), Chris (Vermenoise), July Salazar (Tomar Control) e todas as outras pessoas que colaboraram de alguma forma.

Performance da Make It Stop
Foto: Make It Stop / Dani Moreira

Rockbold – O Make It Stop carrega o sangue do hardcore punk oldschool, tanto na sonoridade, como na postura. O estilo surgiu de imediato, ou foi se lapidando com o tempo da banda?

Felipe Fogaça: Sempre foram nossas principais influências, tanto que no começo tínhamos muito a preocupação de soar de tal forma, mas ao longo do tempo vamos encontrando nossa própria personalidade como banda, aplicando outras influências que temos, que vai muito além de só música, pode ser algo artístico ou uma atitude, etc. Um amadurecimento para a banda.

Rocknbold – Quais os próximos planos e passos do Make It Stop?

Felipe Fogaça: Divulgar o ‘Sobrevivência’ para o máximo de pessoas, tentando de alguma forma trazer alguma reflexão para quem está consumindo esse material. Vamos gravar novos vídeos das músicas também, fazer novos merchs e quando tudo estiver seguro queremos tocar essas músicas no máximo de lugares possíveis, principalmente em cidades e lugares que não fomos ainda, fazer novas amizades e viver novas experiências com a banda, afinal a vida é isso né? As vivências que temos.

Como o Make It Stop salienta em suas letras, a mudança precisa começar pela base, apresentando e mostrando para os mais jovens que o mundo pode ser melhor a partir deles. Não conhece o som deles ainda? Então cola pras plataformas digitais e não perde tempo! Eles também estão em todas as redes sociais, e claro, vou deixar o trampo novo aqui embaixo pra vocês conferirem e, também, um webzine criado pelo Felipe Fogaça para o lançamento do trampo novo. Lembrem-se: é preciso se posicionar para ganhar a guerra contra o lado errado. Força!

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